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Casal julgado por matar idoso em Aljustrel acusa-se mutuamente

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Minuto Fonte Externa
3 de novembro de 2026 • 5 min de leitura
Casal julgado por matar idoso em Aljustrel acusa-se mutuamente

O homem e a mulher que começaram hoje a ser julgados no Tribunal de Beja por roubar, sequestrar e matar um idoso de 80 anos, em janeiro, acusaram-se um ao outro sobre a autoria dos crimes.

 

Na primeira sessão de julgamento, após a presidente do coletivo de juízes ter lido um resumo da acusação, ambos os arguidos aceitaram falar em tribunal e apresentaram versões diferentes.

"Estou arrependido de não ter chamado a GNR e os bombeiros", afirmou o arguido, depois de acusar a ex-companheira de ter batido "duas ou três vezes" com um ferro na cabeça do idoso, antes de o atirarem para dentro de um poço.

Já a arguida alegou que o ex-marido "deu pancadas com uma pistola" na cabeça da vítima, quer na casa do idoso, na aldeia de Jungeiros, no concelho de Aljustrel, distrito de Beja, quer junto ao poço para onde o lançou, sem a sua intervenção.

Nas declarações que fez em tribunal, o arguido contou que, naquele dia, se encontrou em Montes Velhos com a ex-mulher, de quem estava proibido de se aproximar no âmbito de um processo de violência doméstica, a pedido desta para a ajudar a levar o idoso ao hospital no carro da vítima, por este ter um golpe na cabeça.

A caminho do hospital de Beja, perto de um poço situado junto à Estrada Nacional 2 (EN2), na zona de Ervidel, no mesmo concelho, "parámos para urinar" e porque o idoso se queixou que "estava maldisposto". Quando a vítima saiu do carro, "ela bateu no senhor com um ferro duas ou três vezes", relatou.

Alegando que a mulher "dizia que queria roubar o dinheiro" da vítima, o homem, que está também a ser julgado neste tribunal por tentativa de roubo naquela noite, disse que ficou "em pânico", porque conhecia o idoso desde criança, mas admitiu ter ajudado a ex-mulher a abrir o poço e a empurrá-lo para o seu interior.

O arguido, que negou ter estado na casa da vítima, realçou que, após lançarem o homem ao poço, deslocaram-se a Ferreira do Alentejo, mas acabou por ficar sozinho para fumar droga e beber álcool para "esquecer o que tinha acontecido".

Já a arguida descreveu que, naquele dia, se encontrava em casa da vítima, em Jungeiros, quando o arguido saltou o muro do quintal e entrou num anexo, agredindo o dono da casa com uma pistola.

"Tentei ativar o botão de pânico, mas não tinha bateria", salientou a mulher, ao ser questionada pelo coletivo de juízes.

Depois, continuou, o arguido mandou que os dois entrassem no carro da vítima e dirigiram-se no automóvel para a aldeia vizinha de Montes Velhos onde os dois consumiram droga, antes de pararem junto ao poço situado perto de Ervidel.

"O senhor pediu para urinar e estava sangrar muito", referiu a arguida, indicando que, ao sair do carro, viu o ex-companheiro a dar "mais pancadas na cabeça", abrir a tampa do poço e mandar o octogenário para o seu interior.

A mulher alegou que, depois, foi fechada na bagageira do carro e que o arguido abandonou o veículo em Ferreira do Alentejo. Na manhã seguinte, a arguida referiu que partiu o vidro do carro para poder sair e voltou a Jungeiros, tendo, mais tarde, contactado a GNR.

Nesta sessão, foram ainda ouvidas várias testemunhas, prevendo-se para quarta-feira a audição da última e as alegações finais.

A advogada da arguida, Rita Moleiro, remeteu declarações para depois da decisão do tribunal, enquanto a defensora do arguido, Margarida Godinho Costa, considerou que "não vai ser fácil extrair as culpas e individualizar a ação de cada" arguido.

"Espera-se que a justiça seja imparcial, ponderada e atue com rigor na averiguação das responsabilidades individuais", frisou.

O casal, ambos de 40 anos e em prisão preventiva, chegou a viver em união de facto. Estão acusados cada um de um crime de homicídio qualificado, um de roubo e outro de sequestro agravado.

Segundo o Ministério Público (MP), em 16 de janeiro deste ano, os dois dirigiram-se à casa de um homem de 80 anos, seu vizinho, na aldeia de Jungeiros, tendo o homem golpeado o idoso na cabeça com um objeto com lâmina.

Os arguidos, habituais consumidores de droga, apropriaram-se depois de dinheiro e das chaves do automóvel da vítima e colocaram o idoso na bagageira do carro, circulando por localidades da zona para a compra e consumo de 'crack', pode ler-se na acusação.

Na madrugada seguinte, dirigiram-se até um poço perto de Ervidel, partiram o cadeado que selava a tampa metálica, lançaram a vítima para o interior, voltaram a colocar a cobertura e abandonaram o local.

Leia Também: Casal acusado de matar idoso em Aljustrel começa a ser julgado 3.ª-feira

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