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Ameaças de bomba a voos e ataques a supermercados. O que se passa?

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Minuto Fonte Externa
6 de novembro de 2026 • 5 min de leitura
Ameaças de bomba a voos e ataques a supermercados. O que se passa?

No passado dia 12 de outubro, França foi surpreendida por uma notícia pouco comum: vários supermercados sofreram uma falha energética nas suas arcas frigorificas. Tratava-se de um ataque cibernético.

 

Esta semana, viria a concluir-se que os termómetros destas arcas tinham sido manipulados à distância, tendo os hackers aumentado a temperatura das mesmas.

O problema seria rapidamente resolvido ao final do mesmo dia, mas viria a pôr a nu as debilidades deste sistema. É que o acesso a esta rede — útil para os técnicos, pois poupa-lhes deslocações — tornava-a vulnerável a um ciberataque ou à alteração do seu funcionamento.

Ataques espalham-se por outros países 

Porém, não foi só a França que foi vítima de ciberataques em grande escala. O grupo de distribuição Ahold Delhaize também sofreu um ciberataque a 11 de outubro, que afetou as suas operações nos Países Baixos, na Bélgica e nos Estados Unidos.

Desta vez, o alvo não foram os frigoríficos, mas sim os seus serviços digitais, encomendas e sistemas de distribuição. Nos Países Baixos, as redes Albert Heijn, Etos e Gall & Gall sofreram interrupções nos serviços; na Bélgica, a rede teve problemas com pedidos online e sistemas internos nos dias 12 e 13 de outubro. Nos Estados Unidos, diversas marcas do grupo suspenderam os seus serviços digitais devido a preocupações com o ataque. 

Embora inicialmente tenha sido considerado um erro interno, a Ahold Delhaize confirmou em 19 de outubro, sete dias após os ataques na França, que o incidente foi causado por "atividade maliciosa".

Na segunda-feira, 2 de novembro, os supermercados franceses voltaram a enfrentar o mesmo problema: alguns dos seus congeladores foram comprometidos por ciberterroristas que elevaram as temperaturas para danificar os alimentos armazenados. Desta vez, o ataque ultrapassou fronteiras: dezenas de lojas na Suécia, Irlanda, Estónia, Bélgica e Luxemburgo foram alvo do mesmo tipo de ciberataque.

Portugal também não passou ao lado.

Ataque ao Intermarché em Portugal

Sete lojas Intermarché terão sido alvo de um ciberataque que atingiu os sistemas de refrigeração, esta segunda-feira.

O Grupo Mosqueteiros confirmou que foram identificadas ocorrências relacionadas com um ataque informático em sete lojas Intermarché em Portugal, que terá visado um prestador de serviços externo responsável pela gestão dos sistemas de refrigeração", adiantou a empresa, num comunicado citado pela RTP.

A Polícia Judiciária (PJ) confirmou ao Notícias ao Minuto estar a analisar o caso, em conjunto com o Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS).

Banco de Sangue também não ficou imune

Também esta semana, novo ataque em França. Desta fez aos bancos de sangue do Instituto Nacional de Sangue do país gaulês.

Os hackers aumentaram as temperaturas em três câmaras frigoríficas, que armazenam produtos sanguíneos vitais, numa aparente escalada dos recentes ataques cibernéticos a arcas de refrigeração em toda a Europa.

Apesar disso, referiu esta entidade, os sistemas de alarme permitiram que os técnicos conseguissem intervir antes que os produtos fossem comprometidos. O incidente aconteceu na noite de segunda-feira.

Ameaças de bomba a dezenas de voos

A todas estas situações, somam-se ainda dezenas de voos que nos últimos dias tiveram de alterar os seus trajetos devidos a ameaças de bomba. Segundo o La Vanguardia, cerca de 30 voos de diversas origens, todos sobrevoando o espaço aéreo europeu, receberam ameaças de bomba que os obrigaram a realizar pousos de emergência.

O  modus operandi em todos os casos é o mesmo: e-mails anónimos enviados a instituições, autoridades aeroportuárias e operadores, alertando sobre a suposta presença de explosivos em aeronaves comerciais.

Entre as empresas afetadas por essas ameaças estão a LOT, a Scandinavian Airlines (SAS), a Wizz Air e a Ryanair, entre outras. Não foram relatados feridos em nenhum dos incidentes.

Ainda hoje, um avião da Ryanair aterrou em Lisboa depois de ter sido alvo de ameaça de bomba. A aeronave, que partiu de Roma, em Itália, aterrou no Aeroporto Humberto Delgado por volta das 8 horas.

Há alguma relação?

Assim como nos ciberataques, ninguém foi identificado como responsável pela onda de ameaças contra voos, pelo que não é possível determinar os responsáveis, os seus intuitos e se todos estes episódios estarão relacionados.

Pese embora os autores destes ataques não estejam identificados, Eliran Almog, CEO da Cyviation, afirma que "há diversos serviços essenciais a sofrer interrupções" com "custos económicos" e que está a "minar a confiança pública".

Leia Também: Aconteceu outra vez: Vários voos desviados após ameaças de bomba

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