Autarcas querem ações concretas de preservação da bacia no Mondego
Autarcas de Viseu, Guarda e Coimbra defenderam hoje a necessidade de ações concretas de preservação da bacia hidrográfica do rio Mondego que, consequentemente, atingem as zonas envolventes, entre elas a serra da Estrela.
"Quando algo fere o rio Mondego, fere toda a região Centro", vincou o presidente da Câmara Municipal da Guarda, Sérgio Costa, na sessão de abertura do primeiro congresso "Mondego, que futuro para esta bacia hidrográfica?" que decorre hoje, em Viseu.
Para que o rio e a sua bacia não se sintam feridos, Sérgio Costa defendeu a necessidade de "ações concretas de preservação" e, "porque o mundo da política", onde assume que se inclui, "tende a adiar as soluções".
Na sessão de abertura deste primeiro congresso marcaram presença os presidentes das Câmaras de Viseu, João Azevedo, da Guarda, Sérgio Costa, e ainda o vereador com a pasta do Ambiente de Coimbra, Luís Francisco Filipe, e o dirigente do MUNDA – Movimento em Defesa do Rio Mondego, António Minhoto.
Os três autarcas realçaram a importância de "políticas seguidas de ações concretas" não só no rio Mondego e na sua bacia e margens, como "nas zonas florestais envolventes que têm sofrido incêndios florestais" nos últimos anos e que, consequentemente, "acabam por ferir o Mondego".
Sérgio Costa focou-se nos incêndios de 2022, que afetaram a serra da Estrela, e "passados quatro anos ainda não foi feita nenhuma reflorestação" sendo que "a única coisa que aconteceu foi a regeneração natural da floresta, nada mais".
"E a serra da Estrela não é uma paisagem natural, desenganem-se. É substancialmente uma paisagem humanizada. Desde o pastoreio intensivo que existia e que é preciso voltar a ter com toda o trabalho humano que lá tem sido feito e para isso são precisas pessoas, mas não aceitamos a falsa escolha entre fixar pessoas ou proteger a natureza, é um trabalho conjunto", defendeu.
O autarca da Guarda lembrou que nas tempestades de fevereiro "havia cinza e madeira queimada a navegar no rio Mondego de incêndios ocorridos" e, nesse sentido, realçou a necessidade de um "trabalho mais eficaz e imediato após as ocorrências", mas "mais ainda na prevenção e preservação" da natureza.
Com isto, o autarca indicou as alterações do "clima que já mudou, não é futuro, é agora e a prova disso é que novembro está já aí e ainda não choveu" e, também por isso, defendeu que "a água é o bem mais precioso deste século".
"E nada está a ser feito nesse sentido. As pessoas só se vão preocupar quando abrirem a torneira e não sair água, e não é por rutura na conduta, é mesmo por falta de água. Se não tivermos capacidade para armazenar as águas das chuvas, ela vai embora", indicou.
Neste sentido, Sérgio Costa elogiou a decisão governamental para avançar com a barragem de Girabolhos, mas realçou a "necessidade da barragem da Assedasse reivindicada há décadas e não é um capricho, é uma necessidade" para que a região da Guarda "passe a ter mais do dobro de capacidade de armazenamento" de água.
A Guarda tem várias bacias hidrográficas, desde o rio Zêzere, onde se situa a praia fluvial de Valhelhas, e, na aldeia de Vale de Estrela está uma bacia onde se cruzam três rios: o Mondego, o Douro e o Tejo.
"Há um professor especialista nestas questões da água que já me disse que se deixarmos cair uma gota num ponto específico da bacia ninguém sabe qual destes três cursos de água segue", indicou Sérgio Costa, justificando a "importância que a região tem" nas questões ligadas à água.
O vereador da Câmara de Coimbra Luís Francisco Filipe disse que "há muito tempo" se discutem "soluções imperfeitas" para a bacia hidrográfica do Mondego e, por isso, "é preciso agir e dar passos, é preciso fazer, exigir, mas também reconhecer" o que já foi feito, lembrando as últimas cheias em fevereiro, aquando das tempestades.
"Não queremos [os autarcas] ser menos destinatários das decisões que são tomadas. Queremos ser atores e não figurantes, queremos ter voz, queremos ter responsabilidade e contribuir para o conhecimento do território", defendeu Luís Francisco Filipe, elogiando a organização do congresso.
Do movimento MUNDA, António Minhoto alertou para "o problema da contaminação das águas devido às minas" que existiram na região, nomeadamente as de urânio na Urgeiriça, concelho de Nelas, no distrito de Viseu, e que "é preciso trabalhar verdadeiramente na solução das consequências" que deixaram.
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