Acampada em Lisboa quer derrubar nova lei do arrendamento
O movimento da acampada em Lisboa quer continuar a lutar contra a crise da habitação e fazer cair a nova lei do arrendamento, por aumentar a precarização de inquilinos e dificultar a vida dos jovens à procura de casa.
"Estamos aqui fortes e com a ambição de continuar a nossa acampada. Até o Governo nos ouvir, até tomar efetivamente medidas que combatam a crise da habitação e não que coloque uma nova lei do arrendamento, que na verdade vem precarizar e dificultar ainda mais o acesso à habitação", afirmou João Veloso.
Em declarações à Lusa, após a assembleia popular que decorreu no domingo ao final da tarde na praça D. Pedro IV, no Rossio, o coorganizador da acampada admitiu existir uma articulação com o movimento do Porto, pois têm "pessoas em comum que estão" em Lisboa e que "já estiveram na acampada do Porto".
Em relação à possibilidade de uma greve geral, à semelhança das que ditaram o abandono do pacote laboral, Veloso considerou "muito importante esse apelo às centrais sindicais para uma greve geral ibérica para combater a crise da habitação" e "o custo de vida".
"O que nos move, é nós vermos que trabalhamos e que chegamos ao final do mês a zeros ou a negativo, não é? E isso tem como base, um, salários baixos, dois, custos de habitação altíssimos. Então, tudo isso é uma base já bastante sólida do nosso movimento", explicou.
Embora acredite que a polícia irá querer desmobilizar o protesto, notou que as pessoas "estão mobilizadas e estão dispostas a proteger a acampada", e alertou que "se calhar também o Governo tem a noção que não quer escalar" a contestação, como aconteceu com a carga policial no Porto.
"Acho que foi uma grande demonstração de resistência e que, na verdade, já não acontecia uma acampada destas há 15 anos em Portugal", salientou, em relação aos milhares de pessoas que compareceram no sábado para apoiar o movimento.
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