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Cuba: Organizações instam Portugal a votar contra bloqueio dos EUA na ONU

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Minuto Fonte Externa
23 de outubro de 2026 • 3 min de leitura
Cuba: Organizações instam Portugal a votar contra bloqueio dos EUA na ONU

Mais de 40 organizações instaram hoje o Governo português a votar a favor de uma resolução que visa pôr fim ao "bloqueio económico, comercial e financeiro" imposto pelos Estados Unidos contra Cuba na Assembleia Geral da ONU.

 

Na carta enviada hoje ao Governo, os signatários reiteraram as denúncias do executivo de Havana de que os Estados Unidos terão alegadamente pressionado e chantageado outros países a não subscrever apoiar a resolução.

Deste modo, as organizações denunciaram as "inaceitáveis e desesperadas ações, pressões e chantagens promovidas pelos EUA sobre diversos Estados-membros das Nações Unidas para impedir a verdade, a justiça e o apoio" à resolução.

As organizações instaram então o Governo português "a apoiar de novo a resolução apresentada e a agir no quadro das suas relações internacionais, nomeadamente no âmbito da União Europeia, para que outros países continuem a apoiar, através do seu voto, o fim do bloqueio".

No comunicado relembraram ainda que este será o 35.º ano consecutivo em que será debatido e votado na Assembleia Geral da ONU o bloqueio norte-americano contra a ilha.

Tradicionalmente, Portugal vota favoravelmente as resoluções apresentadas por Cuba na ONU a exigir o fim do bloqueio.

A carta hoje enviada surge dois dias após o ministro dos Negócios Estrangeiros cubano, Bruno Rodríguez, ter acusado os Estados Unidos de exercer "pressões externas sem precedentes" de "coação e chantagem" sobre vários países da ONU para alterarem o sentido de voto no próximo debate sobre o embargo à ilha.

O chefe da diplomacia cubana apresentou documentos divulgados pelo Departamento de Estado norte-americano que convidavam delegações estrangeiras para eventos na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, com o objetivo de "obrigar um grupo de países a alterar a sua posição sobre o embargo".

"O Departamento de Estado chegou ao cúmulo do ridículo, pois trata-se de um reconhecimento das intensas ações, chegando ao ponto de pedir a certos países, que há décadas têm um voto tradicional, que abandonem a sala ou se abstenham", salientou Rodríguez ao mostrar um vídeo do embaixador dos EUA junto da ONU, Mike Waltz, a fazer esse pedido.

Rodríguez explicou que, no debate na ONU, previsto para os próximos dias 27 e 28, pela primeira vez a Assembleia-Geral também se vai "pronunciar através de uma resolução" sobre o bloqueio energético imposto por Washington desde janeiro, que interrompeu todas as importações de combustível para a ilha caribenha.

"Nenhum pretexto relacionado com o objetivo obstinado dos EUA, que é uma mudança política em Cuba, nem qualquer divergência política entre governos", justifica estas ações, insistiu.

"Será que os Estados soberanos do planeta permitirão que as leis norte-americanas sejam aplicadas nos seus territórios ou que a jurisdição dos tribunais norte-americanos se aplique nos seus países?", questionou o ministro dos Negócios Estrangeiros cubano, acrescentando que, no debate da próxima semana, "ninguém poderá lavar as mãos".

Leia Também: Havana acusa EUA de chantagearem países a mudar voto na ONU sobre embargo

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