Alemanha quer restringir vistos a atletas russos após decisão do TAD
O Governo alemão criticou hoje a decisão do Tribunal Arbitral do Desporto (TAD) de permitir o regresso da Rússia às competições internacionais e pediu restrições em matéria de emissão de vistos para atletas russos.
Numa conferência de imprensa de rotina, o porta-voz do governo alemão, Stefan Kornelius, recordou que, desde o início da guerra de agressão russa contra a Ucrânia, o executivo alemão defende, no seio do grupo de Estados-Membros do Espaço Schengen, "uma política de vistos uniformemente restritiva em relação à Rússia".
Em causa está também a possibilidade de participação da Rússia no Mundial de hóquei no gelo, que se disputará na Alemanha em 2027.
Kornelius adiantou que o Governo reafirmou esta posição precisamente na sequência da tentativa falhada de ataque com um drone carregado de explosivos contra um avião ucraniano no aeroporto de Leipzig, em agosto, atribuída à Rússia, e que "estas diretrizes serão mantidas também na hora de tomar uma decisão" no que diz respeito ao caso desportivo.
Ao mesmo tempo, afirmou que o Governo alemão encara "com grande ceticismo" a decisão do TAD e recordou que tanto a Federação Alemã de Hóquei no Gelo (DEB, na sigla em alemão) como a federação internacional anunciaram que irão analisar minuciosamente o acórdão e a sua fundamentação.
O porta-voz acrescentou que o Governo irá debater em breve com a federação alemã as possíveis consequências, nomeadamente para o Mundial de hóquei no gelo de 2027.
"A nossa posição não mudou. Rejeitamos o regresso das seleções russas aos torneios internacionais de hóquei", já tinha afirmado na sexta-feira o presidente da DEB, Frank H. Lutz, num comunicado, no qual criticou duramente a decisão do tribunal.
Acrescentou que a presença russa alteraria completamente a situação do Mundial de 2027, tanto a nível político e económico como no que diz respeito a questões de segurança.
O ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andrii Sybiha, afirmou no domingo que, ao permitir o regresso do hóquei russo, o TAD "está a manchar o gelo com sangue ucraniano", qualificou de inaceitável esta "decisão vergonhosa" e exigiu que fosse revogada.
"Apelo também aos governos que não perderam o seu sentido moral para que recusem a entrada de jogadores russos no seu território", acrescentou numa publicação nas redes sociais, e instou a comunidade desportiva internacional e todos os parceiros da Ucrânia a adotarem uma posição firme contra a readmissão da Rússia na competição internacional.
No início de julho, o Comité Olímpico Internacional também flexibilizou as restrições impostas aos atletas russos, abrindo caminho para a sua participação nas qualificações para os Jogos Olímpicos de Los Angeles de 2028.
Essa decisão foi amplamente contestada tanto por Kiev como pela União Europeia.
Tradicionalmente um dos países com maior peso olímpico, a Rússia está, desde 2016, privada das suas cores na arena olímpica, primeiro devido ao escândalo de 'doping' orquestrado pelo Estado, que lhe valeu competir sob a bandeira olímpica (2018) e depois sob a do Comité Olímpico Russo (ROC) (2021 e 2022).
Quatro dias após o encerramento dos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim, em fevereiro de 2022, o exército russo invadiu a Ucrânia, desencadeando uma série de sanções desportivas que se juntaram à indignação da comunidade internacional.
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Lusa | 20:35 - 02/11/2026Conteúdo importado automaticamente via RSS de Minuto.
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