Assembleia popular no Funchal apoia acampadas pelo direito à habitação
Cerca de 100 pessoas participaram hoje numa assembleia popular no Funchal, no âmbito das manifestações nacionais pelo direito à habitação, e aprovaram por unanimidade um voto de solidariedade às acampadas no Porto e em Lisboa.
"É uma causa que toca a todos nós. Todos nós precisamos de uma casa, independentemente da política e do [salário] que recebemos. Sabemos que existem pessoas que recebem acima da média e que, ainda assim, não conseguem pagar um apartamento, uma casa", disse Inês Tecedeiro, uma das porta-vozes da iniciativa.
A assembleia popular, que decorreu no Jardim Municipal, no centro da capital madeirense, decidiu criar vários grupos de trabalho para preparar a manifestação do dia 14 de novembro na região autónoma, no âmbito dos protestos agendados para essa data ao nível nacional.
"Todos nós temos vida, no entanto, todos nós podemos dar um bocadinho [de tempo] à causa", sustentou Inês Tecedeiro, que hoje foi eleita uma dos quatro porta-vozes do grupo.
Ficou decidido que a manifestação na Madeira vai ocorrer às 17:00, a mesma hora prevista para as manifestações em Lisboa e no Porto.
Os participantes na reunião, entre os quais estavam alguns políticos afetos ao PS, ao BE e ao PCP, decidiram também realizar mais uma assembleia popular no próximo sábado, 30 de outubro, para continuar os preparativos para a manifestação de 14 de novembro.
Liliana Valente, também eleita porta-voz do grupo, alertou para o que classifica como a "turistificação" do Funchal e da Madeira, que diz ter sido levada a cabo pelo Governo Regional PSD/CDS-PP.
"O Funchal tornou-se uma cidade para o turismo, para os vistos Gold, e não há apartamentos disponíveis para aluguer. O que precisamos é de rendas acessíveis, com base nos salários que temos. Isso é essencial", afirmou.
Liliana Valente contou ter recebido uma carta do senhorio para rescindir o contrato de arrendamento até 30 e abril de 2027 e agora não encontra casa a menos de 1.500 euros por mês.
"Eu vivo com o meu companheiro e o nosso filho, de 16 anos, e não sabemos para onde ir", disse.
Já Catarina Claro, que também participou na assembleia popular, contou que vive numa casa emprestada por um familiar.
"É assim que conseguimos sobreviver, com um filho, com escola para pagar. Senão, na minha família, seria impossível estarmos a arrendar uma casa neste momento", disse.
Catarina Claro considerou, por isso, que está na hora de os madeirenses protestarem na rua pelo direito à habitação.
"Estou aqui em defenda de mim própria, dos meus, mas acima de tudo em defesa de todos nós. Não estou aqui só por mim, estou por todas as pessoas a nível nacional, principalmente aqui na Região Autónoma da Madeira, por defender o direito à habitação para todas as pessoas", realçou.
A PSP dispersou hoje de madrugada, à bastonada e com recurso a cães, as manifestações pelo direito à habitação em Lisboa e no Porto, após mais de duas horas de tensão e ordens para que as pessoas saíssem e as tendas fossem retiradas.
Os manifestantes não acataram as ordens, invocando o direito constitucional à manifestação.
Segundo a PSP, registaram-se, no total, 33 feridos, 27 em Lisboa e seis no Porto, e 31 detidos por desobediência (25 em Lisboa e seis no Porto).
Os manifestantes exigem a reversão da nova lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, um travão à aquisição de habitação por fundos imobiliários, o aumento da habitação pública, a recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais e tetos "verdadeiramente acessíveis" à renda.
AO MINUTO: Personalidades exigem ação de Seguro; 27 feridos em LisboaAcompanhe aqui AO MINUTO os desenvolvimentos nos protestos contra a crise da habitação.
Notícias ao Minuto | 07:43 - 25/10/2026Conteúdo importado automaticamente via RSS de Minuto.
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