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Detidos no Rossio: Meia centena solidária à porta do tribunal em Lisboa

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Minuto Fonte Externa
26 de outubro de 2026 • 4 min de leitura
Detidos no Rossio: Meia centena solidária à porta do tribunal em Lisboa

Cerca de meia centena de pessoas estão hoje à porta do tribunal, em Lisboa, em vigília solidária com os detidos na madrugada de domingo no Rossio, por resistência na acampada pelo direito à habitação.

 

A Acampada de Lisboa promoveu pelas 13:30 uma vigília junto ao Campus da Justiça para acompanhar os interrogatórios judiciais dos manifestantes detidos pela polícia, voltando ao Rossio pelas 19:00 para mais uma assembleia popular.

Os manifestantes detidos foram presentes ao Juízo Local de Pequena criminalidade cerca das 14:00 pelo crime de desobediência, que tem uma moldura penal baixa, nomeadamente entre um a dois anos de prisão.

"Eu estou cá a marcar presença porque vi estes jovens a darem-nos uma lição de democracia e acho que eles merecem toda a nossa solidariedade, a única coisa que eles fizeram foi falar a verdade sobre um problema que é a habitação, que nós já percebemos que os governos não têm resposta, os sucessivos governos não têm resposta e acho que foi extremamente desproporcional, em todos os sentidos, a reação da polícia ao longo destes tempos. Estamos a falar de umas tendinhas numa praça", disse à Lusa Rui Estrela, que se deslocou ao Campus da Justiça, mesmo sem conhecer nenhum dos detidos.

Para Rui Estrela, os jovens que se têm manifestado pelo direito à habitação estão "a tomar a dianteira de uma ação democrática", que é a capacidade que o povo tem de "controlar os governantes" que elege de quatro em quatro anos.

"Tenho um artigo de 1974 e uma Constituição de 1976. Para mim está claro que a Constituição está acima de tudo e o espírito que está na Constituição, qualquer Constituição, é que as pessoas têm de ter algum poder em mão para controlarem o poder político, mesmo quando é eleito, e é isso que faz a democracia ser saudável", vincou Rui Estrela, que saudou os jovens manifestantes por terem desencadeado a reflexão sobre a crise da habitação, considerando que "estão a ser penalizados por dizer a verdade numa sociedade que se diz democrática".

Também Miriam Santos, que estava no Rossio na madrugada de sábado para domingo, fez questão de marcar presença à porta do tribunal "em solidariedade com todas as pessoas que foram detidas" e com as que, não tendo sido detidas, "levaram com bastonadas" enquanto defendiam "um direito da Constituição".

"Nós estávamos pacíficos, já estavam duas carrinhas da polícia quando as pessoas estavam apenas a descansar, a conversar, e começaram a chegar cada vez mais carrinhas. Nós unimo-nos e ficámos com o objetivo de proteger as tendas e nos protegermos a nós. A polícia começou a avançar, estiveram cerca de uma hora em chantagem e ameaças, algo do género 'ou tiram as tendas ou é a vossa integridade física'", relatou à Lusa.

Miriam Santos revelou ainda que a polícia disse, naquela noite, que se os manifestantes não retirassem as tendas em Lisboa, iriam agir no Porto.

"Isto não é democracia em lado nenhum, isto é absoluta chantagem, isto é o início da ditadura, nós já vimos isto acontecer, não podemos deixar que aconteça outra vez, houve pessoas que lutaram para termos estes direitos, para sairmos à rua", realçou a jovem.

Quanto à alegada ilegalidade da colocação de tendas na praça do Rossio, Miriam lembrou outros protestos com tendas em frente à Assembleia da República, em que a polícia não entrou em confronto com os manifestantes.

Apesar de também não conhecer nenhum dos detidos, Miriam defendeu que "a partir do momento que mexem com uma pessoa, já mexeram com o povo inteiro".

Na madrugada de domingo, a PSP dispersou, à bastonada e com recurso a cães, as manifestações em Lisboa e no Porto, após mais de duas horas de tensão e ordens para que as pessoas saíssem e as tendas fossem retiradas.

Os manifestantes mantiveram-se no local, invocando o direito constitucional à manifestação, e a PSP interveio.

Em resultado, a polícia registou 33 feridos e 31 detidos por desobediência.

Leia Também: Manifestantes detidos na acampada chegam ao tribunal

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