Economia no centro da 1.ª visita de um chefe de governo iraquiano à Síria
O primeiro-ministro iraquiano, Ali al-Zaidi, iniciou hoje a primeira visita à Síria desde a queda de Bashar al-Assad, no final de 2024, numa altura em que os dois países vizinhos procuram reforçar a cooperação económica e petrolífera.
Al-Zaidi foi recebido no aeroporto de Damasco pelo Presidente sírio, Ahmad al-Chareh, segundo a televisão estatal.
Após uma coligação islamista ter derrubado Bashar al-Assad, o Iraque adotou inicialmente uma postura prudente, antes de afirmar a sua vontade de reforçar as relações bilaterais.
Os dois países partilham uma fronteira com mais de 600 quilómetros e a Síria procura afirmar-se, desde o início da guerra no Médio Oriente, como um ponto de passagem para o trânsito de energia.
Vários altos responsáveis políticos, dos serviços de informações e da justiça já se deslocaram a Damasco desde o final de 2024. Ali al-Zaidi e Ahmad al-Chareh já se tinham reunido em Nova Iorque, em setembro, à margem dos trabalhos da Assembleia Geral da ONU.
Numa entrevista ao canal iraquiano Dijlah, transmitida na noite de terça-feira, o Presidente sírio afirmou que, desde que chegou ao poder, "foi construída uma relação positiva entre a Síria e o Iraque, sobretudo no plano económico".
As restrições impostas pelo Irão à navegação no estreito de Ormuz, vital para o abastecimento energético mundial, obrigaram o Iraque a interromper a produção na maioria dos seus campos petrolíferos, por falta de capacidade de armazenamento, e a recorrer a exportações limitadas, nomeadamente para a Síria.
Em julho, o Iraque assinou um memorando de entendimento com Damasco com vista à reativação do oleoduto Haditha-Banias, destinado a transportar a produção iraquiana para os mercados de exportação do Mediterrâneo e além.
O oleoduto data de 1952, mas foi desativado em 2003, depois de ter sido danificado no início da invasão norte-americana do Iraque.
O Presidente sírio abordou também a situação dos detidos sírios no Iraque. Em fevereiro, os Estados Unidos transferiram da Síria para o Iraque mais de 5.700 detidos de 61 nacionalidades, suspeitos de terem combatido ao lado do grupo jihadista Estado Islâmico (EI).
Ahmad al-Chareh afirmou que "cerca de 3.000 sírios" se encontram entre os detidos, alguns dos quais não têm "qualquer ligação" ao EI, e que estão em curso esforços para avaliar a possibilidade de os repatriar.
O Presidente sírio, antigo jihadista, esteve ele próprio preso no Iraque, para onde se deslocou a fim de combater a invasão norte-americana, em 2003.
No ano passado, optou por não participar na cimeira da Liga Árabe organizada em Bagdade, depois de responsáveis iraquianos se terem oposto à sua visita, tendo enviado em seu lugar o ministro dos Negócios Estrangeiros.
PM iraquiano demite chefe dos serviços secretosO primeiro-ministro do Iraque, Ali al-Zaidi, destituiu hoje o chefe do Serviço Nacional de Informações, Hamid al-Shatri, nomeado pelo anterior chefe de Governo, Mohamed Shia al-Sudani, há pouco mais de dois anos. A decisão, com data de hoje, foi assinada pelo chefe de gabinete do primeiro-ministro, Rashad Jalaf Hashim, e divulgada pela agência de notícias iraquiana INA.
Lusa | 16:43 - 26/10/2026Conteúdo importado automaticamente via RSS de Minuto.
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