MABI estreia com álbum gravado em imersão criativa em Florianópolis
Depois de apresentar o single "Irmandade Preta", o trio instrumental apresenta seu primeiro trabalho com participações dos talentosos, François Muleka e Marissol Mwaba.
MABI é a sigla para "música afro-brasileira improvisada", sendo um manifesto sonoro e político sobre o apagamento da herança preta na música brasileira criado pelos músicos Trovão Rocha, Gabriel Barbalho e Lucas Fê. Através de um processo criativo marcado pela convivência, improvisação e experimentação, nasceu o primeiro álbum do trio sob o mesmo nome "MABI". O lançamento é no dia 26 de março.
"MABI" foi construído a partir de uma proposta pouco convencional de reunir os músicos em uma casa em Florianópolis durante uma semana inteira dedicada exclusivamente à criação musical. A ideia inicial era simples: desenvolver algumas composições que depois seriam gravadas em estúdio. Mas o processo acabou se transformando em algo maior. Logo nos primeiros dias, a sala da casa foi transformada em um estúdio improvisado. Instrumentos, microfones e equipamentos foram montados enquanto o produtor musical Francis Pedemonte cuidava da captação das primeiras ideias. Entre conversas, testes de som e improvisações, o ambiente foi se tornando cada vez mais fértil para a criação.
O clima de troca e escuta fez com que o processo evoluísse rapidamente. Em apenas três dias, o repertório cresceu além do esperado, das cinco músicas inicialmente planejadas, nasceram nove faixas. Violão, teclado e os instrumentos principais do trio se misturaram em sessões de improvisação, muitas vezes guiadas pela oralidade, pelas histórias compartilhadas e pela própria convivência entre os músicos.
"Teve muita coisa bonita que apareceu nesses momentos mais livres. Algumas dessas gravações ficaram tão especiais que decidimos manter no disco", contam os três músicos.
O álbum conta com Francis Pedemonte na produção musical e Renato Pimentel na captação de áudio, e carrega as importantes participações dos músicos brasileiros de origem congolesa François Muleka - colaborando no single já lançado "Irmandade Preta" - e Marissol Mwaba com a canção "Aclimação".
"A sensação foi de concluir uma etapa muito importante da vida, ao lado de músicos que são pura inspiração", resume Trovão.
O álbum chega às plataformas digitais no dia 26 de março, consolidando a trajetória de um trio que nasceu do improviso, mas que encontrou na irmandade e na escuta coletiva a base de sua identidade musical.
Escute aqui:
Sobre os músicos:
Gabriel Barbalho
Natural de São Paulo (Brasil), iniciou seus estudos no trompete aos 7 anos de idade, com forte influência de seus irmãos que tocavam na igreja. Começou em uma banda marcial e, anos depois, passou a ter aulas no Guri Santa Marcelina.
É formado pela EMESP - Tom Jobim (São Paulo) em Trompete Popular e desenvolve atualmente seu trabalho autoral, onde há influências de várias culturas e estilos além de integrar o grupo Manana Latin Jazz o qual produz e atua como trompetista. Ao longo de sua carreira trabalhou com artistas e em projetos como Orquestra Jovem Tom Jobim, Big Band Souza Lima, Camerata Florianópolis, OSSCA, Orquestra HB - Heartbreakers, Mônica Salmaso, Ted Nash, Bruce Williams, Teco Cardoso, Nelson Faria, Nailor Proveta, Nelson Ayres, Roberto Minczuk, Alegre Correa, Luiz Meira, James Boogaloo Bolden, Baby do Brasil, etc.
Já participou de festivais como IlhaBela In Jazz, Festival de Big Bands Souza Lima, Sexta Jazz Aliança Francesa, Festival de Música da UFSC, Floripa Jazz, Bourbon Street Fest, entre outros. Em 2017 realizou um intercâmbio em Juilliard School (New York).
Lucas Fê
Nascido em 1996, em Rio Grande (RS), Lucas Fê cresceu entre as baquetas. Sobrinho de Marquinhos Fê, um dos bateristas mais requisitados do sul do Brasil, estreou aos 4 anos de idade ao lado de músicos profissionais, trazendo no currículo nomes como Alegre Corrêa, Ana Paula da Silva, Arismar do Espírito Santo, Anaadi, Andrea Cavalheiro, Bebê Kraemer, Edu Martins, Frank Solari, Gabriel Gaiardo, Gabriel Grossi, Guinha Ramirez, Gutu Wirtti, Jhonatan Ferr, Leiwy Teixeira, Luiz Mauro Filho, Marmota JazzNeuro Júnior, Nelson Faria, Nico Bueno, Paulinho Fagundes, Renata Adegas, Ricardo Baumgarten, Ronaldo Pereira, Salomão Soares, Thiago do Espírito Santo, Vinicius Chagas e Vinicius Cantuária, dentre muitos outros pelo caminho.
Em sua cidade natal, juntou os amigos Dionísio Souza e Marcelo Vaz, navegou musicalmente para um trabalho instrumental livre com KIAI Grupo. O trio lançou cinco álbuns e um single: Além (2018), Costuras Que me Bordam Marcas na Pele, em parceria com Paola Kirst (2018); Jazzkilla de Zudzilla e KIAI (2019); KIAI II (2020); KIAI ao vivo na Pedra Redonda (2021) e A Reforma (single/ 2022), além do documentário "TAO - Caminhos de KIAI Grupo" criado pela produtora 229 Visuais, lançado em 2023.
Lucas também participou em álbuns de diversos artistas, como: Dessa Ferreira, Paola Kirst, Tamiris Duarte, Zudizilla, Bebê Kramer, Dionísio Souza Djâmen Farias, Dona Conceição, Gabriel Romano, Gustavo Cunha, Gustavo Garoto, Ivan Beck, Lunar, Marcelo Delacroix, Ricardo Borges, dentre outros.
Fora do circuito gaúcho (RS), apresentou-se no Beco das Garrafas (RJ), Audio Rebel (RJ), Floripa Instrumental (SC), Floripa Jazz (SC), FIMS em Curitiba (PR), Semana da Oficina de Música em Curitiba (PR), SIM SP (SP), MECA Inhotim (MG) com Luciano Melo e Festival de Música Brasileira em Montivideo (URU).
Lucas atua como produtor musical, assistente geral e instrumentista no coletivo da Pedra Redonda.
Trovão Rocha
Baixista e compositor, mestre em música na área de Processos Criativos pela Universidade do Estado de Santa Catarina. Estudou com baixistas de referência como: Janek Gwizdala, Ronaldo Saggiorato, André Neiva, André Vasconcelos, Thiago do Espírito Santo, Arismar do Espírito Santo e Jorge Helder.
Conhecido por tocar de uma maneira diferenciada, utilizando baixo como um instrumento harmônico, Trovão Rocha realizou diversos shows de duo que enfatizam essa característica em especial acompanhando artistas como: Ana Paula da Silva, Gabriel Grossi, François Muleka e Marcos Archetti. Com uma ativa participação no cenário catarinense de música instrumental, foi convidado a acompanhar diversos artistas em suas apresentações pelo estado: Gabriel Grossi, Nelson Faria, Robertinho Silva, Sérgio Coelho, Paulo Calasans, Alegre Correa, Mazin Silva e Filó Machado. Faz parte dos trabalhos já lançados: Clã Instrumental ( lançamento online, turnê Argentina 2012, Uruguai 2013), Karibu ( Lançamento Cd 2012, Circuito SESC de música 2014, WebFestivalda 2016), Watchout Jazz! (Turnê Republica Tcheca 2013). Atuou como professor de contrabaixo acústico e elétrico, harmonia e prática de conjunto, na Escola Livre de Música de Florianópolis (2015-16) e na Escola livre de Artes de Florianópolis (2018-2019).
No momento se dedica ao seu projeto de música autoral o Trovão Rocha Trio, com o disco "Sobre a Lua e os Passos", além das atividades de professor e produtor cultural.
Instagram:
https://www.instagram.com/mabi_musica_afrobrasileira/
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