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Estudo revela como adaptar vinhas do Douro e Alentejo ao clima

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Minuto Fonte Externa
30 de outubro de 2026 • 4 min de leitura
Estudo revela como adaptar vinhas do Douro e Alentejo ao clima

As medidas de adaptação da viticultura às alterações climáticas têm que conjugar castas, tipo de solos, a disponibilidade de água e práticas culturais, segundo o projeto VineAdapt2Climate que teve como "laboratório" vinhas no Douro e Alentejo.

 

"As medidas de adaptação têm que ser feitas à escala da parcela, têm que entrar em linha de conta com toda a complexidade do sistema, desde o tipo de castas, os solos, as disponibilidades de água, as práticas culturais. Tudo isso tem que ser conjugado de maneira a depois definir um pacote de medidas de adaptação que seja adequado a cada local específico. Portanto, não há uma solução que seja generalizada para todos", afirmou hoje à agência Lusa João Santos, investigador da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD).

Durante três anos, os parceiros do VineAdapt2Climate estudaram detalhadamente as condições de cada território e a forma como a vinha, quer seja no Douro no Alentejo, poderá responder a diferentes cenários climáticos.

O objetivo do projeto é ajudar o setor da vinha e do vinho a adaptar-se às alterações climáticas que estão em curso e que, segundo o investigador, "são cada vez mais evidentes".

"No caso da UTAD, desenvolvemos investigação de base sobre a modelação do clima, projeções climáticas, desenvolvemos cenários de temperaturas, precipitações, mas também de índices de zonagem agroclimática e aplicámos também um conjunto de metodologias inovadoras para produzir esta informação com uma resolução espacial muito elevada à escala da parcela da vinha e aplicámos depois também modelos da videira", explicou João Santos.

As principais conclusões do projeto, que visam apoiar decisões mais informadas no setor, foram apresentadas hoje, durante um 'workshop' que decorreu na vila duriense do Pinhão, no concelho de Alijó, distrito de Vila Real.

O diagnóstico aponta, segundo explicou o investigador, para uma "subida acentuada das temperaturas" e para "problemas de stress hídrico, stress térmico, stress radiativo".

Ou seja, antevê-se uma "subida generalizada das temperaturas e depois também uma tendência para uma diminuição da precipitação e um aumento da secura e da aridez".

Integrado no âmbito das Agendas Mobilizadoras para a Inovação do Plano de recuperação e Resiliência (PRR), o VineAdapt2Climate é liderado pela UTAD e tem como parceiros a Associação para o Desenvolvimento da Viticultura Duriense (ADVID) e as empresas Symington Family Estates e o Esporão, apostando na ligação entre conhecimento científico, condições locais e necessidades concretas do setor.

A Symington criou vinhas experimentais no Douro onde investiga o comportamento das diversas castas de uvas e a capacidade de resistência à seca e ao tempo quente.

"Onde conseguimos hoje em dia, no fundo, sequenciar, por exemplo, as datas de pintor das diferentes castas, portanto, um período extremamente importante para o ciclo da planta", afirmou Fernando Alves, em representação da empresa.

O responsável disse que, na prática, para mitigar os efeitos das alterações climáticas, nas novas plantações, a produtora de vinhos está a escolher castas com um ciclo mais tardio e mais resistentes à secura, ao stress hídrico e ao calor, tendo ainda em conta a exposição solar e as características dos solos.

Segundo a ADVID, a "relevância deste trabalho ficou particularmente evidente na vindima de 2026, marcada pela antecipação do ciclo vegetativo e por episódios de calor extremo".

O ano vitícola foi marcado por temperaturas sistematicamente acima da média e por uma precipitação muito heterogénea ao longo da campanha e, apesar das chuvas intensas do inverno, a partir de março, verificou-se uma redução muito acentuada da precipitação e secura e calor significativos durante toda a primavera e verão, incluindo o mês de setembro.

Perante estas condições, o Douro deverá ter uma produção média ou ligeiramente abaixo da média. O prazo para a entrega das declarações de colheita e produção termina no sábado.

Leia Também: Especialistas pedem que alterações climáticas sejam declaradas emergência

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