Do "não vejo caso" ao "inaceitável": Partidos reagem à polémica do IHRU
As declarações do presidente do Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU) estão a marcar o final desta semana e, entre "não ter sido feliz" naquilo que disse sobre a sociedade atual não estar "disponível para o mesmo nível de sacrifício" que gerações anteriores, houve reações partidárias.
As reações começaram a chegar ainda na quinta-feira, quando as declarações foram feitas, mas, entretanto, já os partidos fizeram as suas considerações sobre o que foi dito.
Recorde-se que, enquanto falava aos jornalistas, Benjamim Pereira disse: "Já fomos todos jovens, não é? (...) E percebemos essa dificuldade. Eu não sei se a sociedade atual está disponível para o nível de sacrifício que os nossos pais e os nossos avós fizeram para ter uma casa. E a casa, apesar de estar".
Já esta sexta-feira, o presidente do IHRU emitiu um comunicado, no qual admitiu que suas declarações sobre o sacrifício dos jovens para comprar casa não foram felizes. "Embora sem qualquer intenção, aceito não ter sido feliz em todas as expressões que utilizei, mas acredito no que estou a fazer, acredito no caminho delineado pela tutela e dou todos os dias o meu melhor, colocando ao serviço dos portugueses a minha experiência profissional e política adquirida ao longo de anos de trabalho e de serviço público".
Das justificações suficientes ao pedido de demissãoOs responsáveis políticos dividem-se entre quem condena - e quem não -, passando até por aqueles que, não ficando muito "felizes" com as declarações do responsável do IHRU, não querem a sua demissão.
O deputado do Chega Francisco Gomes pediu hoje a demissão de todo o Governo, acusando o Executivo de "incompetência" e defendendo que o seu partido liderado por André Ventura está pronto para governar e virar a página.
"Que se vá ele [Benjamim Pereira], que se vá Montenegro, que vão todos os amigos do PSD, porque nós precisamos de uma nova página na política. E uma nova página não se escreve com os mesmos de sempre. Nós precisamos de mudar de pessoas. Só assim é que conseguimos mudar o país", enfatizou.
Também o Bloco de Esquerda exigiu a saída do presidente do IHRU e, pela voz do deputado único Fabian Figueiredo, foi justificado: "Benjamim Pereira não está, nem tecnicamente, nem politicamente, apto para o cargo que ocupa. Ele está no cargo há dois anos e ainda não conseguiu pôr o apoio à renda a funcionar. Incompetência técnica".
O porta-voz do Livre, Jorge Pinto, condenou as declarações de Benjamim Pereira e criticou o silêncio do primeiro-ministro, Luís Montenegro, sobre as manifestações contra a crise da habitação. "As declarações foram vergonhosas, foram inaceitáveis e foram em boa medida até provocatórias, perante tudo aquilo que está a acontecer no país", criticou Jorge Pinto, em declarações à agência Lusa.
Para Jorge Pinto, o recuo dado pelo presidente do IHRU no comunicado "não basta", sustentando que as palavras do responsável do IHRU demonstraram que as pessoas que estão "no topo do Estado" e têm "uma palavra a dizer sobre o que fazer para solucionar os problemas da habitação" mostram estar afastados dos "problemas concretos dos portugueses".
Já a Iniciativa Liberal (IL) considerou infelizes as declarações do presidente do IHRU, mas não pediu a sua demissão, alegando que os problemas do setor da habitação são mais profundos e não se resolvem com a saída de uma pessoa.
"[...] Nós, na Iniciativa Liberal, não queremos cabeças a rolar, nós queremos gruas a funcionar. O problema do IHRU não é este presidente, vem de trás, vem de há muitos anos e nunca foi resolvido", disse líder parlamentar da IL, Mário Amorim Lopes.
Paula Santos, líder parlamentar do PCP, considerou as declarações do presidente do IHRU "inaceitáveis". "Revelam um profundo desprezo pela situação dos jovens no nosso país [...]. O PCP vai requerer audição do presidente do IHRU na respetiva Comissão porque, de facto, estas declarações exigem um Confronto", apontou.
O PAN também quer chamar o Benjamim Pereira à Assembleia da República. "Não apenas para esclarecer as suas declarações, porque o mesmo já se veio retratar, mas acima de tudo, [para explicar] o que é que o IHRU está a fazer para dar a resposta à crise habitacional que estamos a viver e que, de forma legítima, os jovens se estão a manifestar", disse a porta-voz do partido, Inês Sousa Real.
Do lado do Partido Social Democrata (PSD), Hugo Soares reagiu desde logo, ainda na quinta-feira, dizendo que não via "caso" neste episódio. "Eu não vejo aqui caso, honestamente. Percebo que nós estamos todos com um grau de conflitualidade no debate político e público demasiado alto, mas eu não vejo caso nas palavras do senhor presidente do IHRU, porque eu entendi-as desta forma: 'Os jovens não querem fazer nem devem fazer este sacrifício'. Ele diz que os jovens não devem emigrar, ele diz exatamente isso", afirmou, em entrevista à SIC Notícias.
Pedido de desculpas aceite pelo GovernoPor outro lado, o ministro das Infraestruturas e da Habitação, Miguel Pinto Luz, considerou infelizes as declarações em causa, exigindo explicações a Benjamim Pereira - que mais tarde emitiu o comunicado referido acima.
Já esta tarde, confrontado novamente sobre o que foi dito ontem, Pinto Luz apontou que Benjamim Pereira se "retratou" na nota e que as explicações foram "necessárias e suficientes". Desta forma, considerou, "estão reunidas condições para que o instituto prossiga com o seu trabalho".
Presidente do IHRU questiona sacrifícios dos jovens para ter casaO presidente do Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU) disse hoje não saber "se a sociedade atual está disponível para o nível de sacrifício" da anterior, recordando que os seus próprios avós emigraram "para poderem ter uma casa".
Lusa | 16:12 - 22/10/2026Conteúdo importado automaticamente via RSS de Minuto.
Todos os direitos autorais e de propriedade intelectual pertencem ao veículo de origem. Leia a matéria completa na fonte original
Leia Também
Ver todas as notícias →Comentários (0)
Nenhum comentário publicado ainda.
Seja o primeiro a compartilhar sua opinião sobre esta matéria!
Deixe seu comentário
Seu e-mail não será divulgado publicamente. Comentários passam por moderação antes da publicação.