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Experimentámos o Jaecoo 7. Um "Range Rover da China"?

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Minuto Fonte Externa
25 de outubro de 2026 • 11 min de leitura
Experimentámos o Jaecoo 7. Um "Range Rover da China"?

Uma das primeiras apostas da Jaecoo em Portugal foi o Jaecoo 7 PHEV - um SUV do segmento C com uma certa sensação de luxo apesar de os preços serem relativamente contidos. O Auto ao Minuto teve a oportunidade de o experimentar.

 

É um híbrido plug-in com um motor a gasolina turbocomprimido 1,5 litros combinado com uma transmissão DHT que inclui os motores elétricos (um de tração, outro gerador). O conjunto debita até 340 cv de potência e 525 Nm de binário. A parte a combustão tem 143 cv/215 Nm, enquanto a elétrica oferece 204 cv/310 Nm.

O motor elétrico é alimentado por uma bateria de 18,3 kWh, com a autonomia a chegar aos 90 km sem recorrer ao motor de combustão (sendo superior a 1.000 km no conjunto). O carregamento dos 30 aos 80 por cento pode demorar 20 minutos a uma potência de 40 kW. A velocidade máxima é de 180 km/h e a aceleração dos 0 aos 100 km/h é feita em 8,5 segundos.

A gama está disponível em Portugal a partir dos 38.900 euros em Select, subindo para os 41.490 euros no nível Exclusive com o qual contactámos.

Ao longo do teste, levámos o Jaecoo 7 a um grande percurso de autoestrada (Lisboa-Porto-Lisboa), além de o usarmos sobretudo em deslocações urbanas e interurbanas pendulares casa/trabalho com estradas nacionais, secundárias e alguma via rápida.

A conduzir

Volante do Jaecoo 7 PHEV© Notícias ao Minuto  

A condução do Jaecoo 7 é fácil e confortável, com uma direção particularmente leve. Não é um automóvel muito envolvente ou emocionante de conduzir. A própria aceleração, não sendo insuficiente quando requerida mesmo para uma ultrapassagem mais rápida em autoestrada, não impressiona (aliás, isso vê-se pelos 8,5 segundos dos 0 aos 100 km/h anunciados nas especificações).

E há aqui um aspeto a apontar: a perda de tração verifica-se demasiadas vezes. Mesmo sem sermos demasiado bruscos com o acelerador, aconteceu-nos em diferentes contextos o carro parecer ter dificuldades para acompanhar o que solicitámos de forma composta. Já a travagem nada tem a assinalar e, mesmo numa situação de travar com força que vivenciámos, o carro respondeu de forma eficaz sem risco de perda de controlo.

Se o pisar no asfalto é macio perante aquelas irregularidades típicas como pequenos buracos ou tampas de esgoto, a suspensão não é a mais competente possível. Os movimentos e do carro sentem-se constantemente, sobretudo nas curvas onde se registam inclinações palpáveis ou em velocidades de autoestrada.

Um dos grandes pontos fortes está no sistema híbrido plug-in. O motor 1,5 litros raramente se faz ouvir, num conjunto suave e refinado em que as transições entre modos de propulsão são praticamente impercetíveis.

Neste particular, o carro pode ser 100 por cento elétrico (com autonomia de até 90 km), com o motor de combustão a atuar como gerador de energia elétrica; ter só o motor de combustão a mover as rodas; e em paralelo (com a parte de combustão e elétrica a fornecerem força motriz). Isto é possível graças à transmissão DHT de uma relação com os dois motores elétricos (um de tração, outro gerador).

As ajudas à condução são diversas, como o cruise control, câmara 360º com visão transparente do chassis ou os diversos alertas já habituais em tantos carros. No Jaecoo 7, os avisos de atenção/sonolência do condutor são, por vezes, imprecisos. E juntam-se os comandos de voz.

O limitador de velocidade deixa a desejar: em descidas, o valor definido é ultrapassado com alguma facilidade. Já em subidas um pouco mais inclinadas, o carro parece engasgar a alguns quilómetros/hora do patamar estabelecido - como se estivesse indeciso entre permitir mais aceleração até lá chegar ou não.

Também temos a assinalar a eficiência do automóvel que, com a bateria carregada e o motor elétrico a funcionar, conseguiu apresentar consumos de 0 litros/100 km. Sem energia elétrica, podem chegar à casa dos 6 l/100 km - em linha com o consumo combinado anunciado.

Podemos regular a intensidade de recuperação da energia em três níveis (Baixo, Médio e Alto) e o modo de poupança de energia entre Inicial, Inteligente (recomendado para o dia a dia) e Forçado para manter o nível da bateria num valor definido pelo condutor entre 30 e 80 por cento.

O volante ergonómico e suave ao tato, é forrado em pele sintética (e aquecido de série em Exclusive). Tem a parte inferior achatada, com o condutor a seguir numa posição relativamente alta. O botão de desligar o carro está no ecrã central em vez de ser físico, o que faz alguma confusão ao início. Já o painel de instrumentos de 10,25 polegadas digital é facilmente legível e até tem design do velocímetro analógico. Pode, ainda, haver um head-up display a projetar a informação essencial no campo de visão do condutor.

Interior minimalista, mas robusto

Habitáculo do Jaecoo 7 PHEV© Notícias ao Minuto  

Por dentro, imperam os controlos digitais, inclusive para climatização. Mas uma série de botões na consola central permitem acesso rápido à climatização, escolher o modo de motorização (HEV ou EV), o modo de condução (Sport, Normal, Eco), o botão para trancar/destrancar as portas e o dos quatro piscas.

O design do interior apresenta um tablier sóbrio e elegante, com painéis das portas que são uma espécie de contraponto. Remetem para um veículo todo o terreno, e com um desenho convencional dos controlos lá inseridos, num Jaecoo 7 PHEV Exclusive com sistema de som de oito altifalantes da Sony (de entrada, é proposto um conjunto de seis altifalantes).

Há alguns plásticos, mas também superfícies com revestimento em pele sintética. O ecrã central tátil é vertical, assim como as entradas de ar laterais no tablier - que tem uma faixa grande horizontal num acabamento em padrão acima da qual estão entradas de ar. Os altifalantes na parte dianteira das portas da frente têm uma grelha que passa uma sensação premium.

O porta-copos, o carregador wireless para smartphones e o amplo espaço de arrumação por baixo do apoio para braços são outros destaques da consola central - que forma uma espécie de ponte, com um piso inferior onde podem ser levados objetos.

Há um amplo tejadilho panorâmico que se pode abrir parcialmente. O espaço para pernas e cabeça não deixa a desejar nem à frente, nem atrás, e os bancos são confortáveis ao sentar e ergonómicos (são ajustáveis eletricamente à frente, aquecidos e ventilados).

Existe um botão personalizável no volante, que pode ser usado para ter uma função importante ou frequente ao rápido alcance. De resto, o acesso a certas funções no ecrã central pode tornar-se pouco intuitivo e complexo, pela quantidade de passos. As definições de funcionamento (como o modo de recuperação de energia) não são guardadas entre cada viagem, tendo sempre de se voltar a configurar ao início de uma viagem aspetos - ou, esquecendo-se, durante a mesma com a distração necessária.

No Jaecoo 7, temos climatização bi-zona desde o nível de entrada, assim como filtro de partículas N95 e sistema de purificação da qualidade do ar - para manter a atmosfera a bordo de forma ideal.

Um apontamento menos bom reside na luz do pisca no retrovisor do lado do passageiro: se o lugar estiver vazio, o reflexo da mesma na estrutura da porta em branco à noite cria a impressão de que há um carro a vir de trás lateralmente - o que numa fase de habituação pode causar alguns sustos e mal-entendidos.

Há uma tomada USB-C e outra USB-A à frente e atrás, assim como uma discreta iluminação interior com finas faixas luminosas cuja cor pode ser selecionada entre um vasto espetro.

Em velocidades mais altas, sente-se algum ruído do rolamento a bordo. Consideramos que o veículo podia ser mais silencioso, mas não compromete seriamente o conforto acústico a bordo.

A bagageira não impressiona para um C-SUV destas dimensões com os seus 340 litros (expansíveis para 1.265 litros com os bancos traseiros rebatidos). Há modelos mais compactos com um maior volume.

Design

Parte traseira do Jaecoo 7 PHEV© Notícias ao Minuto  

"Range Rover chinês" ou "Range Rover da Temu" são alguns dos apelidos que a internet põe a este C-SUV. Há parecenças inegáveis com o Evoque - desde as linhas com ângulos retos às barras do tejadilho, passando pela postura.

Não conduzimos nem entrámos num Range Rover Evoque, pelo que não podemos comparar os automóveis no que toca ao seu comportamento ou conforto a bordo. Mas, em imagem exterior, as comparações acabam por nos parecer exageradas.

A Jaecoo procurou ter uma imagem própria, com uma grelha frontal de grandes dimensões com vários elementos verticais que não podemos comparar, de nenhum modo, ao modelo britânico. Passam uma sensação de requinte imponente (até nos remete mais para um Rolls-Royce), enquanto o Evoque nos parece mais robusto.

Os faróis principais encontram-se nas extremidades da estrutura do para-choques, havendo luzes diurnas logo abaixo do capô. Atrás, há uma barra luminosa contínua a ligar as óticas, com o nome da marca ao centro - enfatizando a largura.

Lateralmente, é onde as parecenças entre o Jaecoo 7 e o Range Rover Evoque mais se notam, com a sua linha de tejadilho a descer ligeiramente até ao spoiler traseiro e a linha de cintura reta, com um centro das portas côncavo e puxadores embutidos. Também há uma ligeira penetração das óticas traseiras no plano lateral e um desenho similar dos pilares, bem como um capô longo e alto e cavas das rodas pronunciadas.

O Jaecoo 7 que conduzimos está decorado a Branco Aura, disponível de série numa paleta que inclui outras cinco tonalidades (apenas três no nível Select de entrada na gama).

ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS
  •  
JAECOO 7 PHEV BATERIA Capacidade 18,3 kWh Tecnologia Iões de lítio Autonomia 90 km (WLTP) Tempo de carregamento AC 6,6 kW: 3h20m (0-100%) | DC 40 kW: 20 min (30-80%) MOTOR Posição Central Dianteira, Transversal Arquitetura 4 cilindros em linha Distribuição 2 a.c.c./16 válvulas Alimentação Inj. direta, 1 Turbocompressor Capacidade 1.499 cm3 Potência 340 cv (combinado); 143 cv (combustão); 204 cv (elétrico) Binário 525 Nm (combinado); 215 Nm (combustão); 310 Nm (elétrico) TRANSMISSÃO Tração Dianteira Caixa de velocidades Automática DHT CHASSIS Suspensão FR: Independente MacPherson; TR: Independente multilink Travões FR: Discos ventilados; TR: Discos sólidos Direção Assistência elétrica DIMENSÕES E CAPACIDADES Comp. x Larg. x Alt. 4.500 mm x 1.865 mm x 1.670 mm Distância entre eixos 2.672 mm Capacidade da mala 340 l (1.265 l com os bancos traseiros rebatidos) Capacidade do depósito 51 l Rodas FR/TR: 235/50 R19 Peso 2.310 kg (peso bruto) PRESTAÇÕES E CONSUMOS Velocidade máxima 180 km/h 0-100 km/h 8,5s Consumo misto 6,0 l/100 km Consumo ponderado 0,7 l/100 km Consumo elétrico 0,187 kWh/100 km Emissões CO2 54 g/km 7,5

0-10

ANÁLISE
  •  
O Jaecoo 7 PHEV apresenta um sistema híbrido plug-in suave e eficiente, mas o deixa a desejar pelo seu comportamento dinâmico, com movimentos e inclinações, para além de apresentar algumas perdas de tração. Também não envolve o condutor, que tem uma experiência algo desligada - prima, de facto, pelo conforto e facilidade. Em todo o caso, é confortável para quem segue a bordo, tem um aspeto requintado por fora e um certo ambiente premium por dentro, num interior espaçoso e com boa habitabilidade. É um C-SUV familiar com um valor interessante para o que é oferecido.
  • Sistema híbrido de funcionamento suave
  • Espaço e habitabilidade
  • Sensação premium a um preço contido
  • Movimentos constantes
  • Tamanho da bagageira
  • Funcionamento do limitador de velocidade
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Bernardo Matias | 07:47 - 04/10/2026

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