CDU acusa Pedro Duarte de tornar Porto "mais caro e desigual"
A CDU do Porto considerou hoje que a governação de Pedro Duarte deu "continuidade a uma visão neoliberal" da cidade e acusou o seu executivo municipal de não apresentar um "projeto próprio capaz de responder aos problemas".
"Este primeiro ano confirma que a mudança de presidente [da Câmara do Porto] manteve e aprofundou a política de direita que vem tornando a cidade mais cara, mais desigual e menos acessível a quem nela vive e trabalha. Pedro Duarte e o executivo PSD/CDS-PP/IL dão continuidade a uma visão neoliberal do Porto", acusou o grupo municipal em comunicado hoje divulgado.
Pedro Duarte tomou posse como presidente da Câmara Municipal do Porto há quase um ano, a 05 de novembro de 2025.
Para a CDU, o executivo "não apresentou um projeto próprio capaz de responder aos problemas estruturais da cidade" e, em termos de habitação, considera que deveria apresentar "um plano de construção pública", articulado com o Governo, com "obras no terreno à escala desta necessidade".
O grupo municipal criticou ainda a dispensa de construção de habitação acessível em operações urbanísticas no âmbito do regime de Zonamento Inclusivo, a demora na conclusão das obras no bairro do Bom Sucesso, entre outros.
No que diz respeito à mobilidade, os eleitos não acreditam na eficácia da medida dos transportes gratuitos "sem mais trabalhadores e autocarros na STCP [Sociedade de Transportes Coletivos do Porto], mais linhas e frequências, maior fiabilidade e pontualidade, corredores BUS e melhores abrigos" e deixaram ainda críticas que se prendem com a segurança da cidade e a gestão do espaço público.
"É no tratamento das pessoas em situação de pobreza e sem casa que esta visão de cidade revela a sua face mais dura. As sucessivas intervenções em habitações sobrelotadas sem a garantia de um acompanhamento social ou alternativa aos moradores, bem como a recente intervenção no Viaduto de Grijó traduzem uma hostilidade social", apontaram.
Também a cultura, a forma como Pedro Duarte tem falado sobre os protestos pela habitação na praça D. João I e a atribuição de um pelouro a um eleito pelo PS (Jorge Sobrado) para assegurar maioria foram alvo de críticas.
"O balanço deste primeiro ano é o de um executivo de direita sem vontade de romper com o modelo que agrava os problemas da cidade, mas empenhado em controlar a sua imagem e a narrativa", concluíram os eleitos.
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