Acampada de Lisboa decide voltar a acampar no sábado no Rossio
O movimento Acampada de Lisboa decidiu hoje, pelas 22:20, em assembleia popular no Bairro do Condado, voltar a acampar no sábado na Praça do Rossio e fazer "conchinha massiva" no aeroporto de Lisboa, em data a definir.
A proposta de voltar a montar as tendas no Rossio, no sábado às 19:00, foi aprovada por unanimidade, entre a cerca de uma centena de manifestantes reunidos em assembleia popular, que terminou com um minuto de silêncio em conchinha pelo direito à habitação.
Já a ideia de fazer "conchinha massiva" no aeroporto de Lisboa, em data a definir, para contestar o impacto do turismo na cidade, foi aprovada com 56 a favor.
Também por maioria, a assembleia popular decidiu incluir nas reivindicações da Acampada de Lisboa a garantia de habitação pública do Estado para que não seja vendida, a dissolução da empresa municipal Gebalis para que a gestão da habitação passe a ser assegurada diretamente pela Câmara de Lisboa, e a canalização de dinheiro da Defesa para Habitação pública no Orçamento do Estado para 2027.
Outras das propostas aprovadas, após mais de duas horas de intervenções no microfone aberto, na assembleia concentrada no campo desportivo do Bairro do Condado, são para fazer turnos de acordo com a disponibilidade das pessoas acampadas e para discutir decisões organizativas a partir de domingo, sendo que no sábado apenas se deverão debater questões sobre a ação desse mesmo dia.
Os manifestantes alertaram para o sentimento de "medo de fazer a acampada", tendo como preocupação a "violência policial".
Sob o olhar atento de vários elementos policias, a assembleia popular de hoje decorreu de forma pacífica, tendo terminado com a atuação musical do rapper Rato Chinês, um artista do bairro de Chelas, que animou os manifestantes, sendo que, com o passar das horas e o aumento da sensação de frio, muitos desmobilizaram.
"Esta luta é feita com o calor humano", afirmou o rapper Rato Chinês.
Na quinta-feira à noite, a Acampada de Lisboa pela habitação, que se tem concentrado desde sábado na praça do Rossio, decidiu deslocar-se esta sexta-feira para Marvila para participar na vigília contra o despejo de uma jovem mãe viúva, com dois filhos menores de 2 e 4 anos, de uma casa municipal.
A jovem viúva que foi despejada tem dois filhos menores, com 4 e 2 anos, vivia numa habitação municipal no Bairro do Condado, em Marvila, pagava as rendas e procurou regularizar o contrato de arrendamento, na sequência da morte dos dois titulares, o companheiro e pai das crianças e a avó deste, que morreram em 2024.
O movimento Acampada de Lisboa promove no sábado uma manifestação contra a especulação e pelo direito à habitação, que sairá do Marquês de Pombal pelas 15:00 rumo à praça do Rossio.
A manifestação "Não temos casa, montamos tendas!" partirá da rotunda do Marquês de Pombal e terminará na Praça do Rossio, onde, desde o passado sábado, centenas de pessoas têm-se juntado todos os dias a exigir medidas para resolver a crise da habitação.
Nas exigências concretas ao Governo, a Acampada de Lisboa pretende a reversão da lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional e que seja travada a aquisição de habitação por parte de fundos imobiliários.
Além disso, é ainda exigido o aumento de habitação pública, a aplicação de tetos às rendas - verdadeiramente acessíveis, além da iniciativa pública de recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais.
Entre manifestações e as denominadas acampadas, com centenas ou milhares de manifestantes, os atuais protestos contra a crise na habitação tiveram início no Porto a 10 de outubro e expandiram-se a Lisboa, mas já motivaram também concentrações noutras cidades, dias depois da aprovação parlamentar da nova lei do arrendamento, agora em discussão na especialidade.
As iniciativas, promovidas por movimentos cívicos e difundidas pelas redes sociais, reivindicam medidas que respondam à crise no setor, o controlo dos preços dos bens essenciais e dos combustíveis e defendem impostos sobre os lucros extraordinários das grandes empresas do setor bancário.
A 15 de outubro, o movimento que protestava no Porto, com uma acampada, denunciou uma carga policial violenta durante a madrugada que causou ferimentos em 39 dos participantes, dois dos quais ficaram em estado grave, e num polícia. Em Lisboa, as autoridades removeram dezenas de tendas do Rossio ao início da manhã de terça-feira e detiveram 55 manifestantes, que serão presentes a juiz dia 27.
Os promotores dos protestos prometem continuar nas ruas.
[Notícia atualizada às 23h32]
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