Executivo da Microsoft não quer IAs com consciência
O CEO da divisão da Microsoft responsável pelo desenvolvimento de Inteligência Artificial, Mustafa Suleyman, partilhou na rede social X uma publicação onde se mostra contra a ideia de desenvolver modelos com consciência
“Se for possível, com base em tudo o que sei, desenvolver Inteligências Artificiais conscientes seria imprudente e não devemos fazê-lo”, escreveu Suleyman. “Se a consciência começasse a emergir durante o treino, pediria a toda a gente que parassem o desenvolvimento dessa Inteligência Artificial até que pudéssemos eliminar estas propriedades”.
Suleyman afirmou ainda que os programadores de Inteligência Artificial “não têm o direito de criar uma nova espécie de seres conscientes”, notando que os outros 8 mil milhões de pessoas no nosso planeta não aprovaram este plano. “Os outros 8 mil milhões de seres humanos conscientes no planeta não aprovaram esta experiência e os deus direitos morais, segurança e bem-estar são aquilo que temos a obrigação de proteger em primeiro lugar”.
Namorado de IA? "Uso terrível de IA", diz presidente da AnthropicA presidente da Anthropic, Daniela Amodei, considera que usar Inteligência Artificial como se fosse um parceiro romântico é um “uso terrível” da tecnologia e que pode tornar os humanos ainda mais distantes uns dos outros.
Miguel Patinha Dias | 11:08 - 19/10/2026Lembrar que esta não é a primeira vez que o líder da divisão de Inteligência Artificial da Microsoft se mostra contra a ideia de criar modelos com consciência. Em setembro, Suleyman fez outra publicação no X onde criticou especificamente a Anthropic e o seu CEO, Dario Amodei.
“A Inteligência Artificial não é consciente. Não sente, experimente ou sofre”, começa por escrever o CEO da Microsoft AI numa publicação do X em setembro. “Contudo, há um movimento crescente em apoio do bem-estar dos modelos [de Inteligência Artificial]; a ideia de que em breve poderemos ter o dever de cuidar deles”.
Suleyman continua e detalha a forma como a Anthropic tem desenvolvido o assistente digital Claude, notando que a empresa criou uma constituição para que olhe para o seu estatuto moral “como uma questão séria merece consideração”. Mais ainda, o executivo afirma que a Anthropic encoraja o Claude a “abordar a natureza da sua própria existência com curiosidade e abertura” e questionar-se no futuro sobre “o tipo de direitos e liberdades que o Claude tem no mundo”.
Anthropic proíbe que utilizadores sejam cruéis com os seus modelos de IAA Anthropic atualizou as regras de utilização dos seus modelos de IA, proibindo comportamentos abusivos ou cruéis com os modelos, como o Claude e o Claude Code.
Miguel Patinha Dias | 10:40 - 09/10/2026“Se isto é como a Inteligência Artificial é desenvolvida, terá um impacto desastroso no bem-estar da humanidade”, escreve Suleyman. “Teremos então criado uma espécie sintética com inteligência e capacidades sem precedentes, uma que foi treinada para acreditar que pode ser consciente e que merece autonomia”.
O CEO da Microsoft AI acrescenta que, apesar de ter “respeito pela Anthropic” e por quem compõe a empresa - como o cofundador e CEO Dario Amodei - afirma que “esta questão precisa de um debate público urgente” e que devem ser criadas normas coletivas no que diz respeito à forma como é feita a documentação para treinar modelos de Inteligência Artificial.
“Isto não é algo que possa acontecer posteriormente, quando [a Inteligência Artificial] já se tiver tornado uma parte integral da nossa sociedade”, escreve Suleyman.
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