EUA. Condenada por receber treino do EI após casar com combatente
Uma mulher de Nova Iorque, levada pelo pai para a Síria ainda adolescente e casada por este com um combatente do Estado Islâmico (EI), foi condenada na terça-feira por ter recebido formação no manuseamento de armas oferecida pelo grupo terrorista.
Segundo os procuradores, Halima Salman, cidadã norte-americana, jurou lealdade ao grupo extremista e participou voluntariamente nas suas atividades.
Os jurados assistiram a um vídeo em que ela aparece a segurar uma espingarda de assalto, viram uma fotografia sua com a bandeira do grupo e leram mensagens carinhosas que enviou ao marido.
O procurador federal Joseph Nocella Jr., que exerce funções em Brooklyn, destacou em comunicado que o veredicto responsabiliza Salman "por unir forças a uma organização terrorista".
A defesa procurou retratar Salman, atualmente com 27 anos, como uma adolescente que acabou por ser presa, sem saber, na guerra civil síria, primeiro por causa do pai e, depois, por um marido extremista cujas ordens era obrigada a seguir.
Salman referiu no seu depoimento que se recusou a ser "entregue em casamento" aos 18 anos e que tentou, por diversas vezes, obter o divórcio.
Salman, a mãe e até os seus advogados de defesa choraram ao ouvir o veredicto.
Ainda em lágrimas, Salman e a mãe abraçaram-se, separadas apenas pela grade que divide a zona do público do recinto do tribunal.
Os jurados, que iniciaram as deliberações na quinta-feira, tinham sinalizado na segunda-feira que estavam a ter dificuldades em chegar a uma decisão unânime.
À saída do tribunal após o anúncio do veredicto, os membros do júri preferiram não fazer comentários.
Os advogados de Salman também optaram por não fazer comentários e solicitaram ao juiz que anule o veredicto e a absolva, uma possibilidade prevista na lei federal caso o magistrado entenda que as provas apresentadas no julgamento não suportam, legalmente, uma condenação.
Pedidos deste tipo são frequentes, mas raramente aceites.
A condenação de Salman pode resultar numa pena até 10 anos de prisão. A sentença está prevista ser proferida em 02 de fevereiro.
O Estado Islâmico, classificado pelo governo norte-americano como um grupo terrorista, assumiu o controlo de vastas áreas do Iraque e da Síria em 2014, declarando o território como um califado.
Apesar da sua derrota no Iraque, em 2017, e na Síria, dois anos depois, o grupo ainda mantém células adormecidas que realizam ataques letais em ambos os países.
Nascida em Brooklyn, Salman tinha 17 anos quando o pai levou a família para o que ela pensava ser uma viagem para visitar familiares na Turquia, em 2017. Em vez disso, a carrinha atravessou a fronteira para a Síria, onde homens armados e mascarados os cercaram.
Contou que passou três meses num alojamento gerido pelo grupo EI antes de reencontrar a sua família. Mudaram de lugar duas vezes, pois as suas residências foram atingidas por ataques aéreos.
Salman relatou que passou a maior parte do tempo de casada a realizar tarefas domésticas para o marido e a sogra. O seu pai morreu após ter sido ferido num ataque aéreo, em 2018.
Os procuradores sustentaram que Salman não foi sincera e que teve, na Síria, um grau de autonomia superior ao que alegava.
Durante o interrogatório, conseguiram que ela admitisse ter enviado, em tempos, uma canção religiosa sobre Osama bin Laden ao marido.
Os procuradores contestaram também o relato de Salman sobre um casamento infeliz, citando duas mensagens carinhosas que enviou ao marido.
Salman foi detida em Baghouz, na Síria, em 2019, por forças que se opunham ao grupo EI. Foi detida pelas autoridades norte-americanas quando regressou a Nova Iorque, em 2024.
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