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Estrangeiros detidos na Guiné-Conacri após proibição do garimpo ilegal

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Minuto Fonte Externa
6 de novembro de 2026 • 3 min de leitura
Estrangeiros detidos na Guiné-Conacri após proibição do garimpo ilegal

O Governo da Guiné-Conacri anunciou na quinta-feira à noite que milhares de garimpeiros estrangeiros foram detidos em locais de garimpo clandestino e entregues às respetivas embaixadas, na sequência da proibição desta atividade esta semana.

 

Estas expulsões ocorrem num contexto de reforço da luta contra a garimpagem ilegal neste país produtor de ouro, onde as minas atraem muitos africanos ocidentais, nomeadamente do Burkina Faso.

Na segunda-feira, o Governo guineense anunciou a proibição formal da exploração artesanal de ouro em várias zonas da região aurífera de Siguiri (nordeste), bem como a mobilização permanente das forças de defesa e segurança para fazer cumprir esta medida.

"Milhares de garimpeiros de diferentes nacionalidades, entre os quais 409 burkinabés e 606 malianos, foram detidos [após esta proibição]", afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros da Guiné-Conacri, Morissanda Kouyaté, na televisão pública, no final de um encontro com diplomatas destacados em Conacri.

Kouyaté acrescentou ainda que os garimpeiros detidos foram, posteriormente, "entregues às representações diplomáticas dos seus respetivos países, no âmbito de uma abordagem que privilegia as relações de boa vizinhança".

O Burkina Faso está a organizar, esta semana, o repatriamento de milhares dos seus cidadãos da Guiné-Conacri, na sequência das medidas tomadas por Conacri, confirmou a agência de notícias France-Presse (AFP) na quarta-feira através de uma fonte do Governo do país e de um meio de comunicação social estatal.

"A proteção do ambiente não pode ser sacrificada em nome da fraternidade africana. Quantas pessoas foram hospitalizadas por causa do cianeto", um produto químico utilizado pelos garimpeiros na sua atividade, afirmou Kouyaté.

O chefe da diplomacia guineense referiu a destruição de cursos de água e florestas, bem como a morte de animais, entre os danos causados pelo garimpo ilegal.

Kouyaté afirmou, ainda, que estes danos ambientais são incompatíveis com os compromissos internacionais da Guiné-Conacri.

A AFP confirmou hoje de manhã que sete antigos administradores territoriais da região de Siguiri foram colocados sob mandado de detenção na quarta-feira, após terem comparecido perante o Tribunal de Repressão de Infrações Económicas e Financeiras (CRIEF), no âmbito de uma investigação sobre as consequências ambientais do garimpo clandestino.

A exploração artesanal de ouro na região de Siguiri é uma importante fonte de rendimento para a população, mas está frequentemente associada a problemas de degradação ambiental e de segurança.

Missões de inspeção e avaliação realizadas nos últimos meses em Siguiri revelaram, nomeadamente, uma degradação alarmante dos solos, das terras agrícolas e da cobertura vegetal, bem como a poluição e o assoreamento dos cursos de água, de acordo com um comunicado do Governo publicado na segunda-feira.

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Lusa | 11:31 - 03/10/2026

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