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Comissão da ONU acusa Israel de crimes contra a humanidade na Cisjordânia

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Minuto Fonte Externa
26 de outubro de 2026 • 4 min de leitura
Comissão da ONU acusa Israel de crimes contra a humanidade na Cisjordânia

A Comissão Independente da ONU que investiga os crimes nos territórios palestinianos ocupados acusou hoje Israel de cometer crimes contra a humanidade na Cisjordânia, incluindo "extermínio", mantendo as suas acusações de genocídio em Gaza.

 

Num relatório a apresentar hoje à Assembleia Geral da ONU, a comissão "conclui que as autoridades e forças israelitas cometeram crimes contra a humanidade na Cisjordânia, incluindo extermínio, tortura, violação e outras formas de violência sexual, bem como perseguição, com base em fundamentos discriminatórios sobrepostos, tendo como núcleo a nacionalidade, a raça e a etnia".

Os investigadores, que foram encarregados de analisar os assassinatos e danos físicos e psicológicos causados pelos agentes do Estado, apontam um grave aumento dos ataques aéreos israelitas contra a Cisjordânia desde 07 de outubro de 2023, data do ataque do grupo islamita Hamas contra Israel que deu início à guerra.

Em relação aos crimes imputados a Israel, a comissão observa que, enquanto entre 2018 e 06 de outubro de 2023 (um dia antes do ataque do Hamas) morreram seis palestinianos em ataques aéreos, entre 07 de outubro de 2023 e 30 de setembro deste ano, o número subiu para 254.

"O assassinato e a violência deliberada contra civis palestinianos, bem como a destruição de casas na Cisjordânia, juntamente com a recusa de Israel em assumir a responsabilidade, fazem parte de uma estratégia mais vasta para exterminar e deslocar os palestinianos e impor-lhes condições de vida insuportáveis", afirmou o presidente da comissão, Srinivasan Muralidhar.

As operações militares realizadas desde janeiro de 2025 – quando foi articulada uma proposta de cessar-fogo entre Israel e o Hamas - provocaram a maior deslocação de palestinianos na Cisjordânia desde 1967 — quando se deu a chamada Guerra dos Seis Dias entre uma coligação de países árabes e Israel, que saiu vitoriosa —, com mais de 34 mil palestinianos ainda deslocados em agosto passado.

As crianças têm sido as principais vítimas da violência militar israelita, que lhes causou "graves danos físicos e mentais", semelhantes aos sofridos pelas crianças em Gaza, alertou a comissão.

Isto significa, acrescentou, que Israel está a perpetrar "atos de perseguição contra crianças palestinianas com base na sua idade".

Do lado de Gaza, a comissão constatou que as autoridades e as forças israelitas continuaram a cometer atos de genocídio mesmo depois do acordo de cessar-fogo, "com a intenção de destruir o povo palestiniano, no todo ou em parte".

De uma forma mais abrangente, a investigação conclui que a intenção de Israel tem sido a de expandir o seu território, expulsando os palestinianos, o que considera ser uma das principais causas deste conflito prolongado.

"A apropriação do máximo de terras possível, minimizando a população palestiniana em termos de dimensão, autonomia e viabilidade, decorre das políticas de colonização de Israel", afirmou Muralidhar.

Nas suas conclusões, a comissão apela a Israel para que ponha imediatamente fim à ocupação ilegal da Palestina e, entre outras medidas, devolva as terras e todos os bens confiscados aos palestinianos.

A comissão denuncia ainda a Autoridade Palestiniana pela perseguição de palestinianos com opiniões divergentes e pela falha em investigar de forma eficaz e imparcial as mortes ou ferimentos sofridos por jornalistas e defensores dos direitos humanos em ações levadas a cabo pelas forças de segurança palestinianas.

Mais de 3.000 pessoas deslocadas em Hebron após operação israelita

Mais de 3.000 pessoas, incluindo 500 famílias, foram deslocadas em Hebron desde sexta-feira, após uma operação militar israelita na Cisjordânia, informaram as autoridades locais. O número total de deslocados é de 3.189 pessoas, segundo o município.

Lusa | 12:01 - 26/10/2026

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