Câmara do Porto introduz alterações ao projeto da Rua de Guerra Junqueiro
O executivo da Câmara do Porto apresentou hoje uma nova proposta de projeto de beneficiação da Rua de Guerra Junqueiro, uma artéria que já tinha sido alvo de um concurso público para obras em março que tinha sido contestado.
A apresentação foi hoje feita aos vereadores na reunião privada do executivo municipal.
À margem, em declarações aos jornalistas, o presidente da autarquia, Pedro Duarte, explicou que apresentaram uma nova proposta, depois de terem ouvido "todos os intervenientes" e considerou que o caso desta rua, no Campo Alegre, é o exemplo de como quem governa uma cidade tem que gerir vários "interesses conflituantes".
"Eu julgo que agora nós conseguimos uma situação de equilíbrio muito interessante, que mereceu genericamente concordância", considerou o autarca, ressalvando que "não há soluções ótimas e perfeitas" e que nem sempre todas as partes vão estar de acordo.
Após elencar algumas das introduções introduzidas ao projeto inicial, Pedro Duarte explicou que os serviços ainda estão a perceber se será necessário lançar um novo concurso público.
Pelo PS, Manuel Pizarro saudou o executivo por ter revisto o projeto e ter demonstrado que "é sempre possível melhorar as coisas quando elas estão ainda em curso".
De acordo com a apresentação que foi feita aos vereadores, e a que a Lusa teve acesso, foi feito um ajuste no troço compreendido entre a Rua Soares de Passos e a rua João Martins Branco através da eliminação de 10 lugares de estacionamento, da "remoção do avanço do passeio previsto para o lado norte na intersecção com a Soares de Passos", do realinhamento do lancil do passeio nascente, do estreitamente das vias de circulação automóvel na Soares de Passos e a eliminação da baía de estacionamento nessa rua.
Através destas alterações, garante-se neste troço a "manutenção das árvores existentes e a plantação de dois novos exemplares", a continuidade das vias de circulação automóvel, a criação de uma ciclovia bidirecional com 2,5 metros de largura, faixa de proteção à ciclovia e manutenção dos dois sentidos de trânsito na Soares de Passos.
"Aproveitando a revisão do projeto e face à decisão do Departamento Municipal da Mobilidade de abdicar do estacionamento no lado nascente, foi possível aumentar a área do percurso pedonal ao longa da Rua de Guerra Junqueiro, melhorando significativamente as condições de mobilidade pedonal", pode ler-se ainda na apresentação.
Numa tabela comparativa entre o projeto anterior e o projeto hoje apresentado, o documento dá conta de que a área pedonal aumentou de 5.641 metros quadrados para 6.268 metros quadrados, sendo que a área viária diminuiu de 7.394 para 6.776 metros qudrados.
Em termos de lugares de estacionamento, vão haver menos 54 lugares de estacionamento comuns, menos três lugares alocados a 'kiss and drive', mas mais quatro lugares para cargas e descargas. Os lugares para a bolsa de residentes vai manter-se nos 23.
A 13 de outubro, Pedro Duarte já tinha revelado que o município tinha suspendido a adjudicação da empreitada de beneficiação desta rua, cujo concurso público foi lançado em março, e que estava a reavaliar o projeto.
Em março, um grupo de encarregados de educação de várias escolas nesta rua - que liga a Rua do Campo Alegre à Avenida da Boavista - lançaram uma petição para pedir à autarquia que procedesse à revisão do projeto para a artéria e suprimisse uma das vias de trânsito e uma das filas de estacionamento existentes.
Pedia também a construção de uma ciclovia bidirecional ao longo de toda a extensão da rua, a introdução de zonas verdes e de convivência, a implementação de zonas especificas para condutores pararem os carros para deixar os filhos nas escolas e a inclusão de radares de velocidade.
A petição "Guerra Junqueiro Mais Alegre" chegou a ser levada, em junho, à Assembleia Municipal e um relatório feito dava conta de que o projeto de beneficiação da autarquia não permitia a implantação de uma ciclovia.
"Considerando o Plano Diretor Municipal [PDM] e a dimensão das bolsas de estacionamento previstas no projeto, a largura do perfil proposto não tem capacidade para a implementação da ciclovia", que era uma das reivindicações dos peticionários, podia ler-se no relatório, redigido pela Divisão Municipal de Apoio à Assembleia Municipal (AM).
À data, na AM, a vice-presidente da autarquia, Catarina Araújo, explicou que o projeto foi herdado do anterior executivo, que descartá-lo significaria que a obra não seria feita nos próximos quatro anos, mas que "não sendo este o projeto que responde de forma cabal aos receios legítimos da petição" ele tem pontos comuns com o que é pedido pelos peticionários.
Leia Também: Pedro Duarte aguarda "momento mais indicado" para reunião com acampada
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