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Dados e críticas sobre a maior rede de alta velocidade da Europa

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Minuto Fonte Externa
3 de novembro de 2026 • 5 min de leitura
Dados e críticas sobre a maior rede de alta velocidade da Europa

O ministro dos Transportes de Espanha vai hoje ao parlamento nacional dar explicações sobre o acidente ferroviário de Urda, Toledo, o segundo com comboios de alta velocidade este ano no país, que fizeram 115 mortos.

 

Espanha tem a maior rede de alta velocidade da Europa e a segunda maior do mundo, a seguir à da China, e soma agora 54% dos mortos em acidentes com estes comboios desde que o primeiro circulou em 1964, no Japão.

"Não é aceitável para um país como Espanha" ter dois acidentes como estes em menos de um ano, disse o próprio primeiro-ministro, o socialista Pedro Sánchez, na semana passada.

O ministro Oscar Puente será ouvido pela comissão permanente do parlamento, uma vez que as Cortes espanholas estão dissolvidas por causa das eleições legislativas de 29 de novembro.

Nos últimos dias, a maioria dos partidos pediu a demissão de Oscar Puente, tanto forças de esquerda como de direita e incluindo parceiros do Governo, liderado pelos socialistas, no parlamento e na coligação que está no executivo.

Estes são alguns dados sobre a alta velocidade espanhola e algumas das críticas e queixas que têm sido feitas à gestão da rede:

Dois acidentes mortais em 9 meses

A alta velocidade ferroviária em Espanha registou este ano dois acidentes graves, o de 28 de outubro em Urda (Toledo), com 69 mortos, e o de 18 de janeiro em Adamuz (Córdova), com 46 mortos.

Os dois acidentes ocorreram no mesmo corredor ferroviário, que liga Madrid à Andaluzia.

As causas do acidente de Adamuz continuam a ser investigadas, mas um primeiro relatório, ainda preliminar, identificou fissuras num dos carris que poderão ter feito descarrilar um comboio, em que posteriormente colidiu outra composição.

Quando ao acidente de Urda, segundo o Governo espanhol, ocorreu depois de ter falhado um sistema de segurança que controla automaticamente a circulação de alta velocidade, conhecido como LZB. A queda desse sistema fez parar todos os comboios num percurso de mais de 60 quilómetros.

Segundo o executivo, operadores do centro de controlo deram de seguida uma ordem errada, contrária aos protocolos, a um comboio, indicando ao maquinista para avançar em marcha normal (alta velocidade). O comboio acabou por embater noutro que estava parado na mesma linha alguns quilómetros mais à frente e que, por questões técnicas, não tinha conseguido ainda voltar a arrancar.

Abertura à concorrência com críticas de sindicatos e especialistas

Inaugurada em 1992, Espanha possui a rede ferroviária de alta velocidade mais longa da Europa e a segunda maior do mundo, com 3.993 quilómetros.

Desde a abertura à concorrência, no final de 2020, três companhias operam comboios de alta velocidade no país, incluindo a Renfe (Red Nacional de los Ferrocarriles Españoles), a principal empresa ferroviária pública espanhola.

Outra das operadoras é a Iryo, controlada pela italiana Ferrovie dello Stato Italiane (FS, empresa-mãe da Trenitalia, com 51%) e por parceiros espanhóis como a Air Nostrum (25%) e a Globalvia (24%). A terceira é a Ouigo España, filial da francesa SNCF.

A abertura à concorrência fez disparar o número de passageiros para perto de 44,5 milhões em 2025 (o dobro de 2019), provocando uma intensidade de utilização que resultou no desgaste acelerado do material circulante e da infraestrutura, segundo especialistas.

Sindicatos e especialistas denunciam ainda que esse crescimento não foi acompanhado de um reforço correspondente e suficiente de meios humanos e de investimento em manutenção.

Segundo dados da Comissão Europeia, entre 2018 e 2022, Espanha dedicou à manutenção da rede de alta velocidade 240 milhões de euros por ano, o equivalente a 16% do que gastou no total nestas vias. Já em França ou na Alemanha, a despesa para a renovação e melhoria de vias já construídas ronda um terço do gasto total.

Linha Madrid-Sevilha liberalizada em 2023

O corredor ferroviário dos acidentes de Urda e Adamuz foi liberalizado em 2023 e a ligação Madrid-Sevilha foi a que mais cresceu em 2025.

No ano passado, viajaram 5,9 milhões de pessoas nesta linha, mais 18,5% do que em 2024 e mais 110% do que em 2022, segundo dados oficiais.

195 mortos na alta velocidade em Espanha

Além dos acidentes deste ano em Urda e em Adamuz, a lista recente em Espanha inclui o descarrilamento de um comboio de alta velocidade em Angrois (A Corunha), em 24 de julho de 2013, que causou 80 mortos e mais de 140 feridos.

Espanha soma assim 195 dos 359 mortos em acidentes com comboios de alta velocidade registados em todo o mundo desde 1964, quando as primeiras destas composições circularam, no Japão.

O maior acidente da história ocorreu na Alemanha, em 1998, com um balanço de 101 vítimas mortais. Seguem-se, em números de vítimas, os três acidentes registados em Espanha.

Identificadas todas as vítimas mortais do acidente ferroviário em Espanha

O Instituto de Medicina Legal e Ciências Forenses de Toledo e Ciudad Real identificou os 69 mortos do acidente ferroviário de quarta-feira em Urda, no centro da Espanha, segundo o Centro Integrado de Dados.

Lusa | 23:18 - 02/11/2026

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