Coelhos mortos à pancada, galinhas com ratos: 3 explorações denunciadas
Um trabalhador agarra num coelho e bate com ele contra o chão. Depois atira-o para uma arca, onde estão outros coelhos, alguns aparentando ainda sinais de vida. A cena terá sido filmada no passado mês de agosto, numa exploração de coelhos no concelho de Ourém e é denunciada agora pela Frente Animal.
Num e-mail enviado ao Notícias ao Minuto, o porta-voz da organização não-governamental, Nuno Alvim, revela que o caso chegou à Frente Animal por via de uma denúncia anónima.
Os vídeos e as fotografias são chocantes e o Notícias ao Minuto optou por não os divulgar por poderem ferir a suscetibilidade dos leitores mais sensíveis.
Nas imagens veem-se ainda coelhos caídos das gaiolas para fossas de dejetos, vivos e mortos. Animais com feridas, com crostas e parasitas. Coelhos fechados em apertadas gaiolas juntamente com cadáveres de exemplares da mesma espécie.
Já noutro vídeo, captado numa exploração de Ferreira do Zêzere, numa das maiores empresas produtoras de ovos do país, vê-se galinhas mortas dentro de gaiolas com aves vivas.
Segundo o parecer jurídico, partilhado pela Frente Animal na mesma nota, há cadáveres "em avançado estado de decomposição”, em alguns casos reduzidos a partes do corpo, o que pode indicar que ali ficaram durante muito tempo".
O mesmo parecer descreve a presença de "roedores" a circular "livremente nas instalações", assim como ovos partidos e ovos com "pequenos organismos vivos à superfície".
Numa outra exploração de galináceos, localizada na Batalha, "foram registados ratos vivos e roedores mortos, moscas e dejetos acumulados por baixo das gaiolas".
Especialistas pedem intervenção urgenteNo comunicado enviado ao Notícias ao Minuto, a Frente Animal afirma que as imagens foram analisadas pelo médico veterinário Nuno Paixão, pelo advogado Diogo Trabulo e pela médica Júlia Ferreira Rebelo e que os três pedem "uma intervenção urgente" nos casos referidos acima.
O advogado Diogo Trabulo conclui que há "indícios suficientemente relevantes para questionar a conformidade" das explorações com a lei de proteção animal. A médica Júlia Ferreira Rebelo alerta que os cadáveres em decomposição, os roedores e as moscas "constituem focos ativos de risco sanitário", para quem ali trabalha e para quem vive perto.
Sobre o abate, o porta-voz da Frente Animal lembra que "a lei europeia exige que os animais sejam poupados a dor e sofrimento evitáveis, que o método seja aplicado por pessoal competente e que nenhum animal seja manuseado como morto enquanto apresentar sinais de consciência".
"Um coelho atirado contra o chão e depois para dentro de uma arca. Galinhas a apodrecer ao lado das que ainda estão vivas. Isto não é um acidente isolado. É o dia a dia de animais que passam a vida inteira numa gaiola, sem poderem fugir de nada, nem da doença, nem dos dejetos, nem do corpo que ficou ao lado", afirma Nuno Alvim.
O que a Frente Animal pede?À DGAV, à Autoridade de Saúde Local e ao SEPNA/GNR, a Frente Animal pede assim "uma inspeção presencial urgente às três explorações, com exame dos animais doentes, verificação dos métodos de abate e recolha de amostras".
Já ao Governo e à Assembleia da República, a organização pede "um calendário nacional para a eliminação progressiva das gaiolas na produção de galinhas poedeiras e de coelhos, sem esperar pela legislação europeia. E à indústria e à distribuição, "compromissos públicos e datados de transição".
Para os cidadãos, a Frente Animal pede também "dois gestos simples": assinar o manifesto contra animais em gaiolas (já assinado por mais de 28 mil pessoas) e verificar "o código impresso nos ovos, em que o algarismo três identifica galinhas criadas em gaiolas".
67,1% das galinhas poedeiras vivem em gaiolas cá (quase o dobro da UE)De acordo com Nuno Alvim, "o que as imagens mostram não acontece por acaso". "Em Portugal, 67,1% das galinhas poedeiras vivem em gaiolas, quase o dobro da média da União Europeia (35,5%)", diz, citando o "painel de dados da Comissão Europeia".
"Uma galinha numa gaiola passa toda a vida produtiva num espaço de rede metálica partilhado com outras aves, sem se poder afastar de um animal doente ou morto. Os coelhos vivem em gaiolas de arame e, na União Europeia, não têm sequer legislação específica de bem-estar", realça o porta-voz da Frente Animal, lembrando que isto acontece apesar de, em 2023, a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) ter recomendado, para melhorar o bem-estar de frangos e galinhas poedeiras, que se evitem "as mutilações, a restrição alimentar e o uso de gaiolas".
Já em em 2020, a mesma autoridade tinha concluído que "o bem-estar dos coelhos adultos é mais baixo em gaiolas convencionais do que nos outros sistemas avaliados".
Na Europa, conta ainda a Frente Animal na nota enviada ao Notícias ao Minuto, "a iniciativa de cidadania 'End the Cage Age' reuniu cerca de 1,4 milhões de assinaturas validadas e levou a Comissão Europeia a comprometer-se, em 2021, a propor a eliminação progressiva das gaiolas". A proposta legislativa continua, no entanto, de acordo com Nuno Alvim, "por apresentar".
Leia Também: Brasil, Suíça e Espanha desmantelam rede de tráfico de animais protegidos
Conteúdo importado automaticamente via RSS de Minuto.
Todos os direitos autorais e de propriedade intelectual pertencem ao veículo de origem. Leia a matéria completa na fonte original
Leia Também
Ver todas as notícias →Comentários (0)
Nenhum comentário publicado ainda.
Seja o primeiro a compartilhar sua opinião sobre esta matéria!
Deixe seu comentário
Seu e-mail não será divulgado publicamente. Comentários passam por moderação antes da publicação.