Harold Tavares defende emprego como critério de investimentos em África
O diretor executivo do Banco Mundial, Harold Tavares, defendeu hoje a criação de emprego como critério para o sucesso de investimentos e políticas em África, na abertura do 2.º Fórum de Investimento da África Lusófona, em Cabo Verde.
"O maior desafio do continente africano, hoje, é criar emprego" porque "o maior ativo de África não está no subsolo, nem na geografia, está nas pessoas", referiu o representante de 23 países, entre os quais Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Guiné-Equatorial, no Grupo Banco Mundial.
O fórum dedicado aos países africanos de língua oficial portuguesa (PALOP) que decorre hoje e terça-feira na ilha do Sal é promovido pela Corporação Financeira Internacional (IFC, sigla em inglês), membro do grupo dedicado ao investimento no setor privado nos países em desenvolvimento.
Todos os anos, "até 12 milhões de jovens africanos entram no mercado de trabalho" e o êxito das políticas e dos investimentos "vai medir-se com uma pergunta simples: estamos a criar empregos suficientes e sustentáveis?", apontou Harold Tavares.
As respostas "não serão iguais" em todos os países lusófonos, disse.
Angola e Moçambique precisam de se diversificar, Cabo Verde e São Tomé precisam de tirar mais valor do turismo e do mar e Guiné-Bissau tem o seu forte na agricultura, sugeriu.
"O investimento público só por si não chega, mas abre caminho", enquanto o "capital privado existe", mas o risco afasta-o, pelo que o grupo pretende reforçar a disponibilização de garantias em África.
Ao nível da governação, em cada país, "cada reforma cumprida baixa o prémio de risco", enquanto adiamentos têm efeito contrário.
Harold Tavares disse que os países lusófonos devem pensar na criação de um corredor atlântico de portos, articulado com a costa do Índico em Moçambique.
Na sessão de abertura, em que o acolhimento foi feito pela Presidente interina de Cabo Verde, Janira Hopffer Almada, participou Ethiopis Tafara, vice-presidente da IFC para África.
Segundo referiu, a realização da 2.ª edição do fórum "envia uma mensagem" de que a IFC está comprometida "com os países lusófonos".
Ethiopis Tafara reafirmou uma ideia já transmitida na edição de 2025, de que há condições para transformar as "economias fragmentadas" dos PALOP num "mercado integrado" com cerca de 80 milhões de habitantes e um produto interno bruto (PIB) de 132 mil milhões de dólares (cerca de 118 mil milhões de euros).
O Fórum de Investimento da África Lusófona pretende "aproximar oportunidades de investimento e capital, promover novas parcerias empresariais e reforçar as ligações económicas" entre os PALOP e investidores internacionais, segundo a organização.
O fórum decorre sob o tema "Investir na África Lusófona: Potenciar corredores, desenvolver o agronegócio e impulsionar um turismo sustentável".
Segundo números atualizados da IFC, nos últimos cinco anos a instituição mobilizou cerca de 1,2 mil milhões de dólares (cerca de mil milhões de euros) em 10 projetos nos países africanos de língua portuguesa.
Banco Mundial: Emprego é critério de sucesso de investimentos em ÁfricaO diretor executivo do Banco Mundial, Harold Tavares, defendeu a criação de emprego como critério de sucesso de investimentos e políticas em África, na abertura do 2.º Fórum de Investimento da África Lusófona, em Cabo Verde. O fórum reúne países de língua portuguesa para discutir oportunidades de investimento e desenvolvimento.
Lusa | 12:37 - 26/10/2026Conteúdo importado automaticamente via RSS de Minuto.
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