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Entroncamento estreia obra musical inspirada em Garrett, Eça e Pessoa

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Minuto Fonte Externa
27 de outubro de 2026 • 4 min de leitura
Entroncamento estreia obra musical inspirada em Garrett, Eça e Pessoa

O Museu Nacional Ferroviário, no Entroncamento, estreia no sábado a obra musical "Pouca Terra", do compositor César Viana, inspirada em textos de escritores portugueses, num concerto comemorativo dos 170 anos do caminho de ferro em Portugal.

 

"'Pouca Terra' começa com aquele sentimento de espanto de 1856, perante uma máquina que parecia anunciar um país novo, e chega ao comboio das nossas próprias memórias e dos nossos dias: das viagens, dos atrasos, dos encontros e desencontros, das partidas, dos regressos", explicou o compositor, citado num comunicado divulgado pelo museu.

O concerto, marcado para as 16:30 de sábado, no Museu Nacional Ferroviário (MNF), no Entroncamento, distrito de Santarém, tem entrada livre e assinala os 170 anos da primeira viagem ferroviária em Portugal, realizada em 28 de outubro de 1856, entre Lisboa e o Carregado.

A composição inédita de César Viana reúne textos de diferentes épocas, desde o relato da Marquesa de Rio Maior sobre a viagem inaugural até obras de Almeida Garrett, Eça de Queirós e Fernando Pessoa, passando por autores contemporâneos.

Através destas referências literárias, a obra procura retratar a evolução da relação dos portugueses com o comboio, desde o entusiasmo provocado pela chegada de uma nova tecnologia até às memórias individuais e coletivas associadas às viagens ferroviárias.

O espetáculo junta um recitante, três cantores e um conjunto de nove músicos, com instrumentos como saxofones, trompetes, trombone, contrabaixo, bateria, violino e clarinete, numa combinação de música, palavra e interpretação cénica.

"Nem sempre é muito claro onde acaba a fala e começa o canto", afirmou César Viana, explicando que a composição recorre à recitação ritmada e ao 'Sprechgesang', técnica vocal situada entre a fala e o canto, envolvendo também os instrumentistas na interpretação dos textos.

A apresentação será acompanhada por um vídeo com imagens e transcrições de excertos literários utilizados na composição, procurando estabelecer uma ligação entre a memória ferroviária, a literatura portuguesa e a criação musical contemporânea.

Com uma duração aproximada de 60 minutos, a estreia resulta de uma parceria entre o Museu Nacional Ferroviário e a Musicamera Produções, dedicada à criação e divulgação de música erudita e de câmara.

O concerto integra a programação cultural desenvolvida pelo museu no âmbito dos 170 anos do caminho de ferro, depois do lançamento, em setembro, do ciclo "Música no Museu", que leva concertos de música de câmara a diferentes espaços da coleção ferroviária.

A iniciativa tem cruzado a música com o património industrial, utilizando locais como a Rotunda das Locomotivas, a Sala do Comboio Real e o Armazém de Víveres, com programas concebidos para estabelecer uma relação entre os instrumentos, as obras interpretadas e os espaços históricos.

A efeméride assinala a inauguração, em 28 de outubro de 1856, do primeiro troço ferroviário português, entre Lisboa e o Carregado, acontecimento que marcou o início da expansão da rede ferroviária e transformou as ligações entre cidades, regiões e populações.

As comemorações nacionais, que decorrem entre 2026 e 2027, incluem a recriação da viagem inaugural, marcada para quarta-feira, entre Lisboa-Santa Apolónia e o Carregado, num comboio histórico com locomotiva a vapor e cenografia de época, além de exposições, conferências e visitas a instalações ferroviárias.

Inaugurado em 18 de maio de 2015, o Museu Nacional Ferroviário ocupa uma área de 4,5 hectares no Entroncamento e reúne mais de 36 mil objetos ligados à história dos caminhos de ferro, incluindo locomotivas, carruagens, equipamentos e composições históricas como o Comboio Real e o Comboio Presidencial.

A instituição, instalada numa cidade cujo crescimento esteve diretamente associado ao desenvolvimento ferroviário, tem procurado alargar a sua programação cultural, aproximando a preservação do património histórico de novas formas de expressão artística.

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