Habitação? CDS diz que "há clima para ir mais além" após ação da PSP
O CDS-PP considerou hoje que "há clima para ir mais além" em aproximações nas políticas de habitação depois da "reposição da ordem pública", defendendo que o quadro ideal para negociações será a discussão do próximo Orçamento do Estado.
Em declarações aos jornalistas no parlamento, o deputado João Almeida considerou que, nas manifestações e acampamentos em Lisboa e no Porto contra o custo da habitação, "houve claramente uma instrumentalização por forças de extrema-esquerda".
O deputado democrata-cristão reconheceu que o problema da habitação "é um dos mais urgentes e que mais reclama das políticas públicas em Portugal" e em toda a Europa, recordando várias medidas já aprovadas pelo Governo PSD/CDS-PP.
João Almeida disse ainda ser natural que as pessoas se manifestem para reivindicar soluções, mas sublinhou que "há regras" para esses protestos.
"Quiseram transformar Portugal e as cidades portuguesas naquilo que está a acontecer noutros países da Europa e aí, muito claramente, a esmagadora maioria dos portugueses não quer que as nossas ruas, que as nossas praças, que os nossos edifícios, que as nossas estátuas se transformem naquilo que tem acontecido em termos idênticos em França ou até em Espanha", disse.
O deputado democrata-cristão considerou que "a reposição da ordem pública era fundamental para que a democracia funcione", numa referência à atuação da da PSP que resultou na desmontagem das tendas colocadas em praças das duas maiores cidades.
"Agora, os representantes de todos os portugueses podem discutir soluções e, com base na representação democrática, aprovar essas soluções aqui na Assembleia da República ou em cada um dos municípios do país", disse.
João Almeida considerou que "existe disponibilidade do Governo e dos dois maiores partidos da oposição" para se tentar uma aproximação.
"Acho que há um clima para que se consiga ir mais além nas políticas públicas da habitação no sentido de resolver um problema que todos temos noção que é estrutural e que não sem uma solução mágica", disse.
Questionado se o CDS-PP está disponível para aceitar o convite dirigido pela presidente da IL, Mariana Leitão, aos líderes partidários para uma reunião conjunta sobre habitação, João Almeida disse compreender a proposto, mas considerou não fazer "grande sentido" ser um partido a liderar este tipo de discussão.
"O fundamental é aquilo que conseguirmos fazer, não é propriamente o método, certamente que esse funcionará no quadro da Assembleia da República e nós estamos em véspera do debate do Orçamento, é o quadro ideal para isso", considerou.
A PSP deteve hoje de madrugada 55 manifestantes que alegadamente resistiram quando a força de segurança retirou as tendas da Acampada de Lisboa que se encontrava na Praça D. Pedro IV (Rossio), tendo registado dois feridos ligeiros.
A Acampada de Lisboa, que começou no sábado, com o lema "Não dá mais? Então monta a tua tenda!", tinha decidido de madrugada de hoje manter o protesto contra as condições de vida e a crise na habitação, apesar de a polícia ter "solicitado a saída para evitar uma retirada coerciva".
Já o grupo que tem estado em protesto desde o dia 10 na Praça D. João I, no Porto, em vários destes dias também com tendas, pela falta de habitação a preços acessíveis, decidiu esta madrugada desmontar o acampamento perante a ameaça de intervenção policial.
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