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Acampada de Lisboa diz que se mantêm fundamentos para a luta

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Minuto Fonte Externa
3 de novembro de 2026 • 4 min de leitura
Acampada de Lisboa diz que se mantêm fundamentos para a luta

O movimento da Acampada de Lisboa disse hoje que o anúncio de Luís Montenegro de que vai ouvir propostas dos partidos sobre habitação não responde às suas reivindicações, adiantando que vão continuar a lutar.

 

"Hoje, não ouvimos da voz do primeiro-ministro nenhuma razão para a desmobilização. Portanto, vamos continuar nesta luta e vamos continuar nesta luta aqui, nesta praça, que estamos a ocupar há mais de duas semanas, que é já um espaço construído de luta, de solidariedade, de apoio entre todas as pessoas", disse Teresa Mamede, uma porta-voz do movimento.

A ativista falava na Praça D. Pedro IV, após o anúncio de Luís Montenegro de que vai ouvir os principais partidos no parlamento sobre as suas propostas relacionadas com a habitação,

O primeiro-ministro, segundo Teresa Mamede, disse que "a construção de casas não se faz de um dia para o outro", mas para o movimento não é preciso "mais construção" e "mais borlas fiscais para os senhorios e para os especuladores imobiliários" ou outras "medidas vazias".

"O que pode resolver a crise da habitação é, em primeiro lugar, que a nova lei do arrendamento caia imediatamente e, além disso, precisamos que parem os despejos e as demolições, precisamos de controlos de renda efetivos, precisamos do fim dos benefícios à especulação imobiliária", contrapôs.

Por outro lado, em relação à disponibilidade para dialogar, a porta-voz salientou que estão "há muitos dias" disponíveis "para dialogar" e que estão "a dialogar com a população que os queira ouvir e que se reveja nas suas reivindicações"

"Sabemos perfeitamente que este discurso do incentivo à construção, por exemplo, não é uma solução. Portugal é o país da OCDE que tem mais casas por habitante. Aquilo que nós precisamos é que as casas cumpram a sua função social, é que as mais de 700 mil casas vazias sejam postas ao serviço das pessoas", advogou.

Para Teresa Mamede, outra solução passa por que "as casas usadas para o negócio turístico, as casas usadas no alojamento local, sejam para as pessoas que habitam em Portugal" e "não que sejam usadas como uma forma de especulação imobiliária, de negócio, de exploração brutal, de uma coisa que é uma necessidade básica".

Sobre o receio de importação de protestos violentos que ocorrem noutros países, de que o primeiro-ministro também falou na sua comunicação, a porta-voz considerou que "a única violência destas últimas semanas foi do Estado, que carregou sobre manifestantes pacíficos".

"Se há aqui alguma importação, de facto é uma importação da parte do Governo, por exemplo, da violência que o Estado francês também está a usar contra os manifestantes", apontou, acrescentando que não há razão para continuar com o "discurso da violência do protesto, não há qualquer importação de protestos".

"Estamos a fazer um protesto justo pela habitação, que devia ser um direito de todas as pessoas e é uma luta absolutamente justa aquela que está a ser feita aqui", proclamou.

A PSP voltou a dispersar, na madrugada de domingo, as acampadas pelo direito à habitação no Rossio, em Lisboa, e na Praça D. João I, no Porto, retirando cerca de 100 tendas. A intervenção culminou em cargas policiais e arremesso de objetos, provocando mais de duas dezenas de feridos entre manifestantes e polícias.

Nos acampamentos, os manifestantes exigem a reversão da nova lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, um travão à aquisição de habitação por fundos imobiliários, o aumento da habitação pública, a recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais e tetos "verdadeiramente acessíveis" à renda.

[Notícia atualizada às 21h52]

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A Assembleia Municipal de Lisboa aprovou um voto de saudação à atuação da polícia na Acampada pela Habitação, rejeitando o repúdio proposto pelo PAN a orientações políticas que levaram a uma resposta desproporcionada das forças policiais.

Lusa | 21:19 - 03/11/2026

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