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Bolsonaristas enchem Paulista para "libertar Brasil" e prender o "Xandão"

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Minuto Fonte Externa
18 de outubro de 2026 • 5 min de leitura
Bolsonaristas enchem Paulista para "libertar Brasil" e prender o "Xandão"

Milhares de bolsonaristas encheram hoje a avenida Paulista, em São Paulo, para levar Flávio Bolsonaro à vitória nas presidenciais e assim "libertar o Brasil", amnistiar Jair Bolsonaro e destituir e prender o juiz Alexandre de Moraes, conhecido como "Xandão".

 

Bandeiras do Brasil, com a cara de Flávio Bolsonaro, algumas de Israel e dos Estados Unidos, cartazes contra Lula da Silva e Alexandre de Moraes, cobriram a enorme e mais famosa avenida da maior cidade da América Latina, a uma semana da segunda volta das presidenciais brasileiras, marcada para 25 de outubro.

A multidão, composta maioritariamente por famílias e casais, aguardava ansiosamente pelo filho do "mito", numa referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro, e da sua 'entourage', na expectativa de que a energia do Bloco do 22 chegue às urnas no próximo domingo e consiga "resgatar o Brasil do vermelho", afirmou à agência Lusa Emerson, um paulistano de 47 anos e condutor da plataforma Uber.

Um cartaz com a inscrição "Fora Moraes" exibia o retrato do "inimigo número um do Bolsonarismo", o juiz relator do processo que levou Jair Bolsonaro a ser condenado a mais de 27 anos de prisão por ter atentado contra o Estado Democrático de Direito.

Noutro cartaz, a palavra "comunismo" surgia atravessada por uma cruz, junto de referências dos heróis Jair Bolsonaro, Donald Trump e Elon Musk.

Julinho, carioca de 63 anos, apresenta-se como "Xandão do Bem", e defendeu, em declarações à Lusa, que Alexandre de Moraes seja preso e julgado.

"Só quero que a justiça seja feita, correta, séria, que ele seja preso, julgado e tenha o direito de se defender, coisa que ele não fez com as outras pessoas", reforçou à Lusa, referindo-se ao grupo de radicais, apoiantes do ex-presidente Jair Bolsonaro, que influenciados por meses de desinformação sobre urnas eletrónicas e medo do comunismo, invadiram e atacaram o Palácio do Planalto, o Congresso e o Supremo Tribunal Federal a 08 de janeiro de 2023 em Brasília.

Flávio Bolsonaro prometeu que, se for eleito, concederá um indulto ao pai e defendeu uma amnistia para os condenados pelos atos de 08 de janeiro, incluindo os manifestantes envolvidos na invasão e atos de vandalismo nas sedes dos Três Poderes.

Enquanto Flávio não chegava, do carro de som saíam palavras de ordem como "PT nunca mais" e "Amnistia para Jair Bolsonaro".

O apelo à amnistia era dirigido a Jair Bolsonaro que cumpre a pena em prisão domiciliária desde março deste ano.

Por fim, por volta das 11:30 locais (15:30 em Lisboa), Flávio chegou à avenida Paulista para delírio de milhares de apoiantes, que o receberam com cânticos como o clássico "Lula ladrão, o teu lugar é na prisão".

No trio elétrico que avançava pela avenida Paulista, Flávio Bolsonaro, a dançar e a acenar para a população, era acompanhado pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e pelo prefeito Ricardo Nunes.

"Ele não vai indicar quatro ministros para o Supremo, vai indicar cinco", disse o deputado Nikolas Ferreira, em cima do trio elétrico, para delírio da multidão.

O próximo Presidente poderá preencher quatro vagas no Supremo Tribunal Federal. Caso Alexandre de Moraes seja destituído, poderá indicar mais um.

Para além de Nikolas, o deputado federal mais votado de sempre, estavam juntos a Flávio o recém-eleito deputado federal por São Paulo Lucas Pavanato e a recém-eleita deputada estadual Eduarda Campopiano.

Os três jovens deputados construíram parte da sua notoriedade nas redes sociais, com vídeos e publicações de forte alcance sobre temas políticos e sociais.

Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato ganharam projeção com confrontos que viralizam e posições contra pautas identitárias e políticas ligadas à identidade de género.

Já Eduarda Campopiano destacou-se pelas críticas ao feminismo e à chamada "ideologia de género".

"Nós temos que ter coragem. Dia 25 agora é a virada nesse país. O povo brasileiro tem que sair das suas casas, ir e votar", afirmou à Lusa, Ricardo Souza, já à saída da Paulista, confiante na derrota de Lula da Silva no próximo domingo.

Na primeira volta, realizada em 04 de outubro, Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula da Silva, uma vantagem de 2.224.965 votos, sendo que, desde a introdução do sistema de duas voltas nas presidenciais brasileiras, em 1989, nenhum candidato que terminou a primeira votação em segundo lugar conseguiu vencer a eleição.

Bolsonaro diz que nomear o pai para cargos "não está no radar"

Flávio Bolsonaro, do PL, afirmou que o irmão Eduardo não será ministro das Relações Exteriores e que o pai não será nomeado para cargos, caso ele vença as eleições de 25 de outubro.

Lusa | 06:14 - 17/10/2026

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