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Barragem moçambicana de Cahora Bassa quer levar teleférico à vila do Songo

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Minuto Fonte Externa
22 de outubro de 2026 • 4 min de leitura
Barragem moçambicana de Cahora Bassa quer levar teleférico à vila do Songo

A Hidroelétrica de Cahora Bassa prevê implementar um teleférico turístico na vila de Songo, reforçando a estratégia de valorização turística da barragem, no centro de Moçambique e uma das maiores em África, e da respetiva área de influência.

 

De acordo com o edital de um concurso de manifestação de interesse lançado pela empresa estatal moçambicana, a que a Lusa teve hoje acesso, o objetivo é pré-qualificar empresas de consultoria para apoiar a aquisição, instalação e comissionamento de um "teleférico turístico de grande capacidade" na vila de Songo, na província de Tete, onde a barragem está instalada.

O concurso prevê a contratação de uma empresa especializada para acompanhar todas as fases do projeto, desde os estudos de viabilidade técnica, económica e operacional até à instalação, testes, certificação e entrada em funcionamento da infraestrutura.

De acordo com o caderno de encargos, a consultora deverá avaliar alternativas tecnológicas, definir o traçado, localização das estações e restantes infraestruturas, além de apoiar a HCB nos processos de contratação, supervisão dos trabalhos, formação de equipas e transferência de conhecimento para a futura operação do sistema.

A empresa exige experiência comprovada em projetos semelhantes desenvolvidos nos últimos 10 anos, incluindo teleféricos turísticos, telecabines urbanas e outros sistemas de transporte por cabo de elevada complexidade técnica.

A vila de Songo foi construída para apoiar as obras da barragem e localiza-se cerca de cinco quilómetros a leste da infraestrutura hidroelétrica, no distrito de Cahora Bassa. Implantada num planalto a mais de 700 metros de altitude sobre o vale do Zambeze, concentra atualmente várias dezenas de milhares de habitantes e constitui o principal centro urbano ligado à exploração da barragem.

As manifestações de interesse para o concurso do teleférico deverão ser submetidas até 03 de novembro, seguindo-se a seleção das empresas que participarão nas fases posteriores de contratação.

O projeto enquadra-se na estratégia de desenvolvimento turístico que a HCB tem vindo a promover em torno da barragem de Cahora Bassa.

Em maio, a empresa anunciou igualmente a elaboração de um Plano Diretor de Turismo para a vila de Songo e áreas circundantes, justificando a iniciativa com o elevado potencial histórico, ambiental e paisagístico daquela região.

Na documentação desse concurso, conforme a Lusa noticiou então, a HCB descrevia o Songo como um território de "elevado valor estratégico, histórico, ambiental e paisagístico", sublinhando que a ausência de instrumentos de planeamento tem limitado a valorização dos recursos existentes e a atração de investimento turístico.

A aposta incluiu também o lançamento, em 2025, do processo para conceção de um museu tecnológico destinado a preservar e divulgar a história do empreendimento hidroelétrico, reforçando a promoção do turismo cultural e científico associado à barragem.

A barragem de Cahora Bassa garante mais de 80% da produção de eletricidade de Moçambique e exporta energia para vários países da África Austral. A albufeira, a quarta maior de África, ocupa cerca de 2.700 quilómetros quadrados e estende-se por aproximadamente 270 quilómetros ao longo do rio Zambeze.

Construída entre 1969 e 1974, a barragem iniciou a exploração comercial em 1977 e dispõe atualmente de uma capacidade instalada de 2.075 megawatts. O controlo da infraestrutura passou de Portugal para o Estado moçambicano em 2007, no âmbito do processo de reversão então descrito pelas autoridades como a "segunda independência de Moçambique".

A HCB é detida em 85% pela estatal Companhia Elétrica do Zambeze e pela portuguesa Redes Energéticas Nacionais (REN) em 7,5%, possuindo a empresa 3,5% de ações próprias, enquanto os restantes 4% estão nas mãos de cidadãos, empresas e instituições moçambicanas.

Leia Também: Mais de 20 mil detidos em Moçambique por violação de fronteira

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