Álbum com obras de Carlos Seixas é lançado no Museu da Música
O álbum "Bússola Barroca", com sonatas de Carlos Seixas, inéditas em disco, e "Il Ritorno", de António Pinho Vargas, é lançado hoje, no âmbito da parceria entre as fundações Gaudium Magnum e Turchini e o Museu Nacional da Música.
Gravado há um ano pela cravista francesa Béatrice Martin, no cravo Joaquim José Antunes construído em Lisboa em 1758 - um dos tesouros nacionais da coleção do Museu Nacional da Música (MNM) -, o álbum surge nos formatos CD e vinil, com o 'selo' Turchini Records.
"Bússola Barroca" reúne oito sonatas para cravo do compositor barroco português e uma peça contemporânea, em quatro andamentos, também composta para cravo, de António Pinho Vargas, constituindo a primeira gravação dedicada à preservação dos "tesouros nacionais" da coleção do MNM, no âmbito deste projeto.
A intérprete, Béatrice Martin, que foi discípula dos cravistas Kenneth Gilbert e Christophe Rousset, é professora na Juilliard School, em Nova Iorque, na Haute École de Musique de Genebra e no Conservatoire de Paris.
Vencedora do 1.º prémio do Concurso de Cravo de Bruges, em 1998, responsável por ciclos completos de obras de François Couperin, Jean-Philippe Rameau e Johann Sebastian Bach, Martin trabalhou com músicos como Ton Koopman e Lars Ulrik Mortensen, e com orquestras e outras formações de época como Les Talens Lyriques, Le Concert Spirituel, Ricercar, Il Seminario Musicale e Les Arts Florissants de William Christie.
Em 2000, fez parte dos músicos que atuaram na primeira edição da Festa da Música do Centro Cultural de Belém, em Lisboa (2000-2006). O nome da cravista é recorrente em festivais como os de Ambronnay, La Roque d'Anthéron e Aix-en-Provence, assim como nas Folles Journées de Nantes.
O projeto de resgate do património musical português em que este álbum está inserido visa apoiar a investigação, recuperação e divulgação de obras há muito esquecidas em arquivos, assim como a sua preservação através de gravações inéditas, "trazendo à luz um repertório que reflete as influências internacionais em Portugal, durante o período barroco", como a Fundação Gaudium Magnum afirmou, em outubro do ano passado, quando da apresentação do projeto.
"Bússola Barroca" resulta da colaboração entre esta fundação portuguesa, o MNM e a Fondazione Pietà de' Turchini, de Nápoles, detentora da discográfica Turchini Records, centrada na edição de música das escolas napolitana e europeias, em articulação com a criação e produção musical contemporânea.
O lançamento de "Bússola Barroca", também disponível em formato digital desde junho, coincide com a data de nascimento do rei João V (22 de outubro), impulsionador da Capela Real, que transformou Lisboa num centro musical e artístico da Europa barroca, e ordenou a construção do palácio de Mafra, onde se situa o MNM.
A sessão de lançamento realiza-se hoje à tarde, a partir das 16:00, no MNM, em Mafra, no âmbito do programa "Quando o rei faz anos".
Maria Cortez de Lobão, copresidente da Fundação Gaudium Magnum que lidera o projeto, citada pelo comunicado hoje divulgado, afirma que "Bússola Barroca" traduz a essência do trabalho da instituição, uma vez que, "recuperar e gravar este repertório é uma forma de o trazer para o presente e de permitir que possa chegar a novos públicos", abrindo "novas possibilidades para o estudo, a preservação e a divulgação do património cultural" português.
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