Centenas pedem à Câmara de Sintra que garanta atividade do Teatromosca
Uma carta assinada por 227 personalidades e entidades ligadas à Cultura apela à intervenção urgente da Câmara de Sintra para garantir a continuidade da atividade do Teatromosca no Auditório Municipal António Silva (AMAS), no Cacém.
Na carta, enviada hoje ao presidente da autarquia, Marco Almeida, os signatários manifestam apoio ao Teatromosca, responsável pela gestão e programação do AMAS desde 2018, e pedem uma solução para os constrangimentos ao funcionamento noturno do auditório, instalado no Shopping Cacém, cujo encerramento às 20:30 impede o acesso regular do público aos espetáculos.
"Mais do que uma questão de funcionamento de um equipamento, está em causa o direito de acesso à cultura, a continuidade de uma programação artística regular", afirmam, destacando a importância do auditório para a vida cultural de Agualva-Cacém e do concelho de Sintra.
Entre os signatários da carta, encontram-se o diretor artístico do Teatro Nacional D. Maria II, Pedro Penim, e o seu presidente, Rui Catarino, a diretora executiva do São Luiz Teatro Municipal, Ana Rita Osório, e o gestor cultural e antigo secretário de Estado da Cultura Miguel Honrado.
Subscrevem igualmente o documento os atores Ivo Canelas e Elmano Sancho, a atriz e encenadora Cristina Carvalhal, o dramaturgo e encenador Ricardo Neves-Neves e o músico Paulo Furtado, conhecido como The Legendary Tigerman.
A carta reúne ainda responsáveis de companhias e estruturas culturais, artistas, professores, estudantes e munícipes, contando também com subscritores estrangeiros, nomeadamente de França, Itália e Espanha.
Os subscritores apelam a um "diálogo efetivo entre a Câmara Municipal de Sintra, o Teatromosca e as entidades responsáveis pelo espaço onde se encontra instalado o AMAS", defendendo uma "solução concreta, estável e duradoura" que assegure a programação cultural, o acesso seguro do público e as condições necessárias à realização de atividades noturnas.
Este conflito remonta a julho, quando a assembleia de condóminos do Shopping Cacém decidiu deixar de permitir exceções ao horário de encerramento das 20:30, que vigorava desde a pandemia de covid-19, impedindo o prolongamento do funcionamento do edifício nos dias de espetáculos.
Em setembro, o diretor artístico do Teatromosca, Pedro Alves, denunciou à Lusa que a decisão, em vigor desde o início daquele mês, colocava em risco a atividade da companhia no auditório, propriedade da Câmara de Sintra, alertando para a realização de espetáculos sem acesso às saídas de emergência e às instalações sanitárias do centro comercial.
Na carta agora dirigida a Marco Almeida, os subscritores sublinham o trabalho artístico, formativo e comunitário desenvolvido pelo Teatromosca, incluindo a organização do festival MUSCARIUM, defendendo a continuidade do AMAS como espaço cultural aberto à comunidade.
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