Câmara de Leiria preocupada com dependência da Starlink
A Câmara de Leiria está preocupada com o sistema de comunicações Starlink, disponível nas juntas, município e bombeiros do concelho, após limitações do seu uso na Ucrânia, disse hoje o vereador da Proteção Civil.
"Penso que todos têm noção de que o Starlink é um sistema de origem civil, tendo depois o Starshield, que é um sistema mais militar, mais encriptado, mais reservado, mas quem o detém é uma empresa privada, portanto, que não tem a mesma visão que um Estado ou que um município relativamente àquilo que deve ser o funcionamento permanente deste serviço", afirmou Luís Lopes à agencia Lusa.
O autarca falava à margem da abertura oficial do NEXXT Leiria, que arrancou na sexta-feira e termina no dia 31, subordinado ao tema "Onde o caos encontra a criatividade", quando passam praticamente nove meses sobre a depressão Krsitin, que atingiu gravemente o concelho.
O sistema Starshield da companhia norte-americana Starlink é propriedade de Elon Musk, magnata que integrou a administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, no início deste segundo mandato na Casa Branca.
No dia 14, fontes próximas do Governo ucraniano denunciaram que o serviço prestado ao Exército ucraniano pelos satélites Starlink, de que o país depende para enfrentar os constantes ataques de mísseis russos, foi restringido.
Uma semana depois, o Wall Street Journal noticiou que Musk ordenou a limitação dos serviços da rede de satélites na Ucrânia, tendo o magnata justificado no sábado que o Starlink é "um sistema civil, e não de um meio para matar", pelo que "qualquer violação destes termos resultará no encerramento do serviço".
Segundo Luís Lopes, "para eles é um negócio", mas para o município "é um sistema de redundância em termos de comunicações".
"Aquilo que aconteceu na Ucrânia, em que um Estado soberano que está a utilizar este sistema de comunicações por satélite viu condicionada a sua resposta, a sua organização, a sua coordenação, lógico que também nos preocupa", declarou.
A este propósito referiu que uma coisa é haver "uma falha técnica ou tecnológica ou um ciberataque que compromete um sistema e aí é aceitável, outra coisa que não é aceitável é a interferência de uma pessoa ou de um gestor ou de um proprietário de um determinado equipamento que condiciona depois qualquer Estado na sua capacidade de organização e resposta".
"Quando dizemos que temos redundância dos sistemas, mas que depois esses sistemas são privados e que são geridos numa lógica mercantilista - e não estou a dizer que foi isso que Elon Musk fez a semana passada ou quem é que o pressionou para que desse ou não uma ordem como deu para condicionar a velocidade de tráfego do Starshield - é lógico que nos preocupa", adiantou.
Para o vereador do município de Leiria, o país deveria ter um sistema que desse garantia de que "não estará dependente de uma decisão de uma pessoa ou de uma vontade política ou económica" para se conseguir manter as comunicações por satélite.
"Temos a rede fixa, que pode ter uma falha parcial ou total, como aconteceu na Kristin ou no apagão (…), temos o Siresp [Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal], temos as comunicações por rádio e depois temos o sistema de comunicações por satélite", explicou.
Sustentando que a opção foi por aquele que "já estava a funcionar" e que resulta, Luís Lopes reiterou preocupação: "Se alguém a condicionar de forma deliberada ou não, nós deixamos de ter a tal redundância que precisamos".
Pelo menos 19 pessoas morreram em Portugal entre o final de janeiro e o início de março na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que fizeram também várias centenas de feridos, desalojados e deslocados. Mais de metades das mortes foram registadas em trabalhos de recuperação.
Os temporais, que atingiram o território continental durante cerca de três semanas, sobretudo nas regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo, provocaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuízos superiores a cinco mil milhões de euros.
Ucrânia rejeita alegações de Musk sobre uso do Starlink em ataquesAs autoridades ucranianas contestaram as alegações de Elon Musk de que as forças armadas violaram os termos de serviço do Starlink ao utilizarem a rede para ataques com drones.
Lusa | 16:47 - 25/10/2026Conteúdo importado automaticamente via RSS de Minuto.
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