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Em bairro rico de Brooklyn, democracia pesa mais do que economia no voto

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Minuto Fonte Externa
3 de novembro de 2026 • 4 min de leitura
Em bairro rico de Brooklyn, democracia pesa mais do que economia no voto

Em Fort Greene, um dos bairros mais ricos de Brooklyn, vários eleitores disseram à Lusa que a defesa da democracia pesa mais do que a economia e que votarão nos democratas para retirar poder a Donald Trump.

 

Num ritmo acelerado, mas sem filas, os eleitores deste bairro nova-iorquino - conhecido pelas suas luxuosas moradias históricas - começaram a votar às 06:00 da manhã (hora local, 11:00 em Lisboa), naquele que se antevê um longo dia de votação para as intercalares dos Estados Unidos.

Apesar das sondagens nacionais mostrarem a economia como o maior influenciador de sentido de voto nestas eleições que ocorrem no meio do mandato presidencial, vários moradores de Fort Greene mostraram-se mais preocupados com os alegados desvios do caminho democrático conduzidos pelo Presidente do país, considerando essencial uma mudança no equilíbrio de forças em Washington.

"O meu principal objetivo é que Donald Trump saia [da Casa Branca]. O panorama geral é que ele não respeita a democracia e não respeita a ideia de país. E para mim, atingimos um limite", disse John, um eleitor nova-iorquino.

"Passámos centenas de anos com um país que funciona de uma certa maneira e deveria funcionar de uma certa maneira, e ele [Trump] simplesmente não se importa. Só se importa consigo mesmo. Eu sei que ele é um mau Presidente e precisamos de enviar uma mensagem", acrescentou, assumindo o voto nos democratas.

Admitindo à Lusa estar financeiramente confortável, este morador de Fort Greene reconheceu que muitos milhões de norte-americanos não podem dizer o mesmo e debatem-se com o elevado custo de vida no país.

No entanto, insistiu que a luta pela democracia é o principal fator que o levou a sair de casa para votar na manhã de hoje.

"Eu acho que sem tudo a funcionar plenamente, sem as instituições a funcionar, sem o país a funcionar, então nada mais vai funcionar. A economia vai falhar se houver corrupção. Este país foi bom durante muitos anos. Nem tudo foi perfeito, mas foi bom. E eu só não quero que isto acabe", acrescentou.

As eleições intercalares são particularmente importantes, uma vez que podem alterar o equilíbrio de poder em Washington, a meio do segundo mandato de Donald Trump.

Se perder o controlo de uma das câmaras do Congresso, o Presidente terá mais dificuldades em fazer aprovar a sua agenda legislativa.

O estado de Nova Iorque elegerá 26 congressistas para a Câmara dos Representantes, a câmara baixa do Congresso.

Brooklyn é um dos distritos de Nova Iorque com forte tradição de voto democrata e essa tendência ficou evidenciada ao longo da manhã de hoje, com vários eleitores a confirmarem os seus votos nos candidatos do partido que está hoje na oposição no Congresso Nacional.

Exemplo disso foi Rose, uma eleitora sexagenária que disse à Lusa ter "esperança" de que os democratas recuperem o controlo do Congresso, mostrando-se entusiasmada com os resultados das sondagens, que mostram um cenário otimista para as forças do campo azul, cor do Partido Democrata.

"O país está com um ambiente tão negativo. Acho que deveríamos ser um país aberto, mas tornámo-nos o oposto. Eu criei os meus filhos sob o ideal de que as pessoas são todas iguais. Não importa de onde vêm. E hoje este país já não é assim", refletiu.

"A cidade de Nova Iorque ainda é mais justa do que outras. Mas penso que, como país, não estamos bem, que regredimos e que permitimos que a retórica que parece ser comum agora se acomode. O que antes incomodava as pessoas, já não incomoda tanto. E isso a mim incomoda-me muito. Por isso, oponho-me aos republicanos", afirmou.

Rose foi uma das quase 700 mil pessoas que votaram antecipadamente na cidade de Nova Iorque. Mas, mesmo assim, decidiu acordar cedo e acompanhar a filha e o genro à assembleia de voto em Fort Greene.

O ambiente era familiar no local, com várias pessoas a dirigirem-se às urnas na companhia de crianças e de animais de companhia.

Um pai explicava à sua filha pequena: "Sabes, votar é um privilégio. Um dia também vais poder votar".

Em Nova Iorque, as urnas fecham às 21:00 (hora local, 02:00 de quarta-feira em Lisboa).

Além do impacto nacional deste sufrágio, os eleitores nova-iorquinos escolhem também quatro cargos estaduais: governador, vice-governador, procurador-geral e controlador financeiro do estado.

Leia Também: Trump acredita que republicanos terão resultado "melhor do que previsto"

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