Guterres encarrega Ivanko da liquidação da missão no Saara Ocidental
O secretário-geral da ONU, António Guterres, encarregou o diplomata russo Alexander Ivanko da liquidação da missão das Nações Unidas para o referendo no Saara Ocidental (Minurso).
O porta-voz de Guterres, Stéphane Dujarric, explicou hoje na conferência de imprensa diária que Ivanko estará à frente do desmantelamento da missão no terreno, orientado pelos responsáveis em Nova Iorque.
O diplomata russo foi representante especial do secretário-geral da ONU para o Saara Ocidental e chefe da Minurso desde agosto de 2021.
O seu mandato terminou com a cessação das operações da missão.
A ONU deu início às operações de liquidação depois de, a 30 de outubro passado, a missão não ter sido renovada na sequência de vetos cruzados dos Estados Unidos e da Rússia às propostas para prolongar o mandato.
"As atividades de liquidação incluirão o repatriamento dos observadores militares das bases de operações" e a "retirada ou eliminação adequada do equipamento e dos ativos propriedade das Nações Unidas", apontou Dujarric.
Desdobrada desde 1991, a missão tinha como principal objetivo organizar um referendo de autodeterminação no Saara Ocidental, disputado entre Marrocos e os independentistas da Frente Polisário, apoiados pela Argélia, desde a retirada de Espanha em 1975.
A ONU anunciou esta semana que prevê repatriar cerca de 160 observadores militares e retirar aproximadamente 180 funcionários civis e pessoal associado, como parte do processo de liquidação da missão.
O território está dividido por um muro construído por Marrocos que separa a zona de controlo marroquino, onde se concentra a maior parte da população e dos recursos, e as zonas orientais consideradas como "zona de amortecimento [Buffer Zone]", de caráter desmilitarizado.
A Minurso atuava como observador para documentar incidentes no terreno, sobretudo após 2020, quando a Polisário se desvinculou unilateralmente dos acordos de cessar-fogo com Marrocos.
Marrocos comprometeu-se a respeitar o cessar-fogo acordado em 1991, embora alguns observadores apontem que a ausência de um mecanismo de vigilância da ONU pode ter consequências militares favoráveis a Rabat.
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