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EUA e Irão negociaram deportação de iranianos durante guerra

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Minuto Fonte Externa
5 de novembro de 2026 • 4 min de leitura
EUA e Irão negociaram deportação de iranianos durante guerra

O executivo norte-americano liderado por Donald Trump manteve negociações secretas com o Irão sobre a deportação de iranianos, mesmo enquanto a guerra no país do Médio Oriente prosseguia, segundo documentos judiciais obtidos pela agência Associated Press (AP).

 

Os documentos, tornados hoje públicos, mostram que, ainda em meados de outubro, o governo republicano declarou ter planos para deportar iranianos através de um terceiro país não identificado, embora não fosse claro quando o pretendia fazer.

O juiz responsável pelo caso determinou que o governo notificasse o tribunal com 24 horas de antecedência sobre qualquer plano definido para deportar iranianos para o Irão ou para qualquer outro país, e que apresentasse um aviso por escrito com cinco dias de antecedência antes da execução de qualquer deportação deste tipo.

Os documentos indicam que o governo manteve contactos com as autoridades iranianas durante a guerra a propósito destas deportações, tratando especificamente do envio de documentos de viagem e da procura de "possíveis vias para a remoção".

"Estamos em guerra com um país sobre o qual o Presidente dos Estados Unidos afirmou, há apenas dois ou três dias, se não ontem (quarta-feira), que é, essencialmente, um lugar sem lei (...) Um país que é inimigo dos Estados Unidos, segundo o atual presidente. Um país que, de acordo com o nosso presidente, assassinou dezenas de milhares de manifestantes", frisou a juíza Ana Reyes, segundo transcrição de 15 de outubro.

"E o que me está a dizer é que os Estados Unidos da América pretendem enviar indivíduos de volta para esta região, onde enfrentarão, como o senhor, eu e qualquer pessoa que analise este caso sabemos, no mínimo, uma grave ameaça de morte certa", acrescentou.

"Sim, meritíssima. O governo está a executar ordens legais de deportação", respondeu o advogado do Departamento de Justiça, Dimitar Georgiev-Remmel.

A revelação surgiu no âmbito de um processo judicial em curso, que alega que as agências de imigração da administração Trump partilharam informações confidenciais sobre requerentes de asilo iranianos com o governo do Irão, uma conduta que, segundo os autos, viola as normas nacionais de imigração e coloca em risco inúmeros iranianos.

O processo descreve uma campanha coordenada entre os governos dos EUA e do Irão para identificar iranianos sob custódia do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) e pressioná-los a regressar ao Irão, uma mudança significativa em relação a décadas de hostilidade diplomática entre os dois governos e a um estado de conflito contínuo.

O Departamento de Segurança Interna (DHS) negou que esteja a partilhar registos de pedidos de asilo com o governo iraniano.

Centenas de e-mails trocados entre as autoridades de imigração dos EUA revelaram como os dois países colaboraram para organizar o regresso de mais de 100 iranianos ao Irão, através de três voos de imigração realizados em setembro e dezembro de 2025, e em janeiro de 2026.

A deportação de iranianos para o seu país de origem é historicamente rara, devido à ausência de relações diplomáticas entre os EUA e o Irão, bem como ao risco de perseguição que estas pessoas poderiam enfrentar caso fossem para lá enviadas.

No entanto, sob a administração Trump, o ICE tem procurado, de forma agressiva, deportar indivíduos, incluindo de nações que, tradicionalmente, se mostram relutantes em aceitar o regresso dos seus cidadãos, ou com as quais os EUA mantêm relações diplomáticas tensas ou inexistentes.

Em junho, uma iraniana estava entre as duas dezenas de migrantes que os EUA deportaram para a República Centro-Africana.

Ativistas manifestaram preocupação com o regresso dos deportados ao Irão, país cuja teocracia tem reprimido os intelectuais e onde o governo combate, de forma veemente, qualquer tipo de dissidência.

Leia Também: Amnistia exorta novos eleitos a combater práticas da administração Trump

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