Escavações na Bélgica revelam restos mortais de 141 soldados da I Guerra
Escavações arqueológicas num campo de golfe em Ypres, no sudoeste da Bélgica, permitiram descobrir os restos mortais de pelo menos 141 soldados da Primeira Guerra Mundial, além de trincheiras, túneis e milhares de objetos militares.
As descobertas ocorreram durante as obras de ampliação do campo de golfe do clube De Palingbeek, situado numa região da Flandres que foi palco de intensos combates durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), informou a agência noticiosa local Belga.
Além dos restos humanos, os arqueólogos identificaram uma trincheira francesa de 1914, em bom estado de conservação, e vários túneis construídos pelas forças alemãs.
Foram também recuperados mais de 2.000 objetos, incluindo uma corneta e um boné militar britânicos, um sabre pertencente a um oficial francês e uma espingarda Lebel, utilizada pelo Exército francês durante o conflito.
Muitos destes objetos deverão integrar a coleção do museu In Flanders Fields, situado em Ypres e dedicado à história da Primeira Guerra Mundial naquela região.
As escavações decorreram ao longo de um ano e meio, em várias fases, numa área de 2,1 hectares que foi ocupada sucessivamente por tropas francesas, britânicas e, na fase final do conflito, alemãs.
Na primeira fase, os arqueólogos exumaram os restos mortais de 29 soldados alemães e quatro franceses, embora a maioria não tenha podido ser identificada.
A dimensão das descobertas levou à mobilização de uma equipa de antropólogos franceses e alemães para apoiar os trabalhos de investigação e identificação das vítimas.
Numa segunda campanha de escavações, foram recuperados mais 83 corpos.
Posteriormente, os investigadores encontraram os restos mortais de outros 22 soldados franceses.
Segundo a agência Belga, os arqueólogos admitem que possam existir ainda mais corpos enterrados naquela área.
As equipas continuam a preparar os relatórios científicos e a desenvolver os trabalhos de identificação dos militares, cujos restos mortais deverão receber sepultura.
Ypres foi um dos principais cenários da frente ocidental da Primeira Guerra Mundial, tendo sido palco de sucessivas batalhas entre as forças alemãs e os exércitos aliados.
A região conserva numerosos cemitérios militares, monumentos e vestígios das trincheiras que marcaram os quatro anos de conflito.
O arqueólogo Bert Heyvaert deverá apresentar os resultados das escavações numa conferência especial marcada para 11 de novembro, no local das descobertas.
A iniciativa coincide com o Dia do Armistício, assinalado anualmente na Bélgica para recordar o fim da Primeira Guerra Mundial, em 11 de novembro de 1918.
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