Candidato pelo Michigan promete expulsar grandes empresas da política
O candidato democrata ao Senado norte-americano pelo Estado do Michigan terminou na segunda-feira a campanha eleitoral prometendo expulsar da política o dinheiro das grandes empresas e lutar por melhores cuidados de saúde.
Perante mais de um milhar de pessoas no Majestic Theatre da cidade de Detroit, Abdul El-Sayed, que poderá ser nas eleições intercalares de hoje o primeiro muçulmano eleito para o Senado, acusou o adversário republicano, Mike Rogers, de ser um fantoche de grandes empresas.
"Mike Rogers aceita dinheiro das grandes empresas para fazer campanha pelas grandes empresas e dar dinheiro a ganhar às mesmas grandes empresas que é suposto regular", acusou.
Quanto a Donald Trump, afirmou que é "o pior sintoma da pior doença da política" norte-americana: "o sistema que permite às grandes empresas, bilionários e grupos de interesses comprar e vender políticos para viciarem o sistema contra os cidadãos".
"É por isso que pagamos tanto pelas coisas que compramos e recebemos menos pelo nosso trabalho para vermos o nosso Governo mandar dinheiro para financiar genocídio, 'apartheid' e guerra, em vez de garantirem cuidados de saúde e oportunidades", acusou, referindo-se ao apoio da Administração Trump a Israel na guerra contra o movimento islamita palestiniano Hamas na Faixa de Gaza, de que é um forte crítico.
"Não faz sentido mandarmos o nosso dinheiro para outro país, porque esse dinheiro merece ser gasto nas escolas dos nossos filhos", reforçou.
Referindo-se à maneira jocosa como Donald Trump pronuncia o seu nome, Abdul Mohammed El-Sayed garantiu não se importar: "a partir de amanhã, ele pode chamar-me senador".
"O meu nome e a minha fé não têm nada a ver com não poderem pôr gasolina no carro, pagar as vossas compras, não poderem ir ao médico. Aliás, é bem provável que o vosso médico tenha um nome igual ao meu e a minha fé", argumentou.
"As políticas [de Trump] é que são responsáveis por isso. É a guerra ilegal e injustificável no Irão, uma guerra imoral que não temos nada que combater que provoca isso", defendeu.
A religião de El-Sayed tem sido usada pelos republicanos para o atacar, acusando-o de ligações à Irmandade Muçulmana, mas o candidato afirmou que é "uma distração" para poder continuar a "ir ao bolso" dos eleitores.
"Há sempre pessoas mesquinhas que querem uma América mais pequena e ladram muito alto porque querem falar por todos", apontou.
"As pessoas estão menos interessadas na maneira como se reza do que no que se pede quando se reza. E nós rezamos todos pelas mesmas coisas: pelos nossos filhos, pela paz e pelos Lions", gracejou, referindo-se à equipa de futebol americano da cidade.
No último dia de campanha, El-Sayed teve a colaboração da sua mulher, Sarah Jukaku, e da senadora Elizabeth Warren, nome forte do setor progressista do Partido Democrata, que no comício do Majestic acusou os colegas republicanos no Senado de "terem retirado cirurgicamente a sua coluna vertebral, porque só conseguem curvar-se perante Donald Trump".
"Deem-nos a maioria [no Senado]", pediu, afirmando que isso permitirá acabar com uma câmara "silenciosa e submissa" à vontade do Presidente: "para fazermos mudanças, o Michigan precisa de ser 'azul'", ou seja, votar nos democratas.
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