Chefes da diplomacia de 8 Estados da Europa e Médio Oriente apelam à paz
Os chefes das diplomacias de oito governos da Europa e do Médio Oriente reuniram-se hoje em Istambul, apelando aos beligerantes envolvidos em vários confrontos, em um formato inédito, à cessação das hostilidades.
Os ministros dos Negócios Estrangeiros de Alemanha, França, Itália e Reino Unido reuniram com os da Arábia Saudita, Egito, Paquistão e Turquia para procurarem em conjunto as chaves da desescalada, quando toda a região se inflama.
As discussões incidiram sobre os estreitos de Ormuz e Bab-el Mandeb, os ataques dos Houthis na Arábia Saudita, o genocídio e a limpeza étnica nos Territórios Palestinianos Ocupados e a invasão russa da Ucrânia.
Mas foi a situação no Irão que centrou os debates.
"Uma nova escalada entre EUA e Israel, de um lado, e Irão, do outro, só vai criar perdedores e terá, sem dúvidas, consequências muito pesadas sobre o preço dos hidrocarbonetos", disse o ministro francês, Jean-Noël Barrot.
"A primeira das coisas que este grupo de oito países vai fazer é apelar às duas partes para uma contenção máxima", porque não nos permitir uma nova escalada na região", acrescentou.
Já o italiano Antonio Tajani disse que a situação regional "não pode ser resolvida de um ponto de vista militar. Se querermos abrir Ormuz, que é vital para as nossas economias, temos de promover o diálogo".
O ministro turco, Hakan Fidan, garantiu, na conferência de impressa final e que foi o único a prestar declarações, que "nenhum país deseja que a guerra se prolongue. Todos querem um fim imediato da guerra, no Golfo e na Ucrânia".
Acentuou, na ocasião: "Estamos todos de acordo quanto ao facto de um novo ataque ao Irão conduzir verdadeiramente a uma propagação acrescida da guerra e dos conflitos na região", em mensagem explicita dirigida a Israel, mas também aos EUA.
A Turquia, que convocou esta cimeira, quer afirmar o seu estatuto de potência regional. Em agosto, criou com o Paquistão e a Arábia Saudita um acordo de defesa, designado Aliança de Meca.
Ao mesmo tempo, também quer ser um intermediário credível. Tem relações execráveis com Israel, masboas com o Irão e os EUA. E discute abertamente com a Federação Russa e a Ucrânia, desde a invasão em fevereiro de 2022.
Os oito participantes "decidiram, depois de discussões muito construtivas, prosseguir o trabalho e reunirem-se com mais frequência", avançou Jean-Noël Barrot.
"A nossa plataforma apresenta várias vantagens, desde logo porque é informal e flexível", realçou Hakan Fidan, mas, relativizou, "há um potencial imenso para a diplomacia, mas também para a guerra", responsabilizando, pelos futuros desenvolvimentos, "os atores envolvidos, os Estados da região e alguns atores mundiais".
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