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Figura do jornalismo independente em Cuba e uma dissidente detidos

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Minuto Fonte Externa
6 de novembro de 2026 • 3 min de leitura
Figura do jornalismo independente em Cuba e uma dissidente detidos

Uma das figuras do jornalismo independente em Cuba, Yoani Sanchez, e a dissidente Berta Soler, líder do movimento das Damas de Branco, foram detidas quinta-feira em Havana, segundo meios de comunicação da oposição e pessoas próximas.

 

A jornalista de 51 anos foi "levada pela polícia política" de manhã quando saía de sua casa no bairro de Nuevo Vedado para fazer compras, informou o 14ymedio, o jornal online que Yoani Sanchez fundou e dirige desde 2014.

"Ainda não temos notícias de Yoani Sanchez", escreveu, várias horas depois, o seu marido, o jornalista Reinaldo Escobar, na rede social Facebook.

Quanto à líder do movimento das Damas de Branco, Berta Soler, de 63 anos, também foi detida, juntamente com outra membro do coletivo, Maria Cristina Labrada, "na rua, enquanto saíam da casa" que serve de sede à organização, disse à AFP Angel Moya, o marido da dissidente.

"Não sabemos para onde as levaram", acrescentou.

"Exigimos saber imediatamente onde se encontram Soler e Labrada", denunciou na rede social X o Observatório Cubano dos Direitos Humanos, uma ONG cubana sediada em Espanha, que pede a sua libertação.

O movimento Damas de Branco, formado por mães e esposas de opositores detidos em 2003 durante o governo de Fidel Castro (1959-2006), recebeu em 2005 o Prémio Sakharov do Parlamento Europeu.

As mulheres que fazem parte do movimento vestem-se de branco como sinal de protesto pacífico.

Berta Soler é regularmente alvo de detenções que variam entre várias horas a alguns dias e também é frequentemente impedida pelas autoridades de sair de casa.

Yoani Sánchez, por sua vez, ganhou em 2008 o prémio Ortega y Gasset, uma das mais importantes distinções para o jornalismo em espanhol.

No mesmo ano, esteve incluída na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo da revista americana Time.

O seu jornal online, crítico da gestão do governo da ilha comunista denuncia regularmente a censura e o assédio exercidos pelas autoridades contra os opositores.

Os jornalistas independentes cubanos sofrem regularmente pressões por parte das autoridades.

Segundo uma lei sobre comunicação aprovada em 2023, os meios de comunicação do Estado, controlados pelo Partido Comunista, são os únicos legais na ilha.

No entanto, vários meios de comunicação independentes online surgiram nos últimos anos e têm sobrevivido, mais ou menos, num vazio jurídico.

Os cubanos só podem aceder a eles através de uma rede privada virtual (VPN).

O jornal 14ymedio afirma que vários colaboradores de meios de comunicação de oposição foram detidos na rua nas últimas semanas, sendo depois libertados após receberem multas ou advertências.

Leia Também: Cuba realiza exercício militar em tempos de elevada tensão com os EUA

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