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"Ameaça direta" ou não? O "tijolo" da discórdia e o pedido de "rijeza"

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Minuto Fonte Externa
17 de outubro de 2026 • 6 min de leitura
"Ameaça direta" ou não? O "tijolo" da discórdia e o pedido de "rijeza"

Luís Montenegro denunciou ontem, sexta-feira, 16 de outubro, o facto de um alegado manifestante pelo direito à habitação, no Porto, ter feito "ameaças diretas" à casa do primeiro-ministro e ter apelado à "violência".

 

O chefe do Governo disse que as imagens que viu da manifestação de quarta-feira - durante a qual uma ação musculada da PSP fez mais de 30 feridos - são "preocupantes" e que iria ainda analisar algumas, nomeadamente, "o filme de uma das passagens feitas nestas manifestações, onde entre outras coisas se faz um apelo direto à violência, onde se faz um apelo direto à importação de conflitualidade a que hoje temos assistido e que tem ocorrido noutros países. E onde até se ameaça diretamente a casa de habitação do primeiro-ministro e da sua família".

Pouco depois de ter feito estas declarações, o gabinete do primeiro-ministro divulgou à imprensa o vídeo a que se referia Luís Montenegro. No mesmo vê-se um indivíduo a afirmar numa manifestação, perante dezenas de pessoas, que é "preciso descobrir o endereço da casa do primeiro-ministro e jogar um tijolo".

"Acabou essa porra de ser pacífico. É para queimar alguma coisa, sim", ouve-se o alegado manifestante também a dizer ao grupo de pessoas que o ouvia.

"Não significa que vai doer, ao contrário das bastonadas do dia anterior"

Entretanto, os porta-vozes dos manifestantes que têm acampado no Porto, pelo direito à habitação, já vieram garantir que a ameaça "não é verdadeira", "não é séria", mas que "o primeiro-ministro precisa de ganhar um bocadinho de rijeza".

O porta-voz do movimento pela habitação em protesto há uma semana no Porto, João Silveira, negou que a ameaça que surge no vídeo divulgado por São Bento seja "verdadeira".

"Estava presente e obviamente não é uma ameaça verdadeira, ou seja, estamos de microfone aberto, qualquer pessoa pode chegar à nossa beira e inscrever-se para falar. Esta pessoa estava, de facto, chateada com toda a intervenção, com toda a violência que tinha acontecido no dia anterior, mas obviamente isso não significa que estas palavras alguma vez vão doer, ao contrário das bastonadas que levámos no dia anterior", defendeu o responsável, em declarações à SIC Notícias. 

João Silveira esclareceu ainda que a pessoa que surge no vídeo a afirmar, perante dezenas de outros manifestantes, que é "preciso descobrir o endereço da casa do primeiro-ministro e jogar um tijolo", não faz parte da organização dos protestos.

Além disso, garante que "a organização não se revê" nessas ameaças: "Como nós temos dito desde o início, somos uma organização pacífica, ordeira, calma, que está aqui para reivindicar o seu direito à habitação, a necessidade de termos mais parque habitacional público, tetos nas rendas, fim dos despejos e e regressão da lei."

"Isto não necessita de passar por ocupação de casa nenhuma, como é evidente", insistiu.

Apesar dos aplausos que se assistem no vídeo, o porta-voz do movimento pela habitação garante que "não houve nunca uma proposta em cima da mesa de começar atos radicais".

"As coisas continuam pacíficas, portanto não há nenhum motivo para isto ser levado como uma ameaça séria", assegurou ainda.

"O senhor primeiro-ministro precisa de ganhar um bocadinho de rijeza"

Por sua vez, o ativista Sérgio Bastos, também líder de um dos movimentos que se manifestam pela habitação na Invicta, revelou à TSF que o vídeo em que é referida a casa do chefe do Governo foi alvo de debate durante a assembleia popular.

No final da mesma, foi feita uma votação que ditou uma demarcação pública das palavras proferidas na gravação.

Ainda assim, Sérgio Bastos garantiu à rádio que os tijolos mencionados não são "para apedrejar ninguém", mas sim "para construir casas". E aconselha "rijeza" a Montenegro.

"As pessoas têm liberdade de expressão, o open mic é de facto open, aberto, toda a gente pode vir falar, não vamos identificar quem vier falar, o senhor primeiro-ministro precisa, se calhar, de ganhar um bocadinho de rijeza, porque com 55 casas para encontrarem com a dele não vai ser fácil", atirou.

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Notícias ao Minuto | 18:31 - 16/10/2026

O ativista denunciou ainda o facto de ser "insultado e ameaçado" todos os dias, "como se fosse um preguiçoso", quando, na verdade, trabalha desde os 16 anos.

"Não sou um preguiçoso, como mais ninguém que aqui está. Estamos a lutar pelos nossos direitos, estamos fartos de falar de tijolos, de bastonadas das que levamos. Mesmo levando-as, não queremos falar disso", afirmou, reiterando que estas manifestações são "pacíficas".

"Os tijolos, mais uma vez, são para erguer casas, senhor primeiro-ministro. Se o senhor não as quer erguer, deixe-nos a nós levantá-las", apelou.

Depois da polémica ação policial da madrugada de quinta-feira, que fez mais de 30 feridos, entre os quais uma pessoa portadora de deficiência, na noite desse dia cerca de três mil pessoas concentraram-se para manifestar pelo direito à habitação.

Na noite de sexta-feira, milhares voltaram a juntar-se aos manifestantes que acampam na Praça D. João I, em defesa do direito à habitação.

Os organizadores apelaram ao regresso no sábado ao local, com autorização camarária, durante todo o dia, em paralelo com a ação convocada para esse dia pela CGTP.

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