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Acampada de Lisboa: Jantar, filme e assembleia popular no Rossio

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Minuto Fonte Externa
5 de novembro de 2026 • 4 min de leitura
Acampada de Lisboa: Jantar, filme e assembleia popular no Rossio

Pelas 20h00, a uma hora de começar mais uma assembleia popular, as atenções das centenas de participantes dividiam-se entre o documentário projetado numa tela e a fila para a cantina da Acampada de Lisboa, no Rossio.

 

Enquanto aguardava na fila para pedir uma sopa e uma fatia de pão para o jantar, Iara Sobral, que se assume como uma participante empenhada no protesto na capital, comentou que ainda era cedo para avaliar se estavam muitos ou poucos manifestantes.

Iara tinha acabado de chegar, porque, tal como muitos participantes, só depois do trabalho consegue estar presente.

A professora de História, de 22 anos, no seu primeiro ano a ensinar, em Loures, onde começa as aulas pelas 08:00, tem tentado estar presente todos os dias, reconhecendo que "gerir a vida fica ainda mais impossível".

"Professores aqui existem aos montes", disse a jovem professora à Lusa, ao lado da fila que ia crescendo para a cantina e de um grupo de participantes que ia pintando faixas para a manifestação pela habitação marcada para dia 14.

No Rossio, Iara Sobral já encontrou colegas suas da escola onde dá aulas, mais velhas, até com filhas da sua idade, mas ainda sem a vida estabilizada e com filhos emigrados, uma opção que não exclui para si.

"Estamos aqui todos para o mesmo", disse.

Iara, que aluga um quarto em Alcântara, tem acampado quando pode, devido ao horário de trabalho, o que faz com que praticamente só passe a noite ao fim de semana.

Esteve na carga policial do último sábado e depois de se assegurar que a filha estava bem, a mãe de Iara disse-lhe algo que nunca esperou ouvir.

"A minha mãe ligou-me e disse que estava orgulhosa de mim, o que era impensável. As pessoas sentem-se parte de um todo, estão muito menos divididas", disse sobre o sentimento de união e causa comum que tem marcado os protestos.

Ainda sem saber exatamente o que vai ser votado na assembleia popular de hoje, Iara Sobral disse que mesmo que se decida desmobilizar ou não acampar, "a luta não arrefece".

"O objetivo nunca foi o Rossio, o Rossio é uma plataforma para chegar às pessoas, falar com elas"

"O objetivo é as pessoas saberem que isto [a crise na habitação] não é inevitável, que é possível ter tetos às rendas, que até um Nobel da Economia, Paul Krugman, concorda com isso", disse a manifestante.

Até perto da hora de início da assembleia popular estiveram a ser projetados numa tela gigante montada junto à estátua de D. Pedro IV filmes documentais sobre a habitação, entre os quais "Sua Terra, Nossa Casa", sobre o bairro de lata de Santa Filomena, na Amadora, e os seus residentes.

Catarina Carvalho, uma das autoras da curtametragem documental marcou presença e falou sobre o filme aos manifestantes.

Mesmo ao lado da tela, uma banca aceitava doações, onde hoje já alguém tinha ido deixar vários frasquinhos de vidro, com imagens de santos, e cheios de água benta, segundo a informação deixada.

Uma jovem que tomava conta da banca não soube dizer se alguém há tinha manifestado interesse nos frascos, disponíveis para quem os quiser levar.

Sem polícia presente nas imediações da praça do Rossio, alguns automobilistas iam arriscando umas buzinadelas tímidas de apoio à acampada que resiste.

Os atuais protestos contra a crise na habitação tiveram início no Porto a 10 de outubro e expandiram-se a Lisboa, mas já motivaram também concentrações noutras cidades.

A intervenção da PSP para dispersar as acampadas e retirar as tendas no Rossio, em Lisboa, e na Praça D. João I, no Porto, culminou em cargas policiais e arremesso de objetos, provocando mais de duas dezenas de feridos entre manifestantes e polícias.

Os manifestantes exigem, entre outras coisas, a reversão da nova lei do arrendamento, um travão à aquisição de habitação por parte dos fundos imobiliários e tetos "verdadeiramente acessíveis" à renda.

Renata Cambra responde a Moedas: "A Câmara começou pelo fim"

Renata Cambra remeteu a decisão sobre a proposta de relocalização apresentada pela Câmara Municipal de Lisboa (CML) para a assembleia popular da acampada, mas reforçou que a coexistência do protesto e do Mercado de Natal no Rossio deveria de ser assegurada pela autarquia.

Daniela Filipe | 21:02 - 05/11/2026

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