Faro quer investir 15 milhões em plano para enfrentar cheias urbanas
A Câmara de Faro quer investir 15 milhões de euros na execução de um plano para mitigar as cheias urbanas, especialmente em zonas críticas, num projeto que engloba também a substituição de parte da rede de distribuição de água.
A execução do plano geral de drenagem de águas pluviais de Faro, hoje apresentado, decorrerá em duas fases, sendo a primeira "tecnicamente bastante mais complexa", disse aos jornalistas o presidente da autarquia, António Miguel Pina.
"[O plano] Consiste numa ligação desde a zona de São Luís até à Ribeira das Lavadeiras e, depois, numa segunda fase, no tratamento também desta área da Ribeira das Lavadeiras. É este o projeto. São, numa primeira fase, 10 milhões, numa segunda fase, mais cinco milhões", detalhou o autarca.
A segunda fase, cujo projeto está a ser concluído, vai articular-se com o projeto da Alameda 21, que inclui a criação de um parque urbano na zona da Penha, junto à Ribeira das Lavadeiras, acrescentou.
O objetivo do plano é eliminar as inundações sistemáticas na zona São Luís, onde existem vários pequenos negócios que sofrem prejuízos com frequência, e contribuir para mitigar o problema de acumulação de água também na zona da Penha.
Durante a apresentação, enumerando as cheias registadas naquela zona da cidade desde 2021, o especialista José Saldanha Matos considerou que a soma do prejuízo já causado nestes anos chega a valores "relativamente próximos dos 10 milhões" de euros, que é o investimento previsto para a primeira fase.
O professor catedrático, fundador da Hidra, empresa responsável pela elaboração do plano, sublinhou que este é um plano integrado e estratégico, lembrando que não é um plano cuja execução fique concluída em dois anos (tempo estimado da obra), apontando a sua concretização total num período de 10 anos.
Questionado pelos jornalistas sobre se a sua execução garante que não voltam a ocorrer cheias em São Luís, Saldanha Matos respondeu que, num período de retorno de 100 anos, tendo em conta a previsão do efeito das alterações climáticas e subida do nível do mar, há uma garantia "praticamente absoluta" de que a zona intervencionada não terá mais inundações.
Mas deixou um aviso: "Agora, o que é que isso implica? Implica também que o sistema seja mantido. […] Portanto, mantendo-se, esta segurança é garantida. Agora, o que nós estamos a fazer aqui é parte do plano, o plano não acaba aqui", frisou.
Na ocasião, a especialista Filipa Ferreira notou que se trata de uma obra "difícil de fazer" e a uma profundidade muito elevada, pelo que o objetivo é ir "abrindo e fechando" à medida que os trabalhos avançam, para "não deixar a cidade esventrada", notando que se prevê em São Luís a colocação de "muitas grelhas grandes, de passeio a passeio", para intercetar a água e fazê-la chegar ao coletor.
Presentes na sessão estavam também comerciantes com negócios na Rua de São Luís, que, embora aguardem há anos para que a situação seja resolvida, se mostraram preocupados com a calendarização das obras e o impacto que terá nos seus negócios.
Proprietária de uma pastelaria na Rua de São Luís, Elisabete defende a urgência da obra, mas lembra que tem se ser feita no menor espaço de tempo possível para os negócios que ali existem não desapareçam.
"(…) Porque, se não, os pequenos negócios vão morrer, se a obra não for concluída no mínimo tempo possível", insistiu, lembrando que para poder fazer a gestão do seu negócio, é necessário saber a duração e calendarização da obra.
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