Soulwitch transforma o metal sinfônico em ritual ao unir teatralidade, ocultismo e identidade visual marcante

Liderada por Maria Sliviany, banda curitibana faz da estética inspirada na bruxaria, do simbolismo hermético e da performance cênica elementos fundamentais de uma das propostas mais conceituais do Symphonic Metal brasileiro!

Soulwitch transforma o metal sinfônico em ritual ao unir teatralidade, ocultismo e identidade visual marcante
Soulwitch transforma o metal sinfônico em ritual ao unir teatralidade, ocultismo e identidade visual marcante (Foto: Reprodução)

Em um cenário em que o metal sinfônico costuma impressionar pela grandiosidade de suas orquestrações, a curitibana Soulwitch decidiu expandir essa experiência para além da música. O quinteto desenvolveu uma identidade artística em que sonoridade, figurinos, simbolismo, narrativa e performance caminham em perfeita sintonia, transformando cada apresentação em um espetáculo imersivo que conduz o público a um universo permeado pelo ocultismo, pela filosofia hermética e pela estética ritualística.

Inspirada por referências como Nightwish, Epica e Evanescence, mas comprometida em desenvolver uma linguagem própria, a Soulwitch encontrou na teatralidade um dos pilares de sua personalidade artística. O resultado é uma proposta que combina o peso do metal, a grandiosidade das orquestrações e uma narrativa visual cuidadosamente elaborada, aproximando a banda das grandes produções do Symphonic Metal contemporâneo.

A formação reúne Maria Sliviany (vocal), Jack Vanderbrook (teclados), responsável pelas composições e arranjos sinfônicos, Luan Lopes (guitarra), Sérgio Santos (baixo) e Roberto Wagner (bateria), músicos que contribuem para uma identidade sonora marcada por atmosferas cinematográficas, melodias épicas e vocais expressivos.

Grande parte dessa identidade passa por Maria Sliviany, vocalista, letrista e diretora artística da Soulwitch. Além de interpretar as canções, ela assina todas as letras e conduz a construção estética e conceitual da banda, desenvolvendo figurinos, maquiagem, direção visual e a narrativa simbólica que conecta apresentações, videoclipes e o álbum Principium (2024).

Ouça o álbum Principium em sptfy.bio/soulwitch

Faixas como “Beltane” e “Teufelsbuhlschaft” sintetizam essa proposta ao abordar temas como amor espiritual, ancestralidade, Inquisição, transmutação, expansão da consciência e fortalecimento feminino, sempre sob uma abordagem intensa, cinematográfica e repleta de simbolismo.

Em entrevista concedida ao portal Road To Metal (confira a entrevista completa aqui), Maria revelou que toda a identidade visual da Soulwitch nasce da mesma essência que inspira suas composições: a liberdade artística. “A arte precisa nascer dessa sensibilidade do artista. Existe a técnica, mas a alma precisa falar através desse sentimento. A Soulwitch se torna bruxa justamente por representar essa liberdade de expressão”, comentou a vocalista.

Essa filosofia faz com que cada elemento visual da banda funcione como uma extensão natural da música. Figurinos, maquiagem, arte gráfica e direção de cena estabelecem conexões diretas com os conceitos presentes em Principium, explorando temas como transformação, renascimento, espiritualidade, dualidade e integração das sombras.

Essa construção torna-se especialmente evidente em “Teufelsbuhlschaft”, primeiro single da Soulwitch e uma das composições que melhor sintetizam sua identidade artística. Inspirada na perseguição às mulheres acusadas de bruxaria durante a Inquisição, a faixa utiliza esse contexto histórico como metáfora para discutir liberdade, autoconhecimento, resiliência e transformação interior.

No palco, a figura da bruxa deixa de representar um estereótipo para assumir o papel de arquétipo ligado ao conhecimento, à liberdade e ao poder feminino. Essa estética conversa diretamente com a sonoridade da banda, na qual arranjos orquestrais grandiosos, guitarras pesadas e vocais marcantes criam uma atmosfera capaz de transportar o ouvinte para diferentes épocas e cenários, aproximando a experiência musical de uma trilha sonora cinematográfica.

Mais do que utilizar elementos ligados ao ocultismo, a Soulwitch desenvolve uma narrativa conceitual baseada no hermetismo, na alquimia e na espiritualidade como ferramentas de reflexão sobre o ser humano. Em vez do sensacionalismo, a banda propõe uma leitura artística desses símbolos, transformando cada música em um convite ao autoconhecimento.

O protagonismo de Maria Sliviany também reforça essa proposta. Sua presença cênica tornou-se um símbolo de força, liberdade criativa e empoderamento feminino dentro da cena nacional, refletindo o conceito central da Soulwitch: transformar experiências humanas em arte capaz de provocar reflexão, emoção e identificação.

Com Principium consolidado como um dos trabalhos conceituais mais expressivos do metal sinfônico brasileiro contemporâneo e novos projetos já em desenvolvimento, a Soulwitch segue expandindo seu universo criativo e reafirmando uma identidade que vai muito além das influências europeias que moldaram o gênero. Ao unir teatralidade, ocultismo, excelência musical e uma narrativa visual cuidadosamente construída, a banda consolida uma assinatura artística própria e demonstra que o Symphonic Metal brasileiro possui personalidade, profundidade e potencial para conquistar cada vez mais espaço dentro e fora do país.

SOULWITCH NAS REDES: @SoulwitchOfficial​

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