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Acampada de Lisboa: Polícia e manifestantes contam versões diferentes

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Minuto Fonte Externa
20 de outubro de 2026 • 5 min de leitura
Acampada de Lisboa: Polícia e manifestantes contam versões diferentes

A Acampada de Lisboa disse hoje que a resistência "à carga policial" de quem pernoitava no Rossio foi feita de forma "absolutamente pacífica", sem provocação aos polícias, enquanto a PSP garante ter atuado de forma "calma, proporcional e adequada".

 

Em comunicado publicado na sua pagina da rede social Instagram, a Acampada de Lisboa revela que por volta das 05:45, "enquanto a maioria das pessoas dormia, o corpo de intervenção da PSP apareceu no local onde estava, desde sábado, a decorrer uma acampada para exigir soluções para a crise da habitação".

Segundo o relato sobre a repressão policial, "em menos de 15 minutos, e, ao contrário do que aconteceu simultaneamente no Porto, não dando sequer tempo aos presentes para recolherem os seus pertences, a polícia começou a reprimir aqueles que têm lutado por esta causa tão justa".

O relato prossegue referindo que as pessoas que lá estavam "reivindicando os seus direitos e formavam um cordão humano", foram empurradas "violentamente", fazendo-as cair por cima das tendas, com a polícia a deter "arbitrariamente dezenas de pessoas que se encontravam no local".

"A resistência à carga policial, por parte de quem pernoitava pelo direito à habitação, foi feita de forma absolutamente pacífica, sem registo de qualquer provocação por parte dos que pernoitavam, que, para que não restassem dúvidas, gritaram repetidamente à polícia 'pacíficos', enquanto eram reprimidos", lê-se na publicação.

A versão das autoridades, porém, é diferente, com o porta-voz da Polícia de Segurança Pública (PSP), Sérgio Soares, em conferência de imprensa, a dar conta aos jornalistas de que as forças de segurança atuaram de forma "calma, proporcional e adequada".

"Foi uma intervenção calma, adequada, proporcional e (…), ao contrário do que já ouvi, não houve qualquer carga policial, não houve uso de bastão policial. Eu acho que as vossas imagens [dos órgãos de comunicação social] são claras", disse Sérgio Soares.

O responsável adiantou ter havido resistência, "quer passiva, quer ativa", e, tendo em conta uma desobediência à ordem legal de abandono daquele local dada pela PSP, "foi exercida alguma coerção, alguma força".

Quanto à existência de dois feridos entre os participantes na acampada, Sérgio Soares admitiu que "foram em resultado do exercício da coerção da força por parte da PSP", frisando tratarem-se de dois feridos ligeiros, encontrando-se um deles no grupo de 55 manifestantes detidos.

Questionado sobre a intenção da Acampada de Lisboa organizar nova assembleia popular no Rossio pelas 19:00 e se já havia parecer das autoridades, Sérgio Soares disse desconhecer no momento se já houve pedido à autoridade administrativa, que no caso é a Câmara Municipal, garantindo que, depois da comunicação, a PSP fará o seu trabalho "em articulação com a autarquia".

Na mensagem no Instagram, a Acampada de Lisboa refere ainda que, além das tendas e dos pertences individuais dos manifestantes, foi também apreendida pelas forças de segurança a comida "que durante os últimos dias tinha sido doada por pessoas solidárias com o movimento", assim como "materiais que foram sendo disponibilizados solidariamente por vários cidadãos".

Quanto às detenções, a Acampada considera que "foram feitas de forma arbitrária, visto que nenhum dos civis presentes fez qualquer tipo de provocação à polícia, e, apesar da resistência pacífica, os detidos foram algemados".

Segundo o 'post', os detidos foram levados para as esquadras na Rua da Palma e Campolide, onde algumas pessoas também se juntaram numa vigília em solidariedade e apelando à sua libertação.

"Perante a repressão, os presentes reafirmaram a decisão, já tomada em assembleia popular, de regressar hoje, às 19:00, ao Rossio, para protestar pelo direito à habitação, mantendo a convocatória para reunir todos os dias nessa hora e local até obterem respostas às suas reivindicações. Assim, apelam a toda a sociedade civil que se revê nesta justa luta, para se juntar hoje às 19:00 no Rossio", lê-se ainda.

Sobre os bens apreendidos, Sérgio Soares esclareceu que "todo e qualquer manifestante que queira reclamar" algum desses pertences se pode deslocar à Polícia Municipal de Lisboa e efetuar essa solicitação.

A PSP deteve hoje 55 manifestantes que alegadamente resistiram quando a força de segurança retirou as tendas da Acampada de Lisboa que se encontrava na Praça D. Pedro IV (Rossio).

Em comunicado, a PSP refere que as 55 pessoas detidas por desobediência foram "conduzidas para instalações policiais e [vão ser] presentes à Autoridade Judiciária competente logo que possível".

A Acampada de Lisboa, que começou no sábado, com o lema "Não dá mais? Então monta a tua tenda!", tinha decidido de madrugada de hoje manter o protesto contra as condições de vida e a crise na habitação, apesar de a polícia ter "solicitado a saída para evitar uma retirada coerciva".

Já o grupo que tem estado em protesto desde o dia 10 na Praça D. João I, no Porto, em vários destes dias também com tendas, pela falta de habitação a preços acessíveis, decidiu esta madrugada desmontar o acampamento perante a ameaça de intervenção policial.

Habitação? "Temos feito muito para responder ao desafio", diz o Governo

O Governo publicou um post no Instagram destacando as medidas que diz ter implementado para combater a crise da habitação, num momento em que o país vive vários protestos pelo setor.

Notícias ao Minuto com Lusa | 10:59 - 20/10/2026

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