Drenna reúne cinco mulheres em “Levante”, manifesto feminista com rock visceral

Em um dos trechos mais simbólicos, a música afirma: “Mas queimaram as bruxas

Drenna reúne cinco mulheres em “Levante”, manifesto feminista com rock visceral
Drenna reúne cinco mulheres em “Levante”, manifesto feminista com rock visceral (Foto: Reprodução)

No dia 14 de agosto, Drenna lança “Levante”, quarto single de seu próximo álbum, “Interregno - o mundo depois da certeza”. A faixa chega como um manifesto feminista em forma de rock visceral, guitarras densas e refrão que funciona como convocação. Reunindo Drenna, Dani Buarque, da banda The Mönic, Ada Bellatrix, da banda FLOR ET, MC Taya e Yasmin Amaral, da banda Eskröta, a música propõe um encontro coletivo sobre resistência, memória e presença feminina na sociedade.

Mais do que uma soma de participações, “Levante” coloca cinco artistas com identidades, trajetórias e discursos próprios cantando em torno de um mesmo propósito: lembrar o quanto as mulheres já enfrentaram, celebrar o que foi conquistado e afirmar, em alto volume, que essa presença não será mais silenciada.

A letra percorre diferentes camadas da experiência feminina, passando por temas como silenciamento, liberdade, apagamento histórico e resistência. Em vez de apenas denunciar, a canção transforma essas vivências em força coletiva, construindo uma narrativa que celebra conquistas e reafirma o lugar das mulheres na sociedade.

Em um dos trechos mais simbólicos, a música afirma: “Mas queimaram as bruxas porque tinham medo do sagrado.” A frase sintetiza uma das ideias centrais de “Levante”: transformar a dor histórica em presença, memória e enfrentamento. A canção olha para o passado sem permanecer nele, reconhece as marcas deixadas por estruturas de opressão e aponta para o futuro como território de disputa, conquista e permanência.

O refrão amplia esse chamado coletivo: “Pelo que fomos, pelo que podemos ser / Pelo que falta e o que está por nascer / Pelo que vem, nos erguemos gigantes / Levantem o punho e brindem ao Levante.” Não se trata apenas de uma música sobre resistência, mas de uma celebração de quem segue de pé, abrindo caminho e ocupando espaços antes negados.

A origem da faixa também carrega uma história de encontro e expansão. “Levante” nasceu depois que Márcia Melo, produtora cultural e amiga de Drenna no Rio de Janeiro, comentou que sentia falta de uma música da artista que levantasse diretamente a bandeira do feminismo. Embora Drenna já tivesse abordado questões ligadas ao tema em seu primeiro álbum, “Desconectar”, a provocação abriu espaço para uma composição em que essa mensagem aparecesse de forma mais frontal. A ideia ficou ecoando até um encontro em São Paulo com Yasmin Amaral, da Eskröta, quando surgiu o convite para uma parceria.

O que inicialmente seria uma música cantada por duas vozes cresceu naturalmente. Ao perceber que a composição pedia um coro maior, Drenna convidou outras artistas que também carregam discursos afiados, presença ativa na cena e trajetórias atravessadas pela resistência. Assim, a faixa se transformou em um encontro de vozes femininas potentes, cada uma trazendo sua própria linguagem para o manifesto.

Musicalmente, “Levante” nasceu a partir da letra. Drenna escreveu primeiro o texto da canção e, só depois, levou a composição para o estúdio com a banda, buscando experimentar caminhos que transformassem aquela mensagem em som. A faixa foi ganhando corpo com guitarras distorcidas, uma sonoridade densa e arranjos construídos para sustentar a força do tema.

Segundo Drenna, esse processo também abriu espaço para uma linha vocal diferente do que costuma explorar em suas músicas. A interpretação foi pensada para colocar a mensagem em primeiro plano, fazendo com que a letra conduzisse a construção da faixa e desse presença aos momentos de maior intensidade vocal.

Os arranjos foram desenhados pela banda, com participação ativa de Jorge Guerreiro, e reforçam a sensação de marcha presente no andamento. No refrão, essa construção se expande como um coro coletivo, enquanto as quebras de dinâmica dão respiro à música e ampliam a força das vozes reunidas. O resultado transforma “Levante” em uma experiência de corpo, palco e punho erguido.

Com composição assinada por Drenna, a faixa tem produção de Jorge Guerreiro e Drenna. A gravação e a mixagem são de Jorge Guerreiro, no Melhor do Mundo Studios, e a masterização é assinada por Alan Douches, no West West Side Music. “Levante” conta com os músicos Drenna, Milton Rock e Bruno Moraes e será lançada pelo selo/distribuidora Marã Música, via ONErpm.

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