AIEA insta Teerão a cooperar e "esclarecer questões" sobre nuclear
O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), Rafael Grossi, instou hoje o Irão a cooperar com o organismo "sem mais demoras", para "esclarecer as questões pendentes" sobre o cumprimento das obrigações de Teerão no domínio nuclear.
Rafael Grossi instou Teerão, perante o Conselho de Segurança da ONU, a fornecer à agência "as informações e o acesso de que necessita, para que possa verificar todas as instalações e materiais em causa, como exige a obrigação legal do Irão".
A AIEA não tem tido acesso a instalações nucleares fundamentais no país desde que Israel e os Estados Unidos realizaram, em junho de 2025, ataques contra determinados locais.
As instalações também foram atingidas durante a guerra deflagrada em 28 de fevereiro, tendo a agência solicitado o acesso às mesmas em diversas ocasiões.
Persistem dúvidas sobre a situação das reservas de urânio altamente enriquecido da República Islâmica.
Antes dos ataques de junho de 2025, a AIEA tinha calculado que o Irão possuía cerca de 440 quilogramas de urânio enriquecido a 60%.
O país sempre negou a intenção de desenvolver a bomba atómica, mantendo-se, no entanto, inflexível quanto ao seu direito de dispor de um ciclo nuclear civil completo.
O representante iraniano na ONU, Amir Saeid Iravani, denunciou hoje o silêncio do Conselho de Segurança sobre os ataques americano-israelitas contra o seu país.
"A reunião de hoje ilustra um duplo padrão bem estabelecido, segundo o qual o agressor goza de impunidade, a vítima torna-se alvo de críticas e a retórica da não proliferação é cinicamente apropriada para servir objetivos geopolíticos", vincou.
A reunião do Conselho de Segurança, realizada por iniciativa da França, Grã-Bretanha, Estados Unidos, Dinamarca, Letónia e Bahrein, segue-se a uma resolução do conselho governadores da AIEA, adotada em setembro.
Apresentada pelos países ocidentais, a resolução solicitava ao diretor-geral da agência que informasse o Conselho de Segurança e a Assembleia Geral das Nações Unidas sobre a situação.
Segundo fonte próxima da AIEA, um procedimento deste tipo não ocorria há 20 anos.
O texto observava, "com profunda preocupação", a persistente falta de conformidade do Irão com as suas obrigações.
A China e a Rússia opuseram-se à realização desta reunião.
Ambos os países contestam o restabelecimento das sanções da ONU contra o Irão em setembro de 2025, após o fracasso das negociações com os países ocidentais sobre o seu programa nuclear, bem como o facto de o conselho continuar a tratar do assunto.
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