Começa julgamento de alegado mentor de ataque a navio militar dos EUA
O julgamento de Abd al-Rahim al-Nashiri, alegado mentor do atentado contra o contratorpedeiro norte-americano USS Cole em 2000, começou segunda-feira em Guantanamo, com a seleção dos jurados, após anos de adiamentos.
Capturado no Dubai em 2002, o sudanês de 61 anos, suspeito de ter ligações à organização terrorista internacional Al-Qaeda, foi transferido há 20 anos para a base militar norte-americana de Guantanamo, em Cuba, onde é um dos últimos detidos.
É acusado, entre outros crimes, de conspiração para cometer atos de terrorismo, homicídio em violação das leis de guerra, atos de terrorismo e ataques contra civis, estando sujeito à pena de morte.
Quinze anos depois da sua acusação formal, "a seleção dos jurados começou", informou à AFP Ronald Flesvig, porta-voz do Gabinete das Comissões Militares.
Abd al-Rahim al-Nashiri sofreu anos de violência infligida pela CIA e pelo FBI. Em 2023, um magistrado militar norte-americano decidiu que as suas confissões não podiam ser usadas como prova, por terem sido obtidas sob tortura — um precedente inédito.
O acusado terá sido, inclusive, submetido a simulações de afogamento numa prisão secreta da CIA na Polónia, facto admitido pelo então diretor da agência, Michael Hayden. É também considerado o mentor dos ataques contra o petroleiro francês Limburg, em 2002.
No dia 12 de outubro de 2000, uma lancha, conduzida por dois bombistas suicidas, explodiu contra o contratorpedeiro USS Cole — que estava a ser reabastecido com combustível na baía de Áden —, abrindo um rombo na lateral da embarcação. O atentado custou a vida a 17 militares norte-americanos, além dos dois autores, e fez cerca de 40 feridos.
A autoria do ataque foi reivindicada pelo líder do grupo jihadista Al-Qaeda, Osama bin Laden.
Várias pessoas foram apontadas como mentoras do atentado. Durante o seu primeiro mandato, em 2019, o Presidente Donald Trump anunciou que um deles, o iemenita Jamal al-Badawi, tinha sido morto pelo exército norte-americano num ataque no Iémen.
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