"Gostava que Serviço Militar Voluntário pudesse arrancar já em 2027"
O ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, encontra-se a preparar novas tabelas de aptidão para ingresso nas Forças Armadas e quer que o Serviço Militar Voluntário arranque já em 2027.
Em entrevista ao programa "Hora da Verdade", da Renascença e do jornal Público, o governante revelou que o projeto está a ser preparado pela Direção-Geral de Recursos Humanos da Defesa Nacional e será depois trabalhado com os três ramos das Forças Armadas.
Numa primeira fase, a experiência deverá abranger um número limitado de jovens, permitindo-lhes passar por formação militar sem o compromisso de seguir uma carreira nas Forças Armadas.
"Há muitos jovens que não querem necessariamente seguir uma carreira militar, mas gostariam de ter uma experiência militar, gostariam de poder fazer uma recruta… Porque não, para já numa base experimental, dar a um número limitado de jovens, aquilo que seria uma formação para praças, para sargentos e para oficiais, a possibilidade de, num curto tempo das suas vidas, terem essa experiência militar no Exército, na Marinha ou na Força Aérea? E ver, findo esse ciclo, quantos optariam por seguir a carreira militar", disse, Nuno Melo afastando, pelo menos para já, o regresso ao Serviço Militar Obrigatório (SMO).
O ministro centrista admite que não achou "piada nenhuma" quando se acabou com este serviço, no entanto, "o mundo mudou, passaram muitos anos" e voltar ao sistema implicaria custos.
"Um serviço militar obrigatório implicava, desde logo, uma capacidade de os ramos assegurarem a formação e a incorporação geral de centenas de milhares de pessoas que duvido que conseguissem abraçar neste momento. Ou seja, mesmo um SMO teria de ser preparado ao longo de muito tempo, para que pudesse ser uma realidade. Mas não é opção. Neste momento, a opção é de natureza experimental, para percebermos o que pode fazer mais sentido ou menos sentido, o que é que pode ser aumentado ou diminuído, e até se faz sentido", explicou, revelando que "gostava" que o Serviço Militar Voluntário arrancasse já no próximo ano.
"Gostava que pudesse arrancar já em 2027, sinceramente. Arrancar não necessariamente com a instrução pura e dura, mas com a concretização do projeto. Acho que é mais do que possível", evidenciou o também líder do CDS-PP.
"F-16 atingiram um ponto que já não permite grandes modernizações"Na mesma entrevista, Nuno Melo assegurou que o processo político de substituição dos F-16 está para "breve", apesar de não este ano. Para o ministro, Portugal deve avaliar todas as alternativas disponíveis no mercado.
"Este ano não será certamente, mas será tão breve quanto possível. Os F-16 atingiram um ponto que já não permite grandes modernizações. E nesta altura, quando já não funcionam em operação conjunta com outros países que tinham aeronaves equivalentes, a própria manutenção é muitíssimo mais cara", enfatizou, acrescentando que "a tutela recebe os pareceres que têm em conta as possibilidades do mercado e outros critérios, como a intervenção de empresas portuguesas no fabrico ou na manutenção, e a decisão acontece".
Ainda sobre o armamento necessário para dotar as forças armadas portuguesas, o ministro da Defesa confirmou a aquisição do porta-drones D. João II, em 2027, e asseverou que a Marinha considera fundamental dispor de um terceiro submarino.
"Por duas vezes as ditaduras não prevaleceram na Europa devido aos EUA"Já sobre os EUA e a Base das Lajes, Nuno Melo reafirmou que o país governando por Donald Trump é um aliado "absolutamente fundamental", rejeitando que Portugal tenha violado as suas obrigações na utilização da Base das Lajes.
"Como ministro da Defesa a primeira coisa que me sinto tentado a fazer é olhar para a História. A História repete-se, mas no que tem a ver com Portugal, os aliados têm sido estáveis. A começar pelos Estados Unidos. Por duas vezes as ditaduras não prevaleceram no espaço continental europeu porque os EUA atravessaram o Atlântico e vieram dar uma ajuda", começou por dizer sobre o assunto, acrescentando que tem, "de facto, os EUA como um aliado absolutamente fundamental".
"E é muito importante, quando o mundo está tão perigoso e incerto, que nós, aliados, nos tentemos agregar. E que tenhamos em conta os riscos, em vez de partirmos para o que outros querem, que é a criação de divisões que só beneficiam de quem perspectivamos como adversário. Os EUA são um aliado, foram um aliado e eu desejo que continuem a sê-lo. Portugal na sua vocação transatlântica tem interesse, tem vantagem e faz justiça quando privilegia os norte-americanos como aliados", notou, concluindo que "nós esperamos dos aliados é que se comportem como aliado".
"Nós, portugueses, comportamo-nos como aliados e avaliamos e estimamos os nossos aliados, entre eles os EUA. Porque se o mundo caminhar para um conflito mais alargado, no qual os europeus sejam chamados a combater, é bom que os americanos estejam do nosso lado", terminou.
Habitação: Melo atribui protestos ao "descontrolo absoluto" da imigraçãoO ministro da Defesa Nacional e líder do CDS-PP, Nuno Melo, atribui a crise da habitação em Portugal e a organização dos protestos ao "descontrolo absoluto" da imigração. Além disso, na opinião do governante, o Executivo da AD tem dado "toda a atenção" ao problema.
Natacha Nunes Costa | 08:23 - 21/10/2026Conteúdo importado automaticamente via RSS de Minuto.
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