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Ex-guerrilheiros da Renamo pressionam por congresso em 2027

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Minuto Fonte Externa
26 de outubro de 2026 • 4 min de leitura
Ex-guerrilheiros da Renamo pressionam por congresso em 2027

Antigos guerrilheiros da moçambicana Renamo acusaram hoje o presidente, Ossufo Momade, de recorrer a manobras dilatórias para desorganizar o partido, prometendo manter a pressão para que o congresso previsto para o segundo semestre de 2027 se realize.

 

"Estamos atentos e não deixaremos de pressionar para que o congresso se realize com a maior brevidade possível", disse o coordenador nacional da autoproclamada comissão de gestão da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), Edgar Silva, em conferência de imprensa em Maputo.

As declarações surgem após a realização, entre 22 e 23 de outubro, da terceira sessão do Conselho Nacional da Renamo, que marcou para o segundo semestre de 2027 a realização do próximo congresso do partido, destinado, entre outras matérias, à eleição da nova liderança, cargo ao qual Ossufo Momade já disse antes que não pretendia concorrer.

Segundo Edgar Silva, a realização do evento resultou da pressão exercida pelos antigos guerrilheiros e outros setores contestatários da organização.

O grupo considera que a ausência de uma data e de um local para o congresso pode representar uma tentativa de prolongar a permanência do presidente na liderança do partido.

"Receamos que não seja mais uma atitude hipócrita do presidente do partido. Pois, vezes sem conta o senhor já nos habituou a piscar para a direita e virar à esquerda. Consubstancia este aspeto o facto de o anúncio da realização de tal congresso não ter dia, mês e local", declarou.

No encerramento do Conselho Nacional, Momade defendeu que a definição da data e do local do congresso deverá ser apreciada posteriormente pelos órgãos do partido, admitindo igualmente que a sua realização dependerá da disponibilidade de recursos financeiros.

Para este grupo, essa posição reforça as dúvidas sobre a concretização do conclave.

"Remeter para o próximo ano o Conselho Nacional dependendo de fundos leva-nos a concluir que Ossufo Momade e seus comparsas podem estar a engendrar mais uma manobra dilatória para desorganizarem mais o partido", afirmou Edgar.

"Se não nos disserem quando é que vai realizar-se este congresso não haverá paz neste partido. Continuaremos na nossa luta. Nós somos um grupo de pressão e saberemos fazer a pressão", acrescentou.

O grupo criticou igualmente a expulsão do histórico dirigente António Muchanga, decidida pelo Conselho Nacional no âmbito de um processo disciplinar por alegadas violações dos estatutos da Renamo.

O grupo descreveu o antigo deputado como uma "figura incontornável" da política moçambicana, manifestando desagrado pela forma como foi conduzido o processo.

"Preocupa-nos o facto de o presidente do partido ser o principal promotor de divisão e intimidação dentro do partido. Com esta atitude, ficou provado que o senhor Ossufo Momade pretende fragmentar e destruir o partido", declarou.

Após a expulsão, Muchanga anunciou que pretende impugnar a decisão judicialmente, alegando que a medida viola a legislação moçambicana, e prometeu prosseguir a contestação à liderança de Momade.

No encerramento do Conselho Nacional, o líder da Renamo classificou a expulsão como uma decisão "difícil e dolorosa", mas necessária para proteger o partido, defendendo que a deliberação foi tomada pelo órgão soberano da organização entre congressos.

A realização de um congresso extraordinário para eleger uma nova liderança tem sido uma das principais reivindicações dos setores que contestam a atual direção da Renamo.

Há vários meses que antigos guerrilheiros e dirigentes históricos, incluindo António Muchanga, exigem a demissão de Ossufo Momade, acusando-o de má gestão do partido, falta de pagamento de pensões e subsídios e incapacidade para responder à crise interna.

Candidato presidencial apoiado pela Renamo nas eleições gerais de 2024, Ossufo Momade obteve 6% dos votos, o pior resultado de sempre de um candidato apoiado pelo partido, que perdeu igualmente o estatuto de principal força da oposição moçambicana.

Leia Também: Ex-guerrilheiros da Renamo dizem que Conselho é manobra dilatória

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