Congressista alvo de buscas (e "de" Trump): Que levaram? "Para assustar"?
A congressista democrata Ilhan Omar deu a primeira entrevista depois das buscas na sua casa em Minneapolis, no estado norte-americano do Minnesota. A operação foi realizada por agentes de um órgão que pertence ao Serviço de Controlo de Imigração e Alfândegas (ICE), há cerca de uma semana e meia.
As buscas pelos agentes deste órgão, Homeland Security Investigations (Investigações de Segurança Interna, HSI na sigla em inglês), estiveram na casa de Omar a 12 de outubro, dia em que Omar classificou a operação como a "mais recente escalada" de uma campanha de "intimidação" do presidente norte-americano, Donald Trump.
Depois destas primeiras considerações, a congressista quebrou agora o silêncio, descrevendo sobre como decorreu a operação cujas imagens pode ver na galeria acima. Foi nesse dia que, tal como Omar explicou, "insinuavam" que algo ia acontecer com ela. "Acredito que precisavam fazer algo para mostrar: 'Nós fizemos uma operação na casa dela'".
De acordo com o que contou, foi por volta das 6 horas locais que um grupo de agentes - entre dez a 15 - lhe bateram à porta e dando conta de que tinham um mandado de busca, entraram. Os agentes estiveram no local durante quase 5 horas e levaram vários objetos, incluindo vários telemóveis.
"Não se aparece na casa de alguém tão cedo de manhã, a menos que seja para assustar", referiu Omar, acrescentando que as intenções eram para que ela fosse detida. "Obviamente, gostariam de me ver presa, deportada e tudo mais. Mas acho que a maior satisfação para eles seria se eu dissesse: 'Estou cansada de todos e vou-me embora. [Mas] Tenho o direito legal de ser membro do Congresso".
Omar nasceu em Mogadíscio, na Somália, tendo chegado aos Estados Unidos em março de 1995, com estatuto de refugiada.
A operação ocorreu a cerca de três semanas das eleições intercalares de novembro, nas quais a congressista do Minnesota concorre a um novo mandato na Câmara dos Representantes.
O relacionamento entre Omar e Trump nunca foi bom, tendo a congressista denegrido repetidamente a congressista, não só apontado falhas ao seu caráter, como também falando sobre a sua ascendência e fé. Na terça-feira, Trump chegou mesmo a dizer que Omar era "uma pessoa desonesta, que odeia o nosso país".
O presidente já foi questionado sobre se a possibilidade de a congressista ser deportada devido a alegadas declarações falsas na sua documentação na imigração. "Ela pode. Ela pode ir para a prisão", disse Trump.
O chefe de Estado tem denegrido repetidamente o caráter, a fé e a ascendência somali de Omar — mais recentemente, na terça-feira, quando a descreveu como uma “pessoa doentia, muito desonesta, que odeia o nosso país”, ao responder a perguntas de repórteres na Casa Branca.
As buscas foram rapidamente condenadas pelos principais dirigentes democratas no Congresso, considerando a iniciativa um "abuso de poder", e questionando também a proximidade da operação relativamente às eleições. Historicamente, o Departamento de Justiça tem procurado evitar medidas públicas de investigação envolvendo candidatos nos 60 dias anteriores a eleições primárias ou gerais.
Ilhan Omar, de 44 anos, representa o 5.º distrito eleitoral do Minnesota, que inclui Minneapolis, e foi eleita pela primeira vez para a Câmara dos Representantes (câmara baixa do Congresso norte-americano) em 2018.
A congressista norte-americana, a primeira de origem somali, integra o grupo informal de congressistas democratas conhecido como "The Squad", identificado com a ala progressista do partido e conhecido pela forte oposição ao Presidente republicano, Donald Trump.
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