África do Sul lamenta novas exigências dos EUA nas negociações comerciais
A África do Sul lamentou hoje as novas exigências apresentadas pelos EUA nas negociações comerciais, apesar das concessões de Pretória após Washington ter anunciado a exclusão do país do seu programa africano de comércio isento de tarifas aduaneiras.
"É lamentável que os Estados Unidos levantem agora novas questões que não serviram de base para as discussões no âmbito do processo de negociação iniciado em 2025", lamentou o ministro do Comércio da África do Sul, Parks Tau.
O representante da Casa Branca para o Comércio (USTR), Jamieson Greer, tinha anunciado hoje a intenção de Washington de excluir a África do Sul e o Ruanda da Lei de Crescimento e Oportunidades para África (AGOA).
Em causa estão, de acordo com a agência de notícias France-Presse (AFP) questões relacionadas com barreiras aduaneiras e o investimento, o Estado de direito e o pluralismo político, anunciou o USTR, apontando a corrupção e as ameaças à segurança nacional dos EUA ou aos seus interesses em termos de política externa no que diz respeito à África do Sul.
A AGOA é um acordo que permite que muitos produtos africanos tenham acesso ao mercado norte-americano isentos de direitos aduaneiros, e é especialmente importante para a África do Sul, a economia mais industrializada da África subsaariana.
A África do Sul tinha manifestado, na quinta-feira, a esperança de que Washington tomasse uma decisão favorável quanto à sua permanência no acordo comercial entre os Estados Unidos e o continente africano, o que acabou por não se verificar.
Há meses que este país da África Austral está na mira do governo liderado por Donald Trump, que lhe imputa uma alegada perseguição aos afrikaners, os descendentes dos colonos brancos europeus, desde o seu regresso ao poder, e sofreu também uma restrição na concessão de vistos de entrada nos Estados Unidos.
Os Estados Unidos continuam a ser um parceiro importa para a África do Sul, com mais de 600 empresas norte-americanas a operar no país, onde sustentam cerca de 134.600 postos de trabalho.
Os setores automóvel e agrícola (nomeadamente os citrinos) são particularmente afetados pelo AGOA, escreve a AFP, notando que, em 2025, a organização patronal do setor automóvel sul-africano, a Naamsa, estimava em 86 mil o número de postos de trabalho diretamente ligados ao AGOA no setor automóvel e em 125 mil se se incluírem os fornecedores.
EUA excluem África do Sul e Ruanda de acordo comercial em 2027O representante da Casa Branca para o Comércio (USTR), Jamieson Greer, anunciou hoje a intenção de Washington de excluir a África do Sul e o Ruanda da Lei de Crescimento e Oportunidades para África (AGOA).
Lusa | 22:33 - 02/11/2026Conteúdo importado automaticamente via RSS de Minuto.
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